Vereador que atacou baianos chora, pede desculpas e diz que esposa pensa em deixá-lo

sandro fantinel
Com postura bem diferente do dia do ataque, Sandro Fantinel chorou ao pedir desculpas (Reprodução/ Instagram)

Em um vídeo publicado no Instagram na noite dessa quinta-feira (2), o vereador Sandro Fantinel (sem partido) chorou ao dizer estar “extremamente arrependido” por ter cometido xenofobia contra baianos.

Fantinel pediu desculpas e disse que a família está sofrendo ameaças e que a esposa pensa até em romper o casamento após a fala em defesa de empresários e de vinícolas autuadas por trabalho análogo à escravidão no Rio Grande do Sul.

Também nessa quinta-feira, a Câmara de Vereadores de Caxias do Sul aceitou os pedidos de cassação do mandato do vereador, propostos em conjunto pelas Defensorias Públicas Estaduais do Rio Grande do Sul e da Bahia.

“Se as pessoas atacassem a mim, se eu pagasse pelos erros que eu cometi, a gente paga, porque quando a gente erra a gente tem que pagar. Mas o que tá acontecendo é que minha esposa chora noite e dia recebendo mensagens ofendendo ela com todos os piores nomes que vocês podem imaginar. Ela está pensando até em me deixar”, disse o político no vídeo de arrependimento.

O vereador também disse que os pais dele, de 80 anos, estão sofrendo ataques. “O meu pai e a minha mãe com 80 anos só choram dia e noite pelas ligações maldosas e ofensas que estão recendo”, disse.

Sandro Fantinel ataca baianos

Com postura bem diferente do vídeo de arrependimento, no dia 28 de fevereiro, Sandro Fantinel tentou defender empresas fabricantes de vinhos, espumantes e sucos investigadas por trabalho escravo. Na tentativa de justificar o crime, ele disparou falas xenofóbicas contra baianos e nordestinos em geral.

O parlamentar usou a tribuna da Câmara dos Vereadores para pedir que produtores da região “não contratem mais aquela gente lá de cima”. A maioria dos contratados para a colheita da uva são do estado nordestino.

Ele ainda sugeriu para darem preferência a empregados vindos da Argentina, pois, segundo ele, seriam “limpos, trabalhadores e corretos”.

Repúdio, investigação e expulsão

O vereador Sandro Fantinel já foi alvo de dois pedidos para cassação na Câmara de Caxias do Sul. Agora, o Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul também vai investigar o parlamentar por apologia ao trabalho escravo. O político foi expulso do Patriota na quarta-feira (1º).

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, condenou, por meio das redes sociais, a fala do parlamentar.

“O discurso xenófobo e nojento de vereador de Caxias contra o Nordeste não representa o povo do Rio Grande do Sul. Não admitiremos esse ódio, intolerância e desrespeito na política e na sociedade. Os gaúchos estão de braços abertos para todos, sempre”.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) também comentou sobre o caso. “Eu repudio veementemente a apologia à escravidão e não permitirei que tratem nenhum nordestino ou baiano com preconceito ou rancor”.

“É desumano, vergonhoso e inadmissível ver que há brasileiros capazes de defender a crueldade humana. Determinei, portanto, a adoção de medidas cabíveis para que o vereador seja responsabilizado pela sua fala”, completou.

Apresentadora da Globo rebate Fantinel

Ao vivo, em apresentação do Bahia Meio-Dia, a jornalista Jéssica Senra, da Globo, detonou o discurso xenofóbico de Sandro Fantinel.

A apresentadora falou sobre o caso na edição dessa quarta-feira (1º). “Esse vereador ficou revoltado porque os trabalhadores escaparam e denunciaram as condições degradantes. A gente toca até tambor muito bem, temos praias lindas. Mas nossa cultura não é só isso, não, viu, vereador? Nossa cultura é de não se deitar para autoritários, tiranos, para senhores de engenho”.

Jéssica relembrou a história da imigração no Rio Grande do Sul. “Esses imigrantes não eram pessoas ricas que vieram investir no Brasil, pelo contrário. Eram pessoas fugindo de crises econômicas na Europa e que receberam inúmeros benefícios do Brasil para aqui se instalarem”.

“Hoje esse vereador de um estado construído com a força de pobres imigrantes, discrimina pessoas humildes em busca de oportunidades de trabalho. Ignorando sua história, se crê superior social e economicamente”, disparou a jornalista.

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