Brasil está fora: Pfizer anuncia acordo de produção de pílulas genéricas contra Covid-19 para 95 países

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Preço provavelmente sairá mais caro no Brasil (FOTO ILUSTRATIVA: Reprodução/stevepb/Pixabay)

A farmacêutica americana Pfizer anunciou, nesta terça-feira (19), um acordo de produção de genéricos de comprimido contra a Covid-19 para 95 países. O trato permitirá que sublicenciados qualificados forneçam o remédio a esses países. O Brasil não foi incluído na lista, com isso, terá que comprar diretamente da Pfizer, que provavelmente cobrará preços mais altos pela pílula comparados aos vendidos pelos fabricantes das versões genéricas.

Ao “The New York Times”, o brasileiro Felipe Carvalho, coordenador da campanha do Médicos Sem Fronteiras pelo acesso a medicamentos no Brasil, lamentou a exclusão do país do negócio. “É escandaloso que um país com uma carga pesada [na pandemia] como o Brasil seja mais uma vez deixado para trás no acesso ao tratamento”, disse. O Brasil tem o segundo maior número de mortos pelo novo coronavírus no mundo, com 611.384 vidas perdidas até o registro de ontem (15).

O acordo se baseia na estratégia da Pfizer para trabalhar em prol do acesso equitativo às vacinas e tratamentos contra a Covid-19 para todas as pessoas, especialmente aquelas que vivem nas partes mais pobres do mundo. O trato foi feito pela empresa juntamente com o “Medicines Patent Pool” (MPP), uma organização de saúde pública apoiada pela ONU (Organização das Nações Unidas) que trabalha para aumentar o acesso a medicamentos que salvam vidas para países de baixa e média renda.

Felipe Carvalho ainda lembrou que, embora o Brasil seja um país de renda média alta, três quartos dos brasileiros dependem do sistema público de saúde e poucos podem pagar por tratamentos caros. No acordo, além de todos os países de renda baixa e média-baixa, também estão inclusos alguns países de renda média alta, bem como países que fizeram a transição do status de renda média-baixa para média-alta nos últimos cinco anos.

Esforços pelo fim da pandemia

Com o acordo, o fornecimento de genéricos poderá cobrir até aproximadamente 53% da população mundial. Segundo a Pfizer, ela não receberá royalties sobre as vendas em países de baixa renda. Enquanto a Covid-19 permanecer classificada como Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a empresa também renunciará a royalties sobre as vendas em todos os países cobertos pelo acordo.

“A Pfizer continua empenhada em trazer descobertas científicas para ajudar a acabar com esta pandemia para todas as pessoas. Acreditamos que os tratamentos antivirais orais podem desempenhar um papel vital na redução da gravidade das infecções por Covid-19, diminuindo a pressão sobre os nossos sistemas de saúde e salvando vidas”, disse Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer.

Já Charles Gore, diretor executivo do MPP, reforçou os esforços globais para combater a pandemia do novo coronavírus. “Esta licença é tão importante porque, se autorizada ou aprovada, esta droga oral é particularmente adequada para países de baixa e média renda e pode desempenhar um papel crítico em salvar vidas, contribuindo para os esforços globais para combater a pandemia atual”, afirmou.

Sobre o medicamento

A divulgação dos resultados preliminares do estudo de fase 2/3 da Pfizer aconteceu no começo de novembro. A pílula desenvolvida pela farmacêutica teve eficácia de 89% na redução do risco de internação ou morte em pessoas com casos graves de Covid-19.

De acordo com a Pfizer, o Paxlovid, nome do antiviral, teve resultado positivo nos pacientes medicados três dias após o recebimento do diagnóstico positivo para o novo coronavírus. Os testes realizados pela farmacêutica mostraram a segurança da substância.

Edição: Vitor Fernandes

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