Minas Gerais pode enfrentar impactos severos durante o período de influência do Super El Niño, com possibilidade de chuvas muito intensas em algumas regiões e intervalos prolongados sem precipitação em outras. O alerta foi feito pelo coordenador estadual de Defesa Civil, coronel da Polícia Militar Paulo Roberto Bermudes Rezende, durante o Seminário Estadual de Enfrentamento ao Período Chuvoso, realizado em Belo Horizonte nesta semana.
Segundo o coronel, os efeitos serão monitorados ao longo de todo o período chuvoso, que pode se estender até março ou abril de 2027. Ele ressaltou, porém, que ainda não é possível determinar com precisão quais regiões serão mais afetadas ou quando os eventos poderão ocorrer.
“Existe uma possibilidade de impactos severos, e isso vai desde o excesso de água quanto à falta dela”, explicou. O coordenador citou a possibilidade de temporais intensos seguidos por períodos prolongados sem chuva, conhecidos como veranicos. Nesse cenário, o Norte de Minas pode enfrentar preocupação com a estiagem, enquanto regiões como a Zona da Mata e o Sul do estado exigem atenção para o excesso de precipitação.
A Defesa Civil pretende divulgar atualizações semanais sobre o monitoramento climático. De acordo com o coronel, quanto mais próximo dos eventos, maior será a precisão das previsões. Por isso, a orientação é acompanhar os comunicados oficiais e os alertas emitidos pelo órgão.
Estado afirma ter feito maior preparação da história
Durante o seminário, a Defesa Civil realizou mais uma etapa de capacitação de municípios e entregou 70 viaturas para fortalecer a atuação das coordenadorias municipais. Com a inclusão de mais 70 cidades nesta etapa, o programa passa a alcançar 80% dos municípios mineiros.
Os veículos foram adquiridos com recursos do Fundo Especial do Ministério Público de Minas Gerais (Funemp), em uma parceria entre o MPMG e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG). Segundo o coronel Paulo Bermudes, a entrega completa um ciclo iniciado anteriormente, que totaliza 129 viaturas disponibilizadas aos municípios mineiros.
O coordenador afirmou que mais de 6 mil agentes municipais foram treinados nos últimos dois anos. O Estado também reforçou os estoques de ajuda humanitária, preparou as unidades regionais e ampliou a articulação com outros órgãos e instituições. “Posso garantir que é a maior preparação da história para o período chuvoso”, declarou o coronel.
A distribuição dos veículos segue critérios técnicos e pode contemplar municípios de diferentes regiões. Para participar do projeto, as cidades precisam cumprir exigências como instituir uma Defesa Civil Municipal, elaborar mapeamento de áreas de risco e plano de contingência, designar equipes e disponibilizar uma sede própria.
O coronel destacou que a iniciativa também fortalece municípios que não recebem diretamente os equipamentos, mas precisam estruturar suas equipes e seus planos de prevenção.
Atenção deve ser mantida em todo o estado
Questionado sobre as regiões que mais preocupam a Defesa Civil, o coronel afirmou que o monitoramento precisa abranger todo o território mineiro. Embora existam áreas historicamente mais vulneráveis, os eventos climáticos extremos têm apresentado impactos cada vez mais severos e imprevisíveis.
Como exemplo, ele citou o período chuvoso do início de 2026, quando Juiz de Fora foi atingida por temporais e equipes também precisaram se deslocar para Espinosa, no Norte de Minas, onde um bairro ficou alagado.
O coordenador também ressaltou que os danos provocados pelas chuvas dependem das condições de vulnerabilidade de cada comunidade. Segundo ele, a ocupação de áreas de risco é resultado de processos históricos, que podem atravessar gerações e envolvem não apenas questões materiais, mas também vínculos familiares e afetivos com os locais. “Chuva, por si só, não é um desastre. O desastre é quando encontra vulnerabilidade”, afirmou.
Além dos treinamentos e da distribuição de materiais, a preparação envolve diferentes áreas do governo, como saúde, infraestrutura e desenvolvimento social, além de parcerias com o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Assembleia Legislativa e as forças de segurança.
Investimentos passam de R$ 90 milhões
Sobre os recursos destinados às ações de prevenção e resposta, Paulo Bermudes informou que os investimentos recentes já ultrapassaram R$ 90 milhões. O valor reúne recursos para capacitação, aquisição de equipamentos e ações de comunicação, entre outras iniciativas.
O coronel também citou projetos de infraestrutura que, embora não estejam registrados diretamente no orçamento da Defesa Civil, contribuem para a prevenção de desastres. Como exemplo, mencionou obras de bacias de contenção, que somam aproximadamente R$ 400 milhões.
A aquisição das 70 viaturas entregues aos municípios foi financiada pelo Funemp, fundo administrado pelo Ministério Público de Minas Gerais. Os recursos são provenientes, entre outras fontes, de acordos, termos de ajustamento de conduta e outros compromissos firmados pela instituição, e destinados a projetos de interesse social.
O presidente do Funemp, promotor de Justiça Renato Froes de Aguiar, afirmou que o investimento busca ampliar a capacidade dos municípios de gerenciar riscos e responder a emergências climáticas. Já o procurador-geral de Justiça adjunto institucional, Hugo Barros de Moura Lima, destacou a importância da cooperação entre órgãos públicos para levar benefícios à população.
A Defesa Civil ainda conta com o apoio de engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) para vistorias em áreas de risco. Segundo o coordenador, cerca de 55 profissionais foram mobilizados na Zona da Mata.








