O Hospital Belo Horizonte, com mais de 56 anos de atuação na rede suplementar de saúde, localizado no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste de BH, corre o risco de fechar as portas. Na próxima segunda-feira (10), a instituição passará por uma assembleia geral para votar a aprovação ou rejeição do plano de recuperação judicial da empresa. Caso os credores não aceitem a proposta, a instituição terá que decretar falência e o encerramento das atividades.
De acordo com o administrador do Hospital Belo Horizonte, Ângelo Deus, o hospital sempre teve como prioridade atender a jornada do paciente, oferecendo estrutura completa com maternidade, Centro de Terapia Intensiva (CTI) neonatal e adulto, ambulatórios e consultórios para exames. No entanto, no decorrer dos anos, o hospital passou por alguns desafios econômicos, financeiros e acabou, não diferente de muitas empresas no Brasil, tendo desafios em relação a débitos”, explicou.
Diante do agravamento da crise no final de 2024, a administração optou pela recuperação judicial, deferida pela Justiça em fevereiro de 2025. Para ele, a medida não é vista como o fim da linha, mas como uma oportunidade de reestruturação. “Você reavalia os seus débitos com seus credores e estrutura um plano para que seja possível buscar a continuidade dos atendimentos”, comentou.
Desde então, segundo ele, a instituição seguiu todos os trâmites legais, bem como implementou diversas iniciativas para dar prosseguir com as atividades. Contudo, Ângelo destacou que “de fato, é uma coisa que fica na mão dos credores, não é uma decisão do hospital especificamente”, disse. Conforme o administrador, se o plano não for aprovado, o Hospital de Belo Horizonte terá as atividades encerradas. “A única situação que existe é: o hospital segue para falência”, alertou.
Para tentar obter um voto de confiança, Ângelo disse que a administração deve apresentar novas propostas durante a assembleia. “Estamos apostando muito na apresentação desses fatos novos para que a gente possa trazer o entendimento dos credores”, explicou. “Mas a gente precisa, de fato, que os credores aceitem essas novas iniciativas, o novo plano, para que a gente consiga dar seguimento na implantação ou continuidade da implantação de algumas coisas que já estão sendo definidas”, completou.
Impactos do fechamento do Hospital Belo Horizonte
De acordo com Ângelo, a relevância do Hospital Belo Horizonte é expressiva. Segundo ele, a instituição realizou cerca de 410 mil atendimentos nos últimos 12 meses, registrando mensalmente mais de mil cirurgias, 5 mil atendimentos no pronto-socorro e 600 internações.
O administrador destacou que o fechamento do hospital pode deixar um vazio assistencial no Vetor Norte de BH, uma vez que 69% dos atendimentos são voltados para moradores dessa região. “Não existe um hospital privado naquela região, o que acomete ali são hospitais públicos, como o Odilon Behrens e o próprio Risoleta Neves”, comentou.
Somente na última quinta-feira (6), o hospital contava com 10 pacientes na CTI adulta, 6 crianças na CTI neonatal/pediátrica e mais de 30 pacientes crônicos de longa permanência. Além disso, a instituição também realizou cerca de 25 cirurgias.
Márcia Merlo, de 48 anos, foi uma das atendidas pelo Hospital de Belo Horizonte nesse período. Ela descobriu uma trombose arterial em 2024 e precisou ficar internada 99 dias na instituição. A empresária disse que o local foi fundamental para que conseguisse se recuperar da amputação de uma das pernas. “O hospital é uma referência, ele faz parte da minha história, porque foi lá que eu reaprendi a andar, que eu voltei a viver novamente, que eu busquei forças, tive conforto, tive acolhimento, tive pessoas que me incentivaram a não desistir do processo de amputação”, comentou.
Comércio
Ângelo também destacou que o fechamento do hospital pode impactar o comércio da região. “Ontem o comércio da região, ali tem farmácia, padaria, restaurantes, nos procurou. Falaram: ‘cara, nós temos que ir na imprensa. Se o hospital fechar, fecha todo mundo'”, relatou o administrador.
Esse é o caso de Daniel Vieira, proprietário da Padaria Granviver. “Só do P.A. estar fechado nesse momento, e funcionando a cirurgia, funcionando algumas coisas, o faturamento já caiu em média de 25% a 30% por dia”, contou. De acordo com ele, outros comerciantes da região também comentaram que houve uma queda no faturamento. “Acredito que é difícil o comércio sobreviver aqui, porque ele é quem alimenta o comércio da região, é o estabilizante”, refletiu.












