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De Maradona a Neymar: ídolos em Copas inspiram pais a nomear os filhos

14/07/2026 às 14h07
Craques como Romário, Maradona e Neymar inspiraram pais a nomearem seus filhos
Craques como Romário, Maradona e Neymar inspiraram pais a nomearem seus filhos (Reprodução/Arquivos pessoais/Arquivos pessoais/Neymar Jr)

Que o brasileiro é apaixonado por futebol, todo mundo sabe. Em época de Copa do Mundo, essa paixão fica ainda mais em evidência e, para muitas famílias, chega até a influenciar na escolha do nome dos filhos. De Maradona a Neymar, de acordo com dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), diversos ídolos do futebol inspiraram nomes de gerações de brasileiros.

Um dos maiores exemplos é Romário, o grande nome da conquista do tetracampeonato da seleção brasileira, na Copa do Mundo de 1994. Além de fazer história com a amarelinha, vestiu as camisas de três dos grandes clubes do Rio de Janeiro: Vasco, Flamengo e Fluminense, e também passou por Barcelona, da Espanha, e PSV, da Holanda.

O sucesso dentro de campo também inspirou os pais: mais de 32 mil brasileiros foram registrados com o nome do Baixinho entre 1990 e 1999. Antes disso, desde o primeiro registro, em 1940, até o Censo de 1980, eram pouco mais de 14 mil Romários registrados em mais de quatro décadas, o que revela como o nome ficou em alta com as centenas de gols do baixinho atrevido.

Boom de nascimentos de Romários no Brasil se dá na década de 1990, quando o Baixinho comanda o tetra do Brasil na Copa do Mundo (Fonte: IBGE)

Companheiro de ataque de Romário na campanha do tetra, Bebeto também entrou para a lista de nomes inspirados pelo futebol. Embalados pela histórica conquista nos Estados Unidos, 140 crianças foram nomeadas com o apelido do atacante. Porém, nos anos seguintes a popularidade caiu, e apenas 20 foram registrados na década de 2000 e nenhum nas seguintes.

Antes deles, quem encantava o país era Zico, ídolo histórico do Flamengo. Arthur Antunes Coimbra transformou seu apelido em uma marca reconhecida em todo o Brasil. Camisa 10 da Seleção nas Copas de 1982 e 1986, sob o comando de Telê Santana, Zico foi o símbolo de uma equipe lembrada até hoje pelo futebol ofensivo e envolvente, apesar de não conquistar o título mundial. A admiração foi tanta que 254 famílias escolheram o apelido do craque como nome para seus filhos.

Nos anos 1970, outro jogador que marcou época foi Rivelino, o dono da “patada atômica”. O meia brilhou por Corinthians e Fluminense e foi peça fundamental da seleção brasileira campeã do mundo em 1970 sob o comando em campo de Pelé. O auge de sua carreira ajudou com o crescimento do nome nos cartórios. O IBGE registra um pico de 3.368 pessoas chamadas Rivelino. Quase 70% das pessoas que levam o nome do craque no Brasil foram registradas naquela década e hoje já quase não nascem mais Rivelinos no Brasil. De 2010 a 2019, dados do último Censo, mostram que apenas 38 garotos foram registrados com o nome do ídolo.

Também integrante daquela seleção histórica, Gérson ficou conhecido como o “Canhotinha de Ouro”. Maestro do meio-campo brasileiro em 1970, o ex-jogador teve o nome eternizado não apenas pelo futebol, mas também pela popular “Lei de Gérson”, expressão usada para definir quem busca levar vantagem em qualquer situação. Nos registros, o impacto também foi grande mostram os Censos de 1970 e 1980. Apesar de ser um nome mais comum, quase a metade deles foi registrada no período em que o Canhotinha se destacava em campo.

Na geração mais recente, Neymar ocupa esse posto de inspiração. Sendo revelado pelo Santos e consagrado em clubes como Barcelona e Paris Saint-Germain, o camisa 10 da seleção disputou as Copas do Mundo de 2014, 2018, 2022 e 2026. Durante o auge de sua carreira, entre 2010 e 2019, 1.468 crianças foram registradas com o nome Neymar, mostram o Censo mais recente. O nome um tanto inusual havia sido dado a somente 84 crianças entre 2000 e 2009.

A influência dos craques também ultrapassa as fronteiras das rivalidades. Diego Maradona conquistou admiradores no país. Campeão mundial com a Argentina em 1986 e autor do histórico gol conhecido como “A mão de Deus”, na Copa de 1986, Diego (aí, sim, um nome bem mais usual) teve o auge de sua popularidade entre pais e mães nos anos 1980 e 1990, com quase 300 mil brasileiros ganhando o mesmo nome do craque no período em que ele se destacava com as camisas do Napoli e da seleção argentina.

Uma década antes de Maradona brilhar nos gramados, os Diegos registrados no Brasil eram pouco mais de 4 mil. Nos anos 2000, passada a carreira do ídolo, os registros caíram para menos da metade do que havia sido atingido no pico na década anterior.

Fernando Martins Y Miguel, de 47 anos, jornalista esportivo, é um dos fãs de Diego Maradona no Brasil. A admiração começou durante uma partida entre Argentina e Noruega, quando, aos 8 anos, ficou impressionado com um drible do craque argentino antes de marcar um gol. Anos depois, já como setorista da seleção argentina, teve a oportunidade de conhecer o ídolo pessoalmente e contou que, se tivesse um filho, ele se chamaria Diego, em sua homenagem.

Quando se casou e a esposa engravidou, Fernando fez questão de cumprir a promessa. Ao reencontrar Maradona, revelou a escolha do nome. “Eu entrei na frente dele, minha mulher estava grávida na época, e falei, meu filho vai chamar Diego por sua causa. Sou seu fã desde pequeno’. Ele sorriu para mim e deu dois tapinhas no meu rosto”, relembra.

Além de Maradona, outro craque argentino também conquistou os brasileiros: Juan Román Riquelme. Ídolo do Boca Juniors, o meia foi tricampeão da Copa Libertadores, levantando a taça em 2000, 2001 e 2007. Embora tenha ficado conhecido pelo sobrenome, Riquelme também virou nome de bebês no Brasil. Entre os anos 2000 e 2019, foram registrados 22.664 brasileiros com o sobrenome de Juan Román. Para se ter ideia, até o fim da década de 90, eram apenas 364 registros.

A relação entre futebol e registro de nomes não é novidade, a cada geração, novos ídolos surgem e passam a fazer parte da vida dos brasileiros dentro e fora dos gramados. E aí, com o Brasil sem destaque nesta Copa do Mundo, quem serão os ídolos homenageados pelos pais? Yamal? Haaland? Mbappé ou mesmo Vinícius?

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence

Isadora Vianna

Email: [email protected]

Estagiária do BHAZ

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