Contratação de Marcinho divide torcedores do Bahia; jogador se envolveu em acidente com mortes em 2020

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Diversos torcedores protestaram contra a chegada do jogador ao clube baiano (Reprodução/YouTube/TV BAHÊA SMART AUDIUS)

Após anunciar a contratação do lateral-direito Marcinho, que já passou por Botafogo e Athletico, o Bahia lida com rejeição e aprovação de alguns setores da torcida. Em dezembro de 2020, quando jogava no clube carioca, Marcinho se envolveu em um acidente de trânsito que provocou a morte de um casal de professores e não prestou socorro às vítimas.

Atualmente, o atleta responde ao processo criminal sobre o crime ocorrido na Avenida Lúcio Costa, no Recreio, Rio de Janeiro. De acordo com o código penal, Marcinho ainda pode ser condenado à prisão pelo período de dois a quatro anos. Até o momento, ainda não há previsão de decisão da Justiça.

Diretor defende Marcinho

Durante entrevista ao quadro Papo Livre, da TV oficial do clube, o diretor de futebol Eduardo Freeland falou sobre a contratação do lateral. Os dois já trabalharam juntos na base do Botafogo.

“Em março, quando fui apresentado pelo presidente, ele entregou a chave do futebol pra mim e me deu essa grande responsabilidade em dirigir o futebol do clube. Essa responsabilidade me traz ter que tomar decisões importantes, e a contratação do Marcinho foi uma delas”, afirmou.

Em relação à convivência com o lateral, Eduardo teceu elogios e o defendeu: “Recebi ele e sua família quando ele tinha 15 para 16 anos e conheci muito bem o atleta, sua conduta, seu caráter, como também a família, que acompanhava a rotina do clube”. Ainda de acordo com Freeland, o jogador “sempre foi profissional nas suas condutas e muito dedicado”.

‘Pediu perdão’

Segundo o diretor de futebol, o Bahia está de acordo com a Justiça e se respalda com as cláusulas que protegem a instituição caso o atleta seja condenado. “Lamentavelmente se envolveu num acidente do qual ele já reconheceu seus erros, pediu perdão, e tem cumprido e cumprirá tudo que a Justiça determinar. Inclusive, o Bahia, obviamente, sempre respeitará as decisões judiciais”, disse Eduardo.

O contrato com o jogador se estende até o fim da Série B deste ano. “Enquanto a Justiça brasileira permitir que o atleta desenvolva o seu trabalho, o clube vai abrir as portas e dar essa oportunidade de ele voltar a trabalhar”, concluiu o diretor de futebol.

Eduardo Freeland, diretor de futebol do clube (Felipe Oliveira/EC Bahia)

‘Estou aqui para recomeçar’, diz Marcinho

O atleta de 26 anos não entra em campo para atuar em um jogo oficial desde fevereiro deste ano. “Sou muito grato ao clube pela oportunidade que está sendo dada a mim, poder voltar a trabalhar. É um momento muito importante na minha carreira”, agradeceu o jogador, que se disse arrependido de seu passado.

“Quanto aos momentos que vivi nos últimos anos, não foi nem um pouco feliz pra mim. São coisas que, se eu pudesse voltar atrás, com certeza teria feito totalmente diferente. Estou aqui para poder recomeçar. É um novo desafio para mim. É muito importante para mim estar voltando a trabalhar, a fazer o que eu amo, e espero poder contribuir muito para o nosso objetivo principal, que é o acesso”, completou o lateral.

Treino da equipe recebeu novas contratações, inclusive Ricardo Goulart, ex-atacante de Cruzeiro e Santos (Felipe Oliveira/EC Bahia)

Protestos da torcida

Junto ao restante do elenco, o jogador recém-contratado já participou do treino da equipe hoje (2) no CT Evaristo de Macedo, em Salvador. Nas redes sociais, porém, muitos torcedores se manifestaram contra o novo atleta do Bahia. Por outro lado, alguns se mostraram favoráveis à presença de Marcinho.

“Poderia e deveria ter parado e prestado socorro àquelas pessoas que tirou a vida. Mas preferiu fugir”, escreveu um coletivo de torcedoras do clube. “Errar é humano, todo mundo erra”, postou outra usuária. Leia alguns posicionamentos sobre a vinda de Marcinho:

Edição: Roberth Costa
Beatriz Kalil Otherobeatriz.othero@bhaz.com.br

Jornalista formada pela UFMG, é colaboradora do BHAZ desde 2020. Participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2021 e 2022, e pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil em 2020.

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