Zema rechaça lei de imunização e defende ‘vacinação por consciência’

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Governador também garantiu que estado está preparado para distribuir vacinas (Reprodução/Facebook + Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O governador Romeu Zema (Novo) afirmou, nesta quarta-feira (28), que não acredita que seja necessário implantar leis para a vacinação contra o novo coronavírus. Para Zema, a imunização deve ser de responsabilidade de cada cidadão, “por consciência” e não obrigatoriedade. Apesar disso, ele garante que o Governo de Minas está preparado para imunizar toda a população do estado tão logo uma vacina seja aprovada.

Em entrevista à BandNews TV, Zema comparou a vacinação a escovar os dentes e tomar banho. “Eu sou da opinião de que as pessoas devem se vacinar mais por consciência do que por obrigatoriedade. Não existe lei que obrigue as pessoas a tomar banho e escovar os dentes, mas quase todos fazem isso sem necessidade de lei”, disse.

O governador afirmou ainda que a não obrigatoriedade não deveria ser apenas para as vacinas, mas se estender também ao voto. Zema pontuou, contudo, que alguns casos exigem uma análise mais cuidadosa: “Algumas profissões, como motorista de ônibus e aeromoça, que estão em contato com as pessoas, se elas não forem vacinadas, podem estar expondo um grande número de pessoas a risco”.

Estado preparado

Apesar de não acreditar que a vacinação deva ser obrigatória, Zema garantiu que o governo já tem toda a estrutura necessária para iniciar a imunização, assim que for possível. “Se a vacina porventura chegasse na próxima semana, nós já temos todos os protocolos, toda a estrutura. Nós já estamos prontos para levar essas vacinas aos 853 municípios e aos 21 milhões de mineiros”, afirmou.

O governador afirmou ainda que o preparo do estado se deve à boa estrutura que a administração conseguiu manter “apesar da situação financeira caótica”. “É um dos estados que mais funciona bem e nós estamos tirando o máximo dessa estrutura. Talvez por isso é que nós temos hoje a menor taxa de óbito do Brasil”, disse.

Contato com o Ministério da Saúde

Na entrevista, Zema ainda pontuou que, apesar do preparo do Governo de Minas, a imunização é um assunto que concerne à administração federal. “Um estado imunizado ajuda um pouco a população, mas esse estado não tem uma fronteira com outro estado, ele não pode proibir o trânsito. Ele tem divisa, então o que vale é uma vacinação a nível nacional”, ressaltou.

Segundo Zema, as perspectivas são boas, já que o governo “tem mantido bastante contato” com o Ministério da Saúde. Mesmo sem um plano de imunização aprovado, o governador se mostrou otimista. “O Brasil já erradicou várias doenças no passado com vacina e a questão da Covid-19 será a próxima”.

O que diz o governo?

Procurado, o Governo de Minas afirmou, em nota, que tanto a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) como o Conass (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde) são vinculados ao Ministério da Saúde e que, por isso, “qualquer procedimento relativo à vacinação estará integrado ao Programa Nacional de Imunização, com o intuito de promover a imunização adequada”.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), assim como o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), é vinculada ao Ministério da Saúde. Neste sentido, toda decisão referente à vacinação, no país e nos estados, é tomada a partir de uma câmara tripartite que conta, ainda, com a participação do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde.  Qualquer procedimento relativo à vacinação estará integrado ao Programa Nacional de Imunização (PNI) com o intuito de promover imunização adequada à população brasileira, com todo o rigor, obedecendo aos critérios de eficácia e segurança preconizados pela Vigilância Sanitária.

Edição: Aline Diniz
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Editora do BHAZ desde julho de 2021 e repórter desde 2019. Graduada em jornalismo pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2021, além de figurar entre os finalistas do prêmio Sebrae de Jornalismo também em 2021.

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