Minas Gerais tem dois representantes na reta final do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa 2026, um dos mais importantes do idioma. A divinopolitana Adélia Prado e o juiz-forano Edimilson de Almeida Pereira estão entre os 12 finalistas anunciados nesta quarta-feira (28), em São Paulo. Os dois disputam a categoria poesia.
Adélia concorre com O jardim das oliveiras, publicado pela Record. Edimilson está na disputa com Porte Étoile, lançado pela Cobalto Livros.
Adélia entre os consagrados
Aos 90 anos, Adélia Prado é um dos nomes consagrados que figuram na lista, ao lado do angolano José Eduardo Agualusa e do português Helder Macedo. A presença da autora reforça o peso de uma trajetória construída a partir de Divinópolis, cidade onde nasceu e onde sempre viveu, e de uma obra marcada pela fusão entre o cotidiano doméstico, a fé e o erotismo.
Em 2024, a poeta recebeu as duas maiores honrarias da literatura em português: o Prêmio Camões, concedido pelos governos do Brasil e de Portugal, e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
Espiritualidade, aliás, aparece entre os temas que atravessam os livros finalistas desta edição, segundo a organização, ao lado de memória, ancestralidade, deslocamento e relações humanas.
Edimilson e a poesia de Juiz de Fora
Poeta, ensaísta e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Edimilson de Almeida Pereira é autor de uma obra extensa, com forte diálogo com as culturas afro-brasileiras e a tradição oral. Porte Étoile o coloca novamente entre os destaques da poesia contemporânea em língua portuguesa.
Seis brasileiros na final do Prêmio Oceanos
A seleção reúne obras de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal, com seis brasileiros entre os finalistas. Na poesia, além dos dois mineiros, concorrem Adriana Lisboa (Antes de dar nomes ao mundo) e Nina Rizzi (Diáspora não é lar). Na prosa, estão Julia Codo, que estreia no romance com Caderno de ossos, e Micheliny Verunschk, com Depois do trovão.
Nesta edição, o prêmio recebeu 3.086 inscrições — 1.808 de prosa e 1.278 de poesia — de autores de 13 nacionalidades. Dois júris internacionais, com especialistas dos quatro países, escolheram seis obras em cada categoria.
O anúncio foi feito no Teatro YouTube, em São Paulo, em evento com transmissão ao vivo pelo canal do prêmio no YouTube. A programação teve conversa entre as finalistas Julia Codo e Micheliny Verunschk e performance de poesia com Nina Rizzi e Natasha Félix.
Quem decide
A etapa final será conduzida por dois novos júris. Na poesia, categoria dos mineiros, a decisão cabe ao angolano Ondjaki, aos brasileiros Ana Maria Vasconcelos, Juliana Krapp e Maria Esther Maciel e à portuguesa Rita Taborda Duarte. Na prosa, votam Nara Vidal e Silvana Tavano (Brasil), Ana Paula Tavares (Angola) e José Riço Direitinho e Marta Lança (Portugal).
Vale notar que Maria Esther Maciel e Nara Vidal também são mineiras, o que amplia a presença de Minas nesta edição.
Os vencedores, um em cada categoria, serão anunciados em 11 de dezembro, em cerimônia no Itaú Cultural, em São Paulo.
Os finalistas do Prêmio Oceanos
Poesia
- Antes de dar nomes ao mundo, Adriana Lisboa (Brasil), Relicário
- Corpos da Memória, Helder Macedo (Portugal), Caminho
- Diáspora não é lar, Nina Rizzi (Brasil), Pallas
- O jardim das oliveiras, Adélia Prado (Brasil), Record
- Porte Étoile, Edimilson de Almeida Pereira (Brasil), Cobalto Livros
- Tratado das Coisas Sensíveis, Pedro Pereira Lopes (Moçambique), Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Prosa
- A chuva que lança a areia do Saara, Ana Margarida de Carvalho (Portugal), Companhia das Letras Portugal
- Caderno de ossos, Julia Codo (Brasil), Companhia das Letras
- Depois do trovão, Micheliny Verunschk (Brasil), Companhia das Letras
- Não é ainda o pânico, Rui Nunes (Portugal), Relógio D’Água
- O Mel sem Abelhas, Judite Canha Fernandes (Portugal), Gradiva
- Tudo Sobre Deus, José Eduardo Agualusa (Angola), Quetzal (Portugal) e Tusquets (Brasil)







