Uma briga entre os dois proprietários de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos terminou com o fechamento da instituição após a Polícia Militar (PM) encontrar pacientes vivendo em condições degradantes e recolher denúncias de agressões, privação de água e alimentos e cárcere privado. O caso aconteceu no Centro Terapêutico Vasconcelos, em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A ocorrência começou quando um dos donos da clínica procurou uma base da Polícia Militar para denunciar que o irmão, com quem dividia a administração do estabelecimento, havia tomado as chaves de um veículo utilizado pela instituição. Os militares acompanharam o solicitante até a clínica para tentar resolver o conflito.
Ao chegarem ao local, os policiais foram recebidos por um interno que se apresentou como monitor. Durante a fiscalização, a equipe encontrou, segundo o boletim de ocorrência, um cenário de “degradação humana”. Pacientes passaram a denunciar agressões físicas e psicológicas, privação de alimentação e água, além de condições precárias de higiene.
Uma das vítimas afirmou que era dopada diariamente e impedida de se alimentar e beber água. Outro interno, que apresentava um trauma na perna, relatou que os pacientes eram tratados “como cachorros” e proibidos de manter contato com familiares. Um homem disse ainda que está internado contra a própria vontade há cerca de três anos.
Segundo o boletim de ocorrência, outro paciente afirmou que os responsáveis pela clínica deixavam frequentemente o estabelecimento para consumir drogas e retornavam acompanhados de mulheres para uso compartilhado de entorpecentes.
Alguns internos precisaram ser socorridos por ambulâncias e levados para a policlínica da região. Os militares também localizaram familiares dos pacientes para informá-los sobre a situação.
Durante a inspeção, a Polícia Militar encontrou dormitórios com sujeira acumulada, falta de higiene, desorganização e forte odor. Um dos internos possuía um mandado de prisão em aberto, que foi cumprido no local.
A PM informou que acionou o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Igarapé. Conforme o boletim, o órgão informou que já tinha conhecimento da situação da clínica, mas não enviou equipe para acompanhar a ocorrência.
Os dois responsáveis pelo estabelecimento foram conduzidos à delegacia. O caso será investigado pela Polícia Civil.












