“Estamos no páreo para sermos os escolhidos”. A declaração do cineasta belo-horizontino Gabriel Martins, diretor do premiado ‘Marte Um’ (2022), resume a expectativa em torno de seu novo filme, ‘Vicentina Pede Desculpas’, apontado como um dos principais nomes para representar o Brasil na corrida do Oscar 2027. O longa, que terá estreia internacional no Festival de Toronto, em setembro deste ano, é produzido pela Filmes de Plástico em parceria com a Netflix, e tem Rejane Faria, Maíra Azevedo, Renato Novaes, Karine Teles, Giovanna Heliodoro, Thalma de Freitas e Grace Passô no elenco e rodado em BH.
Durante bate-papo sobre o curta ‘Nada’ (2017), exibido na Quinta Arte, parte das comemorações dos 171 anos do Barreiro, em BH, Gabriel Martins comentou que a aproximação com a Netflix não ocorreu por acaso. De acordo com o diretor, a plataforma procurou por ele após o grande reconhecimento internacional que conseguiu com ‘Marte Um’.
“Esse projeto com a Netflix, o Vicentina, nasceu única e exclusivamente do sucesso do ‘Marte Um'”, revelou. “‘Marte Um’ meio que abriu essa reunião com a Netflix. Eles queriam saber o que era a próxima coisa que eu iria fazer. E a gente apresentou alguns projetos, dentre eles o Vicentina, e foi o que eles quiseram fazer”, comentou.
Segundo ele, essa aliança comercial garantiu que produção tivesse um fôlego financeiro, permitindo que o filme fosse feito em menor tempo do que o anterior, apesar do cenário enfrentado pelo audiovisual mineiro. “Eu acho verbas muito escassas para o que a nossa produção vem se tornando”, afirmou Gabriel. “Infelizmente a gente ainda não tem recursos que estejam sendo condizentes com a mão de obra que a gente tem formado por aqui”, completou.
O diretor destacou que o acesso ao capital privado de grandes corporações como Netflix, Amazon e Globo Filmes pode ocorrer de diferentes formas, mas ainda é uma realidade distante para a maioria dos produtores da Grande BH. No caso de ‘Vicentina Pede Desculpas’, a parceria garantiu que o longa fosse rodado em 2024 com verba direta fornecida pela plataforma, contornando a necessidade de editais de fomento público.
“Eu francamente não acho que é sempre muito acessível para produções independentes. Mesmo para a gente [Filmes de Plástico], que tem um nome construído, não necessariamente a gente consegue acessar”, disse o diretor.
“Contemplar a cidade”
Mesmo com o investimento e estrutura de produção da Netflix, Gabriel Martins não abriu mão da essência que consolidou a identidade dele nas telonas: o olhar atento às periferias e à geografia urbana da Região Metropolitana de Belo Horizonte. No novo longa, a narrativa aproveita a jornada de Vicentina (Rejane Faria) para desbravar a capital mineira, com cenas gravadas, inclusive, na região do Barreiro.
“No caso específico [de Vicentina], teve a ver com a história. A personagem visita várias casas em lugares diferentes. A gente realmente pensava em contemplar a cidade de uma maneira mais ampla”, explicou Gabriel, enfatizando que a escolha das locações também foca na poesia das ruas. “Às vezes tem menos a ver com ser especificamente um bairro, mas uma rua específica que esse bairro tem, um jeito de filmar que me permite ver a paisagem de uma certa forma. E no caso, a Vila [Pinho] foi isso”
Expectativas para o Oscar 2027
Com a grande visibilidade que traz o catálogo de uma das maiores plataformas de streaming do mundo, além da estreia no prestigiado Festival de Toronto, o nome de Gabriel Martins volta a circular nos bastidores do cinema nacional. Para o diretor, a experiência acumulada com ‘Marte um’ trouxe a maturidade necessária para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.
“Eu acho que, como outros filmes que estão rodando esse ano, claro, estamos no páreo para sermos os escolhidos”, afirmou o diretor. “Dessa vez a gente vem com mais apoio, que é uma produção nossa com a Netflix. A gente torce muito para que isso dê certo (…) E se esse convite, se essa seleção vier, a gente vai estar pronto para responder ao chamado”, finalizou.
Sinopse de Vicentina Pede Desculpas
Numa manhã ensolarada em Belo Horizonte, um ônibus lotado segue para o centro da cidade. Ao cruzar um viaduto, o veículo repentinamente desvia, sai da pista e cai na avenida abaixo. Um passageiro fica gravemente ferido, enquanto todos os outros — incluindo Wesley, o motorista — morrem. A tragédia domina os noticiários de televisão e as manchetes dos jornais em todo o país. As câmeras de segurança do ônibus e da via registram o momento do acidente e, após a análise das imagens, começam a circular especulações de que o motorista poderia ter agido intencionalmente, num aparente suicídio. Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos e mãe de Wesley, fica devastada com a tragédia e sem saber como seguir em frente. Ela decide procurar as famílias das vítimas e pedir desculpas. O caminho à sua frente se mostra difícil, e as respostas que Vicentina tanto busca nem sempre são as que ela encontra.













