A coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU) de Contagem, Ângela Gomes, afirma que sofreu racismo ao entrar no Big Shopping, na cidade da Grande BH. Ângela conta que faz atividades físicas em uma academia do shopping há cerca de oito meses, mas nessa quinta-feira (9), ao entrar no local, foi seguida e abordada por seguranças do centro de compras. “Fui abordada de forma agressiva, de forma brusca, perguntando onde eu iria”, disse Ângela. Em nota ao BHAZ, o Big Shopping diz “que lamenta o desconforto relatado, que a abordagem decorreu exclusivamente do procedimento padrão e que, após a verificação interna dos fatos, não identificou qualquer conduta discriminatória por parte de seu colaborador”. (leia íntegra abaixo)
A coordenadora relata que chegou a ser impedida de entrar no shopping e que outras duas alunas brancas que também entraram no mesmo instante que ela, não passaram por nenhum tipo de abordagem. A vítima também perguntou às demais alunas da aula de zumba, da qual ela participaria, e nenhuma outra passou pelo mesma abordagem.
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Após a abordagem, Ângela decidiu registrar um boletim de ocorrência, notificou o Big Shopping e procurou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para relatar o caso de racismo. Ela estava acompanhada do superintendente de Políticas para a Promoção de Igualdade Racial de Contagem, João Pio, e outros movimentos da cidade ligados ao povo negro. “Nós viemos aqui acompanhar a Ângela Gomes pro registro aqui, no Ministério Público, pro encaminhamento da questão criminal; e dizer que é importante, o racismo precisa ser denunciado, precisa ter registro, a gente não pode abrir mão do direito e defender sempre a dignidade humana e dizer que o racismo é crime. Vamos em frente, acompanhar a situação, pra gente ter um resultado de averiguação, de verificação do caso, pra ação criminal”, disse o representante da Prefeitura de Contagem.
Ângela também reforçou que o ambiente onde a abordagem aconteceu deveria ser mais seguro para todos. “Racismo é crime e os shoppings são locais de comércio, de mercadorias, e não podem ser o local de reprodução da mercadoria criminosa que é o racismo”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
Veja o vídeo da denúncia de racismo:
Denúncia de racismo em shopping será acompanhada pela Prefeitura de Contagem
Em nota, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que continuará acompanhando o caso por meio da Superintendência de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial. Segundo a pasta, além do registro institucional da ocorrência, será mantido contato permanente com a vítima e articulação com os demais órgãos competentes para garantir os encaminhamentos necessários, incluindo atendimento psicológico e jurídico, quando necessário.
O caso também será acompanhado pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. A secretaria acrescentou que, em todas as denúncias de racismo que chegam ao órgão, as vítimas recebem acolhimento por meio de escuta qualificada, orientação para registro de boletim de ocorrência e denúncia no Disque 100, além de acompanhamento junto ao Ministério Público e suporte durante o encaminhamento do caso às autoridades competentes.
Em nota ao BHAZ, o Big Shopping diz “que lamenta o desconforto relatado t e esclarece que a abordagem realizada por sua equipe de segurança decorreu exclusivamente do procedimento padrão de controle de acesso e que, após a verificação interna dos fatos, incluindo a análise das imagens e dos relatos de testemunhas, não identificou qualquer conduta discriminatória por parte de seu colaborador. (leia íntegra abaixo)
Nota na íntegra
“O Big Shopping lamenta o desconforto relatado por uma cliente da academia Smart Fit e esclarece que a abordagem realizada por sua equipe de segurança decorreu exclusivamente do procedimento padrão de controle de acesso adotado pelo empreendimento antes da abertura das portarias ao público.
Diariamente, até as 10h, o acesso ao Shopping ocorre por meio de portaria com controle de entrada, sendo atribuição do vigilante responsável realizar a verificação das pessoas que acessam o empreendimento nesse período, a fim de confirmar seu destino e autorizar o ingresso. Trata-se de procedimento de segurança rotineiro, impessoal e indispensável à proteção de clientes, colaboradores, lojistas e do patrimônio.
Após a verificação interna dos fatos, incluindo a análise das imagens e dos relatos de testemunhas, o Big Shopping não identificou qualquer conduta discriminatória por parte de seu colaborador. A abordagem ocorreu de forma compatível com o protocolo de segurança adotado pelo empreendimento.
O Big Shopping repudia toda e qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso, ao longo de seus 31 anos de atuação, com o respeito às pessoas, a inclusão, a segurança e a excelência no atendimento de todos os seus clientes, frequentadores, lojistas e colaboradores.
O empreendimento permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.”









