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Dia da Consciência Negra: confira 10 obras da literatura infantil negra para formar crianças conscientes

20/11/2025 às 12h26
'Neguinha, sim!' (Reprodução/Bárbara Quintino)
'Neguinha, sim!' (Reprodução/Bárbara Quintino)

Dia 20 de novembro é tempo simbólico de celebrar a afro brasilidade. Desde 2023, é Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, que exalta a herança de uma ancestralidade que molda a nação que conhecemos. Por vezes renegada, a cultura preta vive e vibra nos rostos, cabelos e características da maior parte da população brasileira. Parte essencial do que somos, a tradição negra formou nossos modos, sociedade e, de maneira muito significativa, a nossa linguagem.

Palavras, fonemas e histórias guiam nosso modo de ver o mundo. Descritas em livros, as obras se tornam agentes que expressam o brado de quem veio antes de nós, suas características físicas e tom de pele. Para celebrar a importância do povo preto do Brasil, o BHAZ separou 10 livros de literatura negra infantil para formar crianças negras que se amam e se respeitam!

Meu Crespo É de Rainha, de bell hooks (Boitatá)
(Reprodução/Internet)

“Cachinhos, crespinhos, birotes, coquinhos. Ou quem sabe com turbante! Todas as meninas brincando livres!”, assim bell hooks celebra a beleza preta em ‘Meu Crespo É De Rainha’. Originalmente, a história, que é a primeira obra infantil da autora feminista negra e norte-americana, ganhou forma como poema rimado e ilustrado em 1999. O livro chegou ao Brasil em 2018 pela Boitatá, selo da editora Boitempo.

Entre desenhos de Chris Raschka, penteados e tranças viram protagonistas de um enredo que ensina crianças a gostarem do que veem no espelho. Como escrito na contracapa do livro pela empresária preta Ana Paula Xongani: “Com este livro em mãos, nossas crianças terão– muito mais cedo que as da minha geração– mais ferramentas para reverter o processo histórico de invisibilidade. Percebi afeto e estímulo em cada palavra! E isso é transformador, é mágico!”

jeremias- pele
(Reprodução/Internet)

A história em quadrinhos ‘Jeremias: Pele’ faz uma releitura ousada do primeiro personagem negro da obra de Maurício de Sousa. Lançada em 2018, a HQ conta a história de Jeremias, um garoto feliz, amado pela família e cheio de amigos, que encara, pela primeira vez, o preconceito contra a cor de pele em falas dos colegas de classe.

A trama é roteirizada por Rafael Calça e ilustrada por Jefferson Costa que, juntos, constroem um novo caminho para o menino. Tal percurso, levou o gibi a ser vencedor da categoria de melhor HQ no Prêmio Jabuti de 2019. ‘Jeremias: Pele’ é uma história sobre a dor e aprendizado que se transformam em função de sonhos. Pois, afinal, sonhar é mais importante que qualquer negatividade encontrada pelo caminho.

amoras emicida
(Reprodução/Barda Literária)

A primeira obra de literatura infantil do rapper Emicida leva o nome de ‘Amoras’. Ilustrado por Aldo Fabrini e lançado em 2018, o livro é inspirado na canção homônima do artista, presente em seu segundo álbum de estúdio ‘Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa’ (2015).

Pelo versos “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”, Emicida conta sobre uma conversa que teve debaixo de uma amoreira com sua filha. Assim, a obra discute, com a doçura da fruta, a diversidade, representatividade e importância de se amar.

amor de cabelo
(Reprodução/Galerinha)

‘Amor de Cabelo’, livro de Matthew A. Cherry, enaltece a beleza do cabelo afro e o cuidado familiar, tão importante na construção da própria identidade. A obra, lançada em 2020, é inspirada no curta-metragem vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação no mesmo ano.

Na história, Zuri, uma menina alegre, ama enrolar e realizar diferentes penteados no bonito e volumoso cabelo. Quem normalmente a ajuda nas mudanças é a mamãe, que, desta vez, está longe de casa. O papel de tratar dos cachos da garotinha fica, então, com o papai, que luta contra as dificuldades– e contra o pente– para realizar o desenho da criança em um dia especial.

a dança das memórias
(Reprodução/Editora UFMG)

‘A dança das memórias’ é uma viagem no tempo. Lançado no último dia 13 de novembro, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o livro se constrói através da busca por documentos de arquivo sobre Maria Gaivota, bisavó da filósofa Sueli Carneiro, nascida no século XIX.

A obra foi escrita por Ivana Parrela, historiadora e professora de arquivologia da UFMG; Bianca Santana, jornalista e biógrafa de Sueli; Cecília Santana, filha de Bianca; e Luanda Carneiro Jacoel, filha de Sueli Carneiro. As ilustrações são de Alessandra Alexandrino.

Na história, Bianca, Cecília, Sueli e Luanda partem para Grão Mogol, cidade natal de Maria Gaivota. Nas terras mineiras, as personagens encontram a professora Ivana que as ajuda a decifrar o passado da bisavó e da região. Em meio à viagem, a história reflete sobre a presença de mulheres negras nos arquivos brasileiros e o impacto da intelectualidade feminina.

o pequeno príncipe preto
(Reprodução/Internet)

Uma ode à ancestralidade, ‘O Pequeno Príncipe Preto’ ensina às crianças a amar e se orgulhar de onde elas vieram. Uma das obras mais expressivas da literatura negra infantil nos últimos anos, a história foi lançada em 2020 pelo escritor Rodrigo França e pela ilustradora Juliana Borges Pereira. O enredo é baseado em uma peça de teatro, de mesma autoria e direção do livro.

Ao longo das páginas, acompanhamos um garotinho que vive em um minúsculo planeta. Por lá, existe apenas uma árvore Baobá, a única companheira do menino, que tem como missão viajar por diferentes planetas, espalhando o amor e a empatia.

neguinha sim
(Reprodução/Companhia das Letrinhas)

Em ‘Neguinha, sim!’, obra de Renato Gama com ilustração de Bárbara Quintino, a música vira uma reflexão profunda para a infância. As páginas do livro são baseadas na canção de mesmo nome, escrita pelo autor e conhecida na voz da cantora Izzy Gordon.

Com os versos “Ele brilha com o Sol/ O meu cabelo faz um caracol/ E ele é belo em Paris, Dakar, São Luiz e Maceió” a obra celebra a beleza ancestral de garotinhas negras. Pequenos grandes artistas conferem, no final do livro, a partitura e a cifra da canção para vivê-la, assim, com toda a alegria.

(Reprodução/Sou Catarina)

Fruto de Minas Gerais, ‘Meu Cabelo Não É Pro Seu Governo’ foi lançado em 2019 pela escritora Monique Najara Aparecida Pacheco. No livro, as crianças acompanham Iza, uma garotinha que reinventa o olhar sobre si mesma a partir de uma situação desagradável.

De maneira lúdica, a obra discute o racismo na infância e a beleza negra de forma acessível ao público infantil. Segundo Monique, em publicação nas redes sociais, a história trabalha a identidade e autoestima de menina pretas e combate o preconceito. “Precisamos valorizar nossas origens, nossos traços, nossa negritude. Nosso cabelo é a nossa coroa, é honrar de onde viemos. Esse livro é para deixar uma marca no mundo, para que muitas crianças e jovens se sintam abraçados e empoderados.

descobrindo a minha história
(Reprodução/Internet)

Às margens do rio Omo, na Etiópia, no continente africano, acompanhamos Jaser, o líder destemido de seu povo, que conhece Asta, astuta garota que sonha em ganhar o mundo. Lançado em 2025 pelo autor e ator Lázaro Ramos, a obra nos coloca na pele de um avô e seus dois netos, que partem em uma viagem mágica, rumo a outro tempo e lugar.

As ilustrações feitas por Fernanda Rodrigues exploram a arte das pinturas corporais dos povos do rio Omo e traduzem a mensagem da importância de manter viva a herança de quem veio antes de nós.

enquanto o almoço não fica pronto
(Reprodução/Google Books)

‘Enquanto o almoço não fica pronto…’ quantas coisas podem acontecer? A obra de Sonia Rosa, com ilustração de Bruna Assis Brasil, joga luz ao cotidiano brasileiro. Lançado em 2020, o livro acompanha uma família negra. O papai prepara o almoço, o bebê faz pirraça, a vovó faz as tranças e a casa vira uma bagunça.

Nas pequenas situações do dia a dia, nos traços e cores da cultura popular do nosso país, as crianças aprendem os afetos e as belezas de situações corriqueiras.

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Tol Ramos

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi estagiária do caderno de cultura do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas. Repórter do BHAZ desde setembro de 2025.
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