Estudante de medicina da PUC denuncia agressões do namorado em BH: ‘Não pode continuar’

estudante denuncia agressão
Estudante compartilhou imagens das agressões nas redes (Reprodução/@gabrieladuartem/Instagram)

Atualização às 18:54 do dia 27/09/2021 : Atualização feita após contato com o namorado da estudante, alvo da denúncia.

A jovem Gabriela Duarte, de 22 anos, sensibilizou milhares de pessoas após usar suas redes sociais, nesse domingo (26), para denunciar agressões que vinha sofrendo por parte do namorado, de 27 anos. Ao BHAZ, a estudante de medicina da PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) de BH contou que as agressões começaram sutis e escalaram até que, nesse fim de semana, ela mobilizou a polícia.

Segundo a jovem, as agressões só não evoluíram para um crime ainda mais grave porque seus vizinhos ouviram gritos, interviram e a levaram até uma delegacia. Procurada, a Polícia Civil informou que o suspeito, que também é estudante de medicina, foi preso, mas pagou fiança e foi liberado em seguida (leia abaixo).

“Fui à delegacia fazer boletim, o exame de corpo de delito e pedi medida protetiva contra ele. É um processo bastante difícil, está sendo muito doloroso”, conta Gabriela. Ela afirma ainda que, após divulgar o relato, outras mulheres fizeram contato com ela denunciando agressões semelhantes e até mesmo abuso sexual contra uma vítima enquanto ela estava embriagada.

“Ficar sabendo de tudo isso, das traições, tudo que tem chegado até a mim é muito doloroso. Estou muito mal, mas acho que fiz a coisa certa”, diz. Conforme Gabriela, essas outras vítimas seriam mulheres que já se relacionaram com José Flávio, seu namorado.

Jovem mostra hematomas das agressões (Reprodução/@gabrieladuartem/Instagram)

De xingamentos a murros e estrangulamento

Ainda de acordo com a estudante, a primeira agressão ocorreu no dia 12 de setembro de 2020, mas, antes disso, os abusos já haviam começado de forma sutil. “As coisas começaram de formas muito sutis, um xingamento ou outro, me cercando na porta da minha casa, insistência no telefone, mesmo bloqueado, um aperto no braço… que de repente viraram estrangulamentos e murros”, relata.

A jovem faz parte das milhões de brasileiras que relatam sofrer, ou já terem sofrido algum tipo de agressão. Como aponta a pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada em junho deste ano, que mostra que uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos afirma ter sofrido algum tipo de violência no último ano. Ao todo, são cerca de 17 milhões de mulheres em situação de violência.

‘Minha vida não entra em questão. Não mais’

“E por que eu venho aqui contar isso? Porque como o delegado me disse: de agora em diante isso faz parte da minha história, só que não precisa e nem pode continuar. Para a pessoa que fez isso comigo, tudo na vida podemos colocar um certo valor”, diz a jovem na denúncia.

Ela ainda continua, dirigindo-se ao agressor: “Sempre teve tudo muito fácil, sempre teve uma mão na cabeça quando as coisas não eram da forma que queria. Eu entendo que pra você o mundo funciona assim mesmo, mas minha vida não entra em questão, não mais”.

Tanto a Atlética como o Diretório Acadêmico do curso de medicina da PUC Minas se manifestaram em solidariedade à estudante. “A denúncia é necessária e deve ter apoio de todos; não tenha vergonha! Você não é culpada! Vocês nunca serão”, disse a Atlética em nota compartilhada no Instagram. Já o Diretório afirmou que o ocorreu é inadmissível e não pode ser minimizado.

“Parabenizamos a aluna pela extrema coragem e força de expor a situação e, assim, permitir que mais alunos na mesma situação se sintam incentivados a denunciar também. Nos solidarizamos com a aluna e esperamos que esteja recebendo todo o acolhimento possível”, diz a nota.

O BHAZ conversou com o estudante José Flávio, mas ele preferiu não se pronunciar sobre o assunto e disse que aguarda investigações e ação da justiça.

Nota da Polícia Civil na Íntegra

A PCMG informa que ratificou a prisão em flagrante do investigado e solicitou medida protetiva de urgência para a vítima. O caso segue em apuração na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher. Conforme previsão legal, o homem foi liberado após o pagamento de fiança.

Edição: Giovanna Fávero
Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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