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‘Reduzir todo o sofrimento’: mineiro cria mosquito da dengue sem vírus e entra para lista de cientistas mais influentes de 2025

15/12/2025 às 16h51
mosquito dengue cientista mineiro
(Peter Ilicciev/Divulgação)

“A cada ano, proteger cerca de 14 milhões de pessoas e com isso reduzir todo o sofrimento […], trazer uma melhor qualidade de vida pra população brasileira”. Esse é o objetivo do engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira, mineiro responsável por desenvolver, em conjunto com outros pesquisadores, uma “versão” do mosquito Aedes aegypti que não transmite o vírus da dengue. O cientista foi reconhecido pela revista Nature, na última segunda-feira (8), como uma das 10 pessoas que moldaram a ciência em 2025.

Para Luciano Moreira, “é muito gratificante” ver o nome dele na lista da revista Nature com um método que já está aplicado no país há pelo menos 10 anos. “É um método seguro, autossutentável, não tem nenhuma modificação genética, nem no mosquito, nem na Wolbachia. Envolve essa bactéria muito comum na natureza, que dentro do mosquito bloqueia a replicação dos vírus como dengue, Zika e chikungunya”, explicou o pesquisador.

Além de pesquisador, Luciano atualmente é diretor presidente da Wolbito do Brasil, uma empresa criada em parceria com a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), uma organização sem fins lucrativos com atuação em 14 países. A biofábrica é responsável pela maioria da produção de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no mundo.

mosquito dengue cientista mineiro
(Flávio Carvalho/WPM Brasil/Fiocruz)

Método Wolbachia

Denominados wolbitos, os mosquitos da espécie Aedes aegypti são infectados com a bactéria Wolbachia, presente naturalmente em diversos insetos ao redor do mundo. Nesse sentido, ao ser introduzida nos ovos do mosquito, a bactéria consegue reduzir o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya. Consequentemente, há uma redução da transmissão dessas doenças. Somente entre janeiro e outubro deste ano, o Ministério da Saúde registrou 1.611.826 casos prováveis de dengue e 1.688 mortes.

O Método Wolbachia ainda inclui um estudo das condições locais, como clima, densidade populacional e histórico epidemiológico. A partir daí, os cientistas traçam um plano para produção e liberação dos mosquitos na região-alvo. Sendo assim, os wolbitos soltos na natureza se reproduzem com os Aedes aegypti nativos, transmitindo a bactéria para as próximas gerações. Com o tempo, a população de wolbitos substitui a população original, reduzindo a transmissão das doenças.

Segundo a empresa, a Wolbachia já protegeu completamente a cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, sendo o primeiro município do país a alcançar essa condição. Estudos divulgados pela Wolbito do Brasil indicam que houve uma redução de 88,8% nos casos de dengue registrados no município.

Testes em BH

O Ministério da Saúde expandiu, em 2019, a implementação do World Mosquito Program em todo o país. Entre as cidades escolhidas estavam Belo Horizonte, em Minas Gerais, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Petrolina, em Pernambuco.

De acordo com dados do programa, até 2023, o método impactou cerca de 500 mil belo-horizontinos, abrangendo uma área de 391 km² da capital mineira. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realiza a implementação em parceria com o programa.

Em 2020, pesquisadores realizaram um projeto piloto na região de Venda Nova, em três áreas contíguas. De acordo com monitoramento da empresa, o Aedes aegypti com Wolbachia se estabeleceu na região. Desde então, um estudo clínico avalia a eficácia do método no controle de arbovírus locais.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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