Um jovem de 19 anos, acusado de matar o próprio pai, de 44, foi liberado pela Polícia Civil após o delegado entender que ele pode ter agido em legítima defesa. O crime foi registrado nessa terça-feira (8), em Braúnas, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.
Segundo o relato apresentado à polícia, o homem teria chegado bêbado em casa e, armado com uma faca, ameaçou matar o filho e os irmãos mais novos. A companheira dele, de 37 anos, também teria sido alvo das ameaças e agressões.
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A mulher contou aos policiais que, apesar de estar separada do homem, ainda morava com ele por necessidade. Conforme o relato, o consumo frequente de bebida alcoólica fazia com que ele chegasse em casa diariamente bêbado e agressivo.
Na dia do crime, a situação teria se repetido. O homem chegou com bebidas alcoólicas e, após ser questionado pela ex-companheira, teria começado a ameaçar a família. As crianças conseguiram sair da casa, mas o filho mais velho tentou impedir o pai de continuar as agressões contra a mãe.
Segundo o jovem, ele pediu que o pai largasse a faca, mas o homem continuou avançando contra ele. Nesse momento, o rapaz pegou um pedaço de madeira e atingiu a cabeça do homem, que caiu e morreu ainda no local, apesar do acionamento do socorro.
O jovem disse à Polícia Militar que não tinha intenção de matar o pai e que usou a madeira para se defender. Ele chegou a ser detido pela PM e levado para a delegacia.
Durante a análise do flagrante, porém, o delegado decidiu não confirmar a prisão. Na ata de homologação do flagrante, o juiz registrou que a autoridade policial considerou haver elementos que indicavam possível legítima defesa do jovem e também de terceiros.
Agora, a Polícia Civil tem 30 dias para concluir o inquérito e enviar à Justiça.
Justiça inocenta réus por legítima defesa em Minas Gerais
Só em 2026, dois casos de repercussão tiveram entendimento de legítima defesa em julgamentos em Minas Gerais.
Em março deste ano, uma mulher foi absolvida pelo Tribunal do Júri de BH após matar o companheiro. Segundo a defesa, ela reagiu depois de encontrar o homem sobre a filha, de 11 anos, durante uma tentativa de abuso sexual. A acusada afirmou que pegou uma faca e atacou o companheiro.
O Ministério Público havia denunciado a mulher por homicídio qualificado, destruição de cadáver e corrupção de menor. Ela também era acusada de ter ateado fogo no corpo da vítima. Ao final do julgamento, os jurados decidiram pela absolvição.
Já em abril deste ano, o 3º Tribunal do Júri de BH inocentou um jovem, hoje com 22 anos, acusado de esfaquear o padrasto no Centro da capital. Os jurados entenderam que ele agiu em legítima defesa de terceiros ao tentar proteger a mãe, que, segundo relatos da época, sofria agressões e ameaças do companheiro.
O crime foi em maio de 2024, no cruzamento das ruas Tamóios e dos Guaranis. O rapaz atingiu o padrasto com uma facada nas costas após o homem dar um soco no rosto da mãe. O homem sobreviveu.









