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Um ano sem Lô Borges: fãs do Clube da Esquina celebram legado do músico

02/11/2026 às 18h55
lô borges homenagem esquina bh
Laís Marques/BHAZ

Um ano após a morte de Lô Borges, fãs se reuniram nesta segunda-feira (2) na tradicional esquina entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, em BH, para celebrar o legado do cantor e compositor mineiro. A homenagem também contou com a participação de familiares e amigos de Lô, além de músicos ligados ao Clube da Esquina.

Os fãs aproveitaram para destacar a importância de Lô para a música e a cultura mineira. “Estou aqui nesta esquina bonita, celebrando essa memória afetiva, porque quem é de Minas Gerais, é Lô Borges. Ele tem feito muita falta pra gente”, disse uma admiradora do cantor. “A gente está falando do cara que criou o oitavo álbum mais apreciado da música mundial, então a data de hoje precisa ser celebrada”, relembrou outro.

Veja o vídeo:

Uma esquina que virou ponto de encontro

O cruzamento de Santa Tereza se transformou no principal ponto de memória de Lô desde o dia seguinte à sua morte. No dia seguinte à morte do músico, uma pequena multidão ocupou a esquina para a “Cantoria a Lô Borges”, uma homenagem que nasceu de um grupo de WhatsApp criado às pressas por artistas e fãs. Teve tenda, projeção da imagem do cantor, flores, velas e um repertório inteiro de clássicos cantado em coro. Toninho Horta e Marilton Borges estavam lá.

De lá para cá, o local voltou a receber tributos. Em 10 de janeiro deste ano, quando Lô completaria 74 anos, uma jam session com músicos que tocaram com ele, como Gabriel Guedes, Tadeu Franco, Tiago Araújo e o irmão Nico Borges, ocupou o mesmo cruzamento, numa edição especial do projeto “Na esquina do Clube”.

O encontro de agora também acontece poucos dias depois de a esquina amanhecer pichada com tinta vermelha. O memorial do Clube da Esquina foi vandalizado na sexta-feira (23/10), a três dias do aniversário de 84 anos de Milton Nascimento, e a Polícia Militar foi acionada.

Onde tudo começou

Foi justamente ali que a história do Clube da Esquina começou. Nos anos 1960, o adolescente Salomão Borges Filho, o Lô, se encontrava com os amigos do bairro no cruzamento para tocar violão e conversar sobre Beatles e bossa nova. A família Borges morava na Rua Divinópolis, numa casa que ainda está de pé e segue pertencendo à família. Por ela passaram nomes como Milton Nascimento, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Flávio Venturini e Beto Guedes.

O ponto de encontro inspirou o irmão Márcio Borges a escrever os versos de “Clube da Esquina”, parceria com Milton, e acabou batizando o disco lançado pelos dois em 1972, considerado um dos álbuns mais importantes da música brasileira. No mesmo ano, Lô lançou seu primeiro álbum solo, o famoso “disco do tênis”.

Sexto dos 11 filhos do jornalista Salomão Borges e da professora Maria Fragoso Borges, a Dona Maricota, Lô nasceu em Belo Horizonte em 10 de janeiro de 1952 e passou boa parte da vida em Santa Tereza. Autor de clássicos como “O Trem Azul”, “Para Lennon e McCartney”, “Paisagem da Janela” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, seguiu produtivo até o fim: lançou um disco de inéditas por ano entre 2019 e 2024 e, em agosto de 2025, chegou às plataformas “Céu de Giz”, parceria com Zeca Baleiro, seu último trabalho.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Vinícius Sampaio

Email: vinicius.sampaio@bhaz.com.br

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Laís Marques

Repórter do BHAZ

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