O Governo de Minas Gerais proibiu a veiculação de publicidade, propaganda, promoção comercial e patrocínio de empresas de apostas, as chamadas bets, em bens públicos estaduais e em eventos promovidos ou apoiados pelo Poder Executivo, o que inclui o Mineirão. A mesma restrição vale para plataformas de conteúdo adulto e serviços de cunho sexual.
A medida foi estabelecida pelo Decreto nº 49.279, publicado no DOE nesta quinta-feira (20). O Mineirão não poderá mais ser patrocinado por bets. Qualquer tipo de publicidade que esteja na área do estádio deverá ser retirada. O Governo também pretende notificar as promotoras de eventos, esportivos ou não, sobre a não veiculação de propagandas no Mineirão. O decreto também prevê que, caso algum evento ou time de futebol tenha propagandas de casas de apostas em seus uniformes ou estrutura, eles deixarão de receber qualquer apoio do estado.
Veja também
Segundo o decreto, ficam proibidas ações como instalação de placas, painéis e faixas, inserção de marcas em telões e sistemas de sonorização, uso de naming rights para denominar espaços e equipamentos, além de ativações de marca, distribuição de materiais publicitários e exploração de camarotes ou áreas promocionais. O texto também determina que recursos públicos não poderão ser usados, direta ou indiretamente, para custear esse tipo de publicidade.
A ideia é que todo conteúdo irregular flagrado seja retirado compulsoriamente dos espaços públicos sob responsabilidade do estado, após um período de transição. “Não adianta pagar multa. Nós vamos arrancar e cobrir toda publicidade que venha diz respeito”, afirmou o governador Mateus Simões.
A medida também impacta um contrato da Loteria Mineira. O governo notificou a empresa, assim como aquelas concessionadas em algum serviço ou local, para que rescindam os contratos com bets.
Números alarmantes envolvendo bets
De acordo com o Governo de Minas, o decreto é fundamentado nos números alarmantes de gastos feitos pelos mineiros com casas de aposta. Só em Minas Gerais, o Ministério da Fazenda calcula que cerca de 22 bilhões de reais foram gastos pelos mineiros com bets regularizadas, sendo que cerca de 4 bilhões de reais não voltam mais para o mercado e se tornam lucro destas empresas.
“Esse recurso da perda, o valor que fica no bolso das operadoras, é um recurso de 4 bilhões de reais que faz falta pra economia de Minas Gerais, que custa empregos, que retira dinheiro de circulação do comércio e que deixa de financiar as atividades públicas. As perdas tributárias são superiores a 600 milhões de reais por ano, só na perda do ICMS direto. Isso é suficiente para construir um hospital regional”, disse Simões.
Em todo o país, esse valor chega a 220 bilhões de reais, e quase dobra, cerca de 400 bilhões de reais, quando somadas as apostas feitas em casas de apostas não regularizadas.
A Secretaria de Estado de Comunicação Social (SECOM) ficará responsável por supervisionar essas ações e poderá estabelecer normas e diretrizes para a aplicação da medida.
O BHAZ entrou em contato com a Minas Arena, que administra o Mineirão, para comentar sobre o decreto e aguarda retorno.









