Covid: Minas pede autorização da Anvisa para importar vacina Sputnik

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Sputnik V é a vacina russa contra a Covid-19 (Bruno Santos/Folhapress)

O Governo de Minas anunciou, nesta sexta-feira (25), que solicitou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorização para importação excepcional de doses da Sputnik, vacina contra a Covid-19 produzida na Rússia. De acordo com o Executivo estadual, as negociações comerciais já estão avançadas com o Fundo Soberano Russo para a compra dos imunizantes, e o objetivo é garantir a vacinação dos mineiros o mais rápido possível.

“Encaminhamos à Anvisa o pedido de autorização para a importação extraordinária da vacina russa, a Sputnik. Caso esta autorização seja emitida, o Governo de Minas já está negociando com o Fundo Soberano Russo, em estágio avançado, a aquisição de doses que vão possibilitar a imunização muito mais rápida de toda a população do estado. Seguimos trabalhando de forma incansável, com todas as possibilidades que existem no mundo para que o mineiro seja imunizado o quanto antes, estamos fazendo tudo o que é possível”, afirmou o governador Romeu Zema (Novo).

A negociação leva em consideração diversos pontos, como prazo estabelecido para entrega. Segundo o governo estadual, a expectativa é de que, caso a Anvisa aprove a importação, sejam adquiridas inicialmente 200 mil doses do imunizante. O quantitativo é referente à 1% da população mineira, o máximo permitido pela agência.

Os ajustes finais para aquisição das vacinas foram debatidos em reunião emergencial, por videoconferência, na manhã de hoje, pelo governador com os secretários de estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti; de Planejamento e Gestão, Luisa Barreto; Geral, Mateus Simões; e o advogado-geral do estado, Sérgio Pessoa.

Autorização da Anvisa

A Anvisa autorizou, na semana passada, a importação excepcional da vacina Sputnik V pelos estados do Rio Grande do Norte, de Mato Grosso, Rondônia, do Pará, Amapá, da Paraíba e de Goiás. A importação deverá ser realizada sob condições controladas.

As principais condições preveem que a vacina deverá ser utilizada apenas na imunização de indivíduos adultos saudáveis e que todos os lotes dos imunizantes importados somente poderão ser destinados ao uso após liberação pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

Além disso, a Anvisa receberá relatórios periódicos de avaliação benefício-risco da vacina; o imunizante deverá ser utilizado em condições controladas com condução de estudo de efetividade, com delineamento acordado com a agência e executado conforme Boas Práticas Clínicas; a Anvisa poderá, a qualquer momento, suspender a importação, distribuição e uso das vacinas importadas; dentre outros aspectos destacados no voto do relator.

Na deliberação, também foram autorizados quantitativos reduzidos de doses a serem importadas para vacinação de 1% da população de cada um dos estados, o que permitirá o adequado monitoramento e ação imediata da agência, caso necessário.

Eficácia da vacina

O imunizante russo teve 91,6% de eficácia em um estudo com cerca de 20 mil participantes. Desses, houve 16 contaminados que desenvolveram a Covid-19 no grupo vacinado e 62, entre aqueles que tomaram placebo. Segundo a Lancet, uma análise de 2 mil voluntários que tinham mais de 60 anos no estudo mostrou uma eficácia semelhante do fármaco, dado importante porque se trata do grupo que concentra a mortalidade da doença.

Não houve relato de efeitos adversos na aplicação das duas doses da vacina além de desconforto no ponto da injeção e sintomas gripais, como febre e baixa energia (veja mais aqui).

PBH desistiu da compra

Em março, a PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) tinha anunciado a compra de 4 milhões de doses da vacina Sputnik. O prefeito da capital, Alexandre Kalil (PSD), disse que a negociação pelas doses aconteceu juntamente ao senador Antônio Anastasia (PSD). 

Este mês, porém, mesmo após autorização da Anvisa para alguns estados, a administração municipal comunicou que desistiu de comprar doses da vacina russa sob as condições propostas. De acordo com a prefeitura, o fundo informou que só poderia disponibilizar qualquer quantidade da vacina a partir de setembro.

“O fundo ainda exigia pagamento antecipado de 50% do valor sem garantias de entrega, ficando sob responsabilidade da PBH todo o custo do transporte da Rússia para o Brasil”, justificou o Executivo Municipal, por meio de nota (veja nota na íntegra aqui). “Por esse motivo as negociações não progrediram. A prefeitura segue em busca de alguma proposta com entrega mais rápida e garantias de entrega”, completou a PBH.

Com Agência Minas

Edição: Giovanna Fávero

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