Censura e desvio de dinheiro: As polêmicas de Rímoli, substituto do jornalista exonerado por Temer

Menos de 24 horas após Michel Temer (PMDB) exonerar ilegalmente o diretor-presidente nomeado por Dilma Rousseff (PT) para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o jornalista Ricardo Pereira de Melo, um novo e controverso nome já é cotado para a vaga: Laerte Rímoli, o ex-assessor de Eduardo Cunha envolvido em várias polêmicas. Entre elas, censura e desvio de dinheiro.

Presença constante nas redes sociais, antes de apagar a conta que possuía no Twitter, na tarde desta quarta-feira (18), Rímoli também polemizava ao citar personalidades brasileiras, seja elas da política ou não, em publicações na internet. Na lista de alvos dele estão a cantora Paula Fernandes, a socialite Val Marchiori e até mesmo Michel Temer e nova primeira-dama do Brasil, Marcela.

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Laerte Rímoli coleciona polêmicas, inclusive nas redes sociais.
(Reprodução/Facebook)

Além de ter sido chefe da secretaria de comunicação de Cunha, Laerte também trabalhou em campanhas de Aécio Neves (PSDB) e foi responsável pela assessoria do Ministério do Esporte e do Turismo na época em que FHC era presidente. Investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) apontaram desvios de R$ 10,6 milhões da pasta para a empresa SMP&B Comunicação e ele foi um dos quatro envolvidos obrigados pela Justiça a devolver dinheiro aos cofres públicos.

Quando trabalhava na Câmara dos Deputados, o jornalista comandou as operações da TV Câmara. Sob o supervisão dele, sessões do Conselho de Ética deixaram de ser transmitidas e programas foram cancelados. Servidores também relataram casos em que Laerte impediu a realização de entrevistas e reportagens de telejornais.

De acordo com coluna publicada no portal Os Divergentes, a indicação de Laerte para a EBC teria como objetivo colocar fim a tensões que possam ser criadas entre o governo Temer e a imprensa. A forma como investigações relacionadas à presidente Dilma e a Lula foram conduzidas por diferentes veículos preocupa o PMDB, que também busca se manter longe da imagem de “golpista” defendida pela oposição.

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Ricardo Melo foi exonerado ilegalmente por Temer.
(Divulgação/EBC)

Ilegalidade

A provável nomeação de Rímoli gerou reações em profissionais da Comunicação, trabalhadores da EBC, acadêmicos e outros integrantes de organizações da sociedade civil. A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) divulgou uma nota na qual se posiciona de forma contrária à substituição de Ricardo Melo por Laerte e apresentou representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) contra a demissão do jornalista nomeado por Dilma. O próprio Ricardo, por sua vez, ingressou com mandado de segurança, com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF) para se manter no cargo.

Ricardo argumenta que o Artigo 19 da Lei 11.652/2008, que cria a EBC, prevê que o diretor-presidente e o diretor-geral da empresa sejam nomeados pelo presidente da República. “O parágrafo segundo do mesmo artigo diz que ‘o mandato do Diretor-Presidente será de quatro anos'”, diz nota publicada sobre a ação judicial. Ele foi nomeado diretor-presidente da EBC no dia 3 de maio pela presidenta Dilma Rousseff. Anteriormente, ele ocupava o cargo de diretor de Jornalismo da empresa.

“A exoneração do diretor-presidente da EBC, publicada no Diário Oficial da União de hoje (17), pelo presidente interino da República, Michel Temer, antes do término do atual mandato viola um ato jurídico perfeito, princípio fundamental do Estado de Direito, bem como um dos princípios específicos da Radiodifusão Pública, relacionado com sua autonomia em relação ao Governo Federal”, acrescenta a nota.

Veja algumas das postagens de Laerte no Twitter:

laerte
(Reprodução/Twitter)
laertepaulafernandes
(Reprodução/Twitter)
laertemarcela
(Reprodução/Twitter)
laerteval
(Reprodução/Twitter)
laerte4
(Reprodução/Twitter)

Com Agência Brasil

Roberth Costaroberth.costa@bhaz.com.br

Editor do BHAZ desde junho de 2018 e repórter desde 2014. Participou do processo de criação do portal em 2012. É formado em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Promove. Participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2018, 2019 e 2020, além de figurar entre os finalistas do prêmio Sindibel, em 2019, e Sebrae de Jornalismo, em 2021.