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‘Por muito tempo eu fiquei calada, mas agora não mais’: jovem filma e denuncia ataques racistas de vizinha em Contagem

22/08/2026 às 10h58
racismo contagem
Imagens cedidas ao BHAZ

“Isso eu não vou aceitar. E para tentar fazer isso parar, eu estou divulgando, estou falando sobre o assunto que por muito tempo eu fiquei calada, mas agora não mais”. O desabafo é da promotora de vendas Lethycia Dimas, de 22 anos. Na tarde da última quinta-feira (20), a jovem foi alvo de uma série de ataques racistas proferidos pela vizinha dela, no bairro Jardim Vera Cruz, em Contagem, na Grande BH, por uma mulher de cerca de 60 anos conhecida pelo apelido ‘Zezinha’.

Em conversa com o BHAZ, Lethycia explicou que ela e a idosa residem no mesmo lote, mas as casas possuem portões individuais. A vendedora contou que estava no portão para receber uma encomenda quando a mulher passou a proferir ofensas de cunho racista. De acordo com ela, as agressões verbais começaram sem qualquer motivo ou diálogo prévio.

Ao notar que Lethycia estava filmando, Zezinha apontou para a câmera e intensificou os ataques. Nas imagens, é possível ouvir a idosa gritando repetidamente “eu detesto preto”. Além das inúmeras ofensas racistas, a idosa ainda demonstrou desdém perante à lei. “Não tenho medo de cadeia não”.

Lethycia destacou que tomou a decisão de expor o vídeo para impedir que novos episódios aconteçam na vizinhança. “Mesmo se eu mudasse a minha vida, mudasse a minha rotina, saísse da casa, e se outra pessoa que entrasse aqui fosse negra, seria a mesma coisa”, disse.

“Na hora a gente sente muita raiva, muita tristeza”, desabafou Lethycia.

No entanto, com a repercussão do caso, a jovem contou que tem receio de sofrer retaliações. “O medo ele vem hoje, porque a gente fica preocupada com o que a pessoa pode fazer”, declarou.

Veja o vídeo:

Lethycia mora no local há cerca de três anos e relatou que vizinha tem um longo histórico de perturbação na vizinhança. “Diversas vezes eu cheguei a chamar a Polícia Militar, eles chegam aqui, cada vez dão uma desculpa para não levar ela”, revelou. No dia do incidente, a jovem contou que acionou a corporação, mas a viatura “apenas passou pela rua” e conversou brevemente com o proprietário do lote.

Apesar disso, a vendedora compareceu à 6ª Delegacia de Polícia Civil de Contagem e registrou um Boletim de Ocorrência por injúria racial nessa sexta-feira (21). A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que informou que os “fatos seguem em apuração”.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Vinícius Sampaio

Email: vinicius.sampaio@bhaz.com.br

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