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Lagoa Santa tem surto de sarna com 241 casos; aulas da rede municipal são suspensas

07/10/2026 às 17h53
Lagoa Santa suspende aulas por sarna pela segunda vez; surto é comunicado em outras sete cidades mineiras
(Reprodução/Manual MSD)

A Prefeitura de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, notificou 241 casos do surto de escabiose, conhecida popularmente como sarna, sendo 50 deles apenas nas últimas 24 horas. Devido ao surto, as aulas da rede municipal foram paralisadas.

Os casos se concentram principalmente na Regional Norte da cidade, com 87 notificações, o equivalente a 36,1% do total. Em seguida, aparecem as regionais Leste, com 46 casos (19,1%); Sul, com 29 (12%); Nordeste, com 15 (6,2%); e Centro-Oeste, com 13 (5,4%). Em 51 notificações (21,2%), não há informação sobre a regional.

As atividades ficarão paralisadas nesta quinta (8) e sexta-feira (9), após solicitação de pais e responsáveis e diante da preocupação com a transmissão da doença. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde, as escolas vêm acompanhando diariamente os estudantes para identificar possíveis novos casos.

Quando há suspeita, os responsáveis são comunicados e orientados a procurar uma unidade de saúde para avaliação e eventual início do tratamento. A suspensão, no entanto, não é considerada suficiente para interromper a transmissão.

Contudo, o município destaca que a medida foi adotada como uma precaução adicional e que o controle depende também dos cuidados adotados pelas famílias durante o período em que as crianças permanecerão em casa. A previsão é de retorno das atividades em 19 de outubro.

Até a volta, a orientação é observar o surgimento de sintomas, buscar atendimento médico diante de sinais suspeitos e seguir corretamente as medidas indicadas pelos profissionais de saúde. O município também continuará monitorando os casos junto às unidades de saúde e ao hospital.

Minas tem surtos comunicados em sete cidades

Lagoa Santa não é a única cidade mineira a registrar surtos de escabiose em 2026. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), foram comunicadas sete ocorrências de surtos ao longo do ano: Andradas, Lagoa Santa, Itapecerica, Lavras, Joaquim Felício, Coronel Xavier Chaves e Alfenas.

A SES-MG ressalta, porém, que não existe um levantamento estadual consolidado de casos. Isso acontece porque a escabiose não está nas listas nacional e estadual de doenças e agravos de notificação compulsória. Os municípios devem comunicar à Secretaria de Estado situações com dois ou mais casos que tenham vínculo epidemiológico, e o Estado acompanha as ocorrências que demandam apoio técnico.

Em Andradas, no Sul de Minas, por exemplo, foram registrados 39 casos suspeitos até esta quarta-feira (7), segundo informações da prefeitura. Os casos foram identificados em cinco unidades escolares, sendo duas de Educação Infantil, uma de Ensino Fundamental e duas da rede estadual. Desde os primeiros registros, em 23 de setembro, as equipes de Saúde e Educação acompanham a situação e orientam famílias e escolas.

Antes da nova suspensão em Lagoa Santa, uma escola municipal da cidade já havia interrompido as aulas nos dias 1º e 2 de outubro para higienização dos ambientes. A unidade também passou por dedetização, limpeza e sanitização da caixa-d’água, enquanto equipes da Saúde orientaram a comunidade escolar e fizeram o acompanhamento dos casos.

O que é a sarna?

Em conversa com o BHAZ, o Dr. Leandro Curi explicou o que é, exatamente, a escabiose, conhecida como sarna humana. A doença é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei e é transmitida principalmente pelo contato prolongado com a pele de uma pessoa infectada.

O parasita também pode permanecer temporariamente em objetos e superfícies que tiveram contato direto com a pele, como roupas de cama, travesseiros e sofás, o que favorece a disseminação em locais de convivência intensa, como escolas e creches. A sarna pode ser contraída independentemente dos hábitos de higiene, e o banho, por si só, não elimina a infecção.

O principal sintoma é a coceira intensa, que pode vir acompanhada de lesões ou manchas avermelhadas na pele. Os sinais variam de acordo com a pessoa e, na maioria dos casos, a doença é considerada benigna. Em caso de diagnóstico, é importante seguir corretamente o tratamento indicado por um profissional de saúde. Pessoas que tiveram contato próximo também podem precisar de avaliação e tratamento.

Além disso, roupas, roupas de cama e toalhas utilizadas pela pessoa infectada devem ser higienizadas conforme as orientações dos serviços de saúde, assim como superfícies que tiveram contato frequente com ela. O contato físico prolongado deve ser evitado até receber orientação médica.

Quando há vários casos em uma escola, é importante identificar pessoas que tiveram contato próximo com os infectados e adotar as medidas de tratamento e controle indicadas pelos profissionais de saúde. A orientação de estudantes, funcionários e familiares também ajuda a reduzir novas transmissões. A suspensão temporária das aulas, sozinha, não interrompe o ciclo da doença, por isso deve ser acompanhada dos cuidados necessários para evitar o retorno de pessoas ainda sintomáticas ou sem tratamento.

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: raul.gomes@bhaz.com.br

Estagiário do BHAZ

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