Jornalista da Galo TV reage a assédio em jogo do clube no Mineirão e desabafa

galo assédio mineirão
O caso ocorreu durante o empate do Galo por 2 a 2 contra o Palmeiras na Libertadores (Bruno Sousa/Atlético)

A jornalista Kika Branco, que trabalha na Galo TV, veículo de comunicação audiovisual do Atlético, relatou ter sofrido assédio durante o jogo de quarta-feira (3) contra o Palmeiras, no Mineirão.

Em publicação no perfil que mantém no Twitter, a repórter desabafou que um torcedor a agarrou pela cintura, sem o seu consentimento, e que ela reagiu ao assédio.

O BHAZ procurou o Mineirão e o Atlético. Em nota [leia íntegra abaixo], o estádio comunicou que “lamenta e repudia qualquer caso de importunação sexual que aconteça dentro de seus limites” e afirma que já entrou em contato com a vítima.

O comunicado também destaca que o estádio promove “campanhas de conscientização e intensifica o trabalho de atendimento, acolhimento, encaminhamento e acompanhamento de vítimas”.

Já o clube alvinegro informou ter tomado conhecimento do caso por meio da postagem da jornalista, no Twitter, e pediu mais segurança às torcedoras no estádio.

Assédio

Horas após o ocorrido, na manhã de ontem (4), Kika Branco resolveu falar sobre a situação publicamente em seu Twitter, e o relato repercute na rede social.

“Um cara gesticulou como se eu tivesse deixado cair algo. Era nada. Depois apontou outra vez e caminhou na minha direção. Quando me virei pra ver o que era, ele me pegou pela cintura, de forma maldosa”, iniciou.

Logo em seguida, a repórter reagiu ao assédio: “Aí, eu peguei a cerveja que ele segurava e explodi na cara dele”. Kika ainda repreendeu o homem, disse para ele não encostar a mão nela e ir embora. “Ficou barato. Sorte dele que eu queria ver o segundo tempo do jogo”, continuou a jornalista em seu relato.

Por fim, ela contou que recebeu apoio de uma funcionária do local. “Em seguida, a faxineira do estádio chegou e viu a bagunça no chão. Fiz questão de explicar o motivo e pedir desculpas. Ela limpou feliz e disse: ‘fez muito bem'”, concluiu Kika Branco.

Nota do Atlético

Em contato com o BHAZ, o Atlético, clube onde a jornalista atua profissionalmente, afirmou que ela não foi ao estádio para trabalhar. Confira o posicionamento do Galo:

A Kika estava no estádio na condição de torcedora e o Clube ficou sabendo do ocorrido por meio da postagem feita por ela no Twitter. Por óbvio, o Galo condena práticas como essa e faz coro, junto às torcedoras, por mais segurança no estádio.

Nota do Mineirão

O Mineirão lamenta e repudia qualquer caso de importunação sexual que aconteça dentro de seus limites. O Mineirão teve conhecimento do caso relatado na partida entre Atlético e Palmeiras, na quarta-feira (3), fez contato com a vítima e, desde já, se coloca à disposição das autoridades policiais para a apuração dos fatos.

O Gigante da Pampulha lembra que realiza campanhas de conscientização e intensifica o trabalho de atendimento, acolhimento, encaminhamento e acompanhamento de vítimas de importunação sexual.

A iniciativa Todos Contra a Importunação Sexual, lançada no ano passado, tem o apoio dos clubes e de órgão públicos municipais e estaduais.

O Mineirão tem ainda um canal de denúncias por Whatsapp, com cartazes de QR Codes espalhados pelo estádio, com o intuito de agilizar o atendimento e colaborar com a apuração dos fatos junto aos órgãos de segurança.

O Mineirão ressalta que é importante que denúncias aconteçam para que os responsáveis sejam punidos.

Reincidência em jogos do Galo

Desde a volta das torcidas aos estádios, em 2021, os casos de importunação sexual e injúria racial tomaram o noticiário em jogos do Atlético no Mineirão.

Para se ter uma ideia, em novembro do ano passado, houve pelo menos uma queixa do tipo registrada na Polícia Militar em cada partida disputada no Gigante da Pampulha.

Na época, foram oito casos e nove vítimas. Além disso, vale lembrar que o alto índice também provocou o aumento da frequência de campanhas de conscientização sobre o problema (relembre aqui).

Importunação sexual

Importunação sexual se tornou crime em 2018 e é caracterizado pela realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem sua anuência.

Alguns dos casos mais comuns desse tipo de assédio acontecem em meios de transporte coletivo, como ônibus e metrô, ou também nos estádios de futebol.

Antes, a importunação sexual era considerada apenas uma contravenção penal, com pena de multa. Agora, quem praticá-lo poderá pegar de um a 5 anos de prisão.

Beatriz Kalil Otherobeatriz.othero@bhaz.com.br

Jornalista formada pela UFMG, é colaboradora do BHAZ desde 2020. Participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2021 e 2022, e pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil em 2020.

Comentários