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Histórico de viradas de Zema e Fuad dá esperança a candidatos ao governo de MG

01/05/2026 às 17h07
Fuad Noman (falecido em abril de 2025) e Romeu Zema (Marcos Evangelista/Secom)
Fuad Noman (falecido em abril de 2025) e Romeu Zema (Marcos Evangelista/Secom)

Depois da primeira pesquisa divulgada pela Quaest, na terça-feira (28), em que Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece muito à frente dos concorrentes, os pré-candidatos ao governo de Minas e analistas políticos minimizaram a importância dos resultados e chamaram a atenção para as últimas experiências em BH e Minas. Em 2018, Romeu Zema (Novo), e em 2024, Fuad Noman (falecido em abril de 2025) apareciam, antes da campanha, muito atrás dos adversários e acabaram vencendo as eleições.

“Aqui em Minas estamos acostumados com candidatos que saem em condições menos favoráveis nas primeiras pesquisas e depois ganham a eleição”, comentou Mateus Simões (PSD). O atual governador aparece com 3% a 5% das intenções de votos nos cenários de primeiro turno da Quaest. Atualmente viajando pelo estado, onde tenta uma estratégia de aproximação com o eleitorado, Simões ainda tem alta taxa de desconhecimento: 68%.
“A pesquisa foi recebida com serenidade, como tenho recebido todas as demais. Nenhuma delas traz os cruzamentos de índices de desconhecimento, que é de fato o que define se você tem uma candidatura potencialmente forte ou não”, defende Simões.

Na pesquisa Quaest, o nome do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece em primeiro lugar, variando entre 30% e 37% das intenções de votos nos diferentes cenários de primeiro turno. O percentual é o dobro do registrado por Alexandre Kalil (PDT), que tem entre 14% e 18% e, em boa parte das simulações, aparece em segundo. Sem Cleitinho, o ex-prefeito de Belo Horizonte lidera. Procurado, Kalil não quis comentar a pesquisa.

Outro nome que evita falar sobre os resultados trazidos pela Quaest é Rodrigo Pacheco (PSB), que ainda não se coloca como candidato, mas tem o apoio do presidente Lula e mudou de partido, numa sinalização de que pode concorrer. Ele aparece variando entre 8% e 12%. O BHAZ procurou o senador, que não quis se pronunciar.

Flávio Roscoe (PL), hoje com 2% das intenções de voto, celebra o resultado. O ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) destacou que, embora seja pouco conhecido pelo eleitor – a taxa é de 85% dos que dizem não saber quem ele é – conseguiu atingir um “bom percentual”.

“Agora é que o trabalho começa. Se formos pensar nas pesquisas de anos anteriores, em Belo Horizonte e Minas Gerais, ninguém que estava em primeiro lugar no início, venceu”, lembra Roscoe.

Embora pretenda vir como cabeça de chapa, o cargo de vice-governador numa aliança com Mateus Simões é uma possibilidade que surgiu nos últimos dias, mas ainda é rechaçada por Roscoe. Ele diz aguardar a definição do partido, em âmbito nacional, sobre a composição de alianças.

Já Gabriel Azevedo (MDB), que terminou em terceiro nas eleições municipais de BH em 2024 se posicionou pelas redes sociais. Na postagem, citou o retrato das primeiras pesquisas daquele ano, quando Mauro Tramonte (Republicanos) liderava, já em agosto, as intenções de voto para a Prefeitura de Belo Horizonte. O jornalista da Record TV sequer foi para o segundo turno. O adversário de Fuad foi Bruno Engler (PL).

“Quem se lembra da primeira pesquisa Quaest? Mauro Tramonte aparecia como vencedor. Eu surgia com cerca de 2%. E qual foi o resultado? Eu praticamente o alcancei na reta final, com quase 11%, enquanto ele ficou próximo de 15%”, lembra o candidato que hoje tem de 2% a 4%.

Em 2018 e 2024

Pesquisas eleitorais divulgadas pelos institutos antes e durante as campanhas eleitorais em Belo Horizonte e Minas Gerais, em 2018 e 2024, comprovam a máxima defendida pelos candidatos que insistem no discurso de que ainda é cedo para celebrar ou lamentar. Romeu Zema e Fuad Noman, pouco conhecidos nos primeiros levantamentos, chegaram na frente ao final da disputa quando se candidataram pela primeira vez.

A pesquisa DataFolha, por exemplo, divulgada no dia 22 de agosto de 2018, logo após a oficialização das candidaturas ao governo de Minas, mostrava Romeu Zema ainda com apenas 5%. À época, liderava a corrida Antônio Anastasia (PSDB) com 29%, seguido de Fernando Pimentel (PT), com 20%.

Naquele período, Zema tinha apenas 10% de rejeição e era desconhecido pela enorme maioria do eleitorado. Nas pesquisas espontâneas, quando não são apresentados os nomes dos candidatos, o ex-governador não alcançava 1%. Só a quatros dias das eleições de primeiro turno, durante debate na TV Globo em que declarou apoio a Jair Bolsonaro, é que cresceu de forma exponencial, chegando ao segundo turno e vencendo Anastasia.

Situação semelhante viveu Fuad Noman como candidato a prefeito de Belo Horizonte. Embora vice-prefeito de Alexandre Kalil e ocupante da cadeira após a saída dele para concorrer ao governo de Minas dois anos antes, a taxa de desconhecimento também era enorme. Com isso, os primeiros números eram desoladores.

Em 25 de abril de 2024, pesquisa Atlas/CNN apontava que Noman tinha apenas 5% das intenções de voto. À época, o deputado estadual Bruno Engler (PL), apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tinha 31% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Rogério Correia (PT), apoiado pelo presidente Lula, com 16,4%. Numericamente à frente de Fuad ainda estavam a deputada federal Duda Salabert, o ex-presidente da Câmara de BH, Gabriel Azevedo, e o senador Carlos Viana.

Para vencer todos os seis principais adversários (Tramonte viria a crescer e assumir a dianteira meses depois), Fuad precisou antes derrotar o desconhecimento. O índice que era de 72% em setembro de 2023, segundo pesquisa DataTEMPO, só foi revertido ao longo da campanha, após agosto. Em setembro de 2024, um ano depois, o número dos que não sabiam quem era Fuad já havia caído para 30%, segundo a Quaest.

Por trás da estratégia de torná-lo conhecido esteve Paulo Vasconcelos, marqueteiro com mais de 37 anos de carreira e com vasta experiência em campanhas, desde a vitoriosa eleição de Fernando Collor à presidência em 1989. A aposta foi mostrar, durante a campanha na TV e nas redes sociais, as obras que haviam sido realizadas por Fuad nos últimos anos, aliada ao trabalho de construção da imagem de um senhor carismático.

Dois anos depois, a missão de Vasconcelos é repetir com Simões o êxito que teve com Fuad Noman. O marqueteiro irá atuar na campanha do governador. Ao seu dispor, a primeira pesquisa Quaest revela um emaranhado de números a serem trabalhados: ao mesmo tempo que 46% dos eleitores rejeitam um sucessor de Zema, a taxa de desconhecimento de Simões (hoje em 68%) mostra que há um vasto campo a ser explorado.

Para os analistas políticos, o caminho até a urna é longo e favorece os adversários que estão atrás. “O que a pesquisa mostra é que ainda há muito desconhecimento em relação aos candidatos. Com certeza, quando começar a campanha, uma maior exposição vai fazer com que haja mudanças nas intenções de voto”, aposta Adriano Cerqueira, professor do IBMEC.

Segundo Cerqueira, o conhecimento sobre a trajetória e feitos dos políticos pode fazer, inclusive, com que candidatos que estão na frente sejam expostos nas suas fragilidades, como ocorreu com Mauro Tramonte em 2024 na campanha à prefeitura de BH.

“Mesmo o Cleitinho, que está bem posicionado, é menos conhecido [do que será na campanha] e, nada garante que a medida que se tornar mais conhecido [hoje ele tem 61%], isso faça com que ele perca ao invés de ganhar mais intenções de voto”, alerta.

Para o marqueteiro Alberto Lages, as pesquisas hoje têm ainda pouco efeito. “Pesquisa eleitoral a essa distância da eleição só interessa a político, funcionário de político e militante”, pontua.

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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