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Avião com paraquedas: entenda como funciona aeronave que caiu na Grande BH nesta segunda

25/08/2026 às 13h35
Entenda como funciona o avião com paraquedas que caiu em Mateus Leme
Avião pegou fogo antes de cair em Mateus Leme (Fotos: Reprodução)

O avião que caiu nesta terça-feira (25) em uma área de mata de Mateus Leme, na Região Metropolitana de BH, é popularmente conhecido como “avião com paraquedas”. O modelo é o mesmo que precisou fazer um pouso forçado em Sabará em 2023. Nos dois casos, o sistema de paraquedas instalado no avião foi acionado para ajudar na descida até o solo.

Conhecido como CAPS (Cirrus Airframe Parachute System), o equipamento funciona como uma espécie de paraquedas de emergência para toda a aeronave. Quando acionado, ele reduz a velocidade da queda e permite que o avião desça de maneira mais controlada, aumentando as chances de sobrevivência de quem está a bordo.

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Em Mateus Leme, o piloto acionou o dispositivo depois que o avião apresentou uma pane, seguida de uma pequena explosão e de um princípio de incêndio durante o voo. O monomotor caiu em uma área de mata e o piloto, de 29 anos, que era o único ocupante, conseguiu sair da aeronave. Ele estava consciente e orientado e teve apenas lesões leves.

O especialista em Segurança de Voo e Direito Aeronáutico, Hilton Rayou, contou ao BHAZ que nesse modelo de aeronave, o piloto não se ejeta, ou seja, não é arremessado da aeronve, ele permanece no avião.

“Quando o CAPS ele é acionado numa situação de emergência, tanto piloto quanto passageiros, eles permanecem dentro da cabine. O sistema balístico extrai o paraquedas e após a abertura a aeronave ela passa a descer sustentada pelo velame”, afirmou Hilton Rayou.

Como funciona o paraquedas do avião

O sistema começa a ser acionado por uma alça em formato de “T”, instalada no teto da cabine e de fácil alcance para quem está a bordo. Ao ser puxada, ela aciona um mecanismo ligado ao paraquedas, que fica armazenado na parte traseira da aeronave.

Um dispositivo chamado atuador faz a ligação entre o comando e o sistema responsável por disparar o paraquedas. Depois de aberto, cabos prendem o equipamento à estrutura do avião e sustentam a aeronave durante a descida.

Além do paraquedas, o modelo conta com outros recursos pensados para reduzir os efeitos de um impacto. O trem de pouso ajuda a absorver parte da força da queda, enquanto os bancos têm uma estrutura projetada para proteger a coluna dos ocupantes. Os cintos também possuem airbags, que ajudam a diminuir o risco de ferimentos em uma colisão.

O dispositivo pode ser usado em situações de emergência, como perda de controle da aeronave, falha de motor, colisões durante o voo ou outras situações em que o piloto não consiga realizar um pouso convencional. Hilton afirma que o sistema não pode ser tratado como “invulnerável” , ainda quando se trata de um incêndio.

“Na condição de um incêndio, por exemplo, é sempre uma condição extremamente crítica porque pode comprometer estrutura, comandos, sistemas e eventualmente os próprios componentes utilizados pelo CAPS”, afirma o especialista.

O modelo SR22 é fabricado pela Cirrus Aircraft, nos Estados Unidos. Trata-se de um avião monomotor a pistão, com capacidade para um piloto e três passageiros e autonomia de aproximadamente 2 mil quilômetros. O sistema de paraquedas é um dos principais diferenciais da aeronave.

Avião em chamas usou paraquedas em Mateus Leme

A ocorrência desta terça-feira (25) começou por volta das 7h53, quando o Corpo de Bombeiros recebeu o chamado para atender a queda de um avião em uma área rural de Mateus Leme. A aeronave, um Cirrus SR22 de prefixo PR-VMI, havia decolado do Aeroporto da Pampulha por volta das 7h45 e seguia em um voo intermunicipal para uma possível manutenção.

Durante o trajeto, houve uma pane, seguida de uma pequena explosão e de um princípio de incêndio. O piloto, identificado como Gustavo Couto, de 29 anos, acionou o paraquedas balístico e conseguiu realizar um pouso de emergência. A fumaça vista durante a queda estava relacionada ao próprio funcionamento do equipamento.

Apesar do susto, Gustavo conseguiu sair da aeronave e foi retirado com segurança por pessoas que estavam próximas. Segundo os Bombeiros, ele não relatou ter sofrido um impacto forte e não apresentava dores ou escoriações importantes. Depois, foi levado de helicóptero para o Hospital João XXIII.

De acordo com a mãe do piloto, ele está bem, estável e em observação. O piloto faz uso de uma máscara de oxigênio, pois inalou bastante fumaça durante a queda.

Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), com sede no Rio de Janeiro (RJ), foram acionados para apurar as causas do acidente.

Outro caso na Grande BH

Em 2023, um outro avião do mesmo modelo também precisou recorrer ao sistema de emergência, com uso de paraquedas. Na ocasião, o piloto fazia um voo quando uma provável pane obrigou a realização de um pouso forçado na estrada do Gaia, entre Sabará e Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Seis pessoas estavam a bordo, entre elas uma criança de três anos e um bebê recém-nascido. O paraquedas foi acionado e fez com que a aeronave chegasse ao chão de maneira mais lenta.

Quando os bombeiros chegaram, os quatro adultos e as duas crianças já estavam fora do avião. Todos foram avaliados no local e não precisaram de atendimento médico.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

Fábio Galdino

Email: fabio.galdino@bhaz.com.br

Jornalista

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