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‘Decepção’: Mateus Simões anuncia rompimento com Marcelo Aro após aliado articular candidatura ao governo

30/07/2026 às 14h50 - Atualizado em 30/07/2026 às 15h25
Mateus Simões rompe com Marcelo Aro após ser comunicado de que aliado articula candidatura ao governo de Minas
Foto: Willian Dias/ALMG e Leonardo Fonseca

O governador Mateus Simões (PSD) anunciou, nesta quinta-feira (30), rompimento com o grupo político de Marcelo Aro (PP). A decisão vem após ter sido comunicado pelo agora ex-aliado de que ele estaria trabalhando para se candidatar ao governo de Minas. Simões é pré-candidato à reeleição e esperava o apoio da Federação PP-União Brasil. Ele tinha um acordo para que Aro se lançasse ao Senado na mesma chapa.

Segundo Mateus, Aro justificou que a movimentação ocorreu em razão do descontentamento com a presença do senador Carlos Viana (PSD) em sua chapa.

“O secretário Marcelo Aro comunicou-me hoje que está, há algumas semanas, negociando a candidatura dele ao Governo do Estado. Disse que eu deveria estar esperando isso, já que ele não estava satisfeito com a presença de Carlos Viana na minha chapa”.

O governador disse estar decepcionado e destacou que o secretário ocupou cargos estratégicos ao longo da gestão Zema.

“Eu digo que a decepção acaba perseguindo a gente na política porque a gente lida com gente de todos os tipos, mas, no caso dele, especificamente, que foi um aluno, a decepção é um pouco maior porque foi abrigado no governo durante quatro anos e perdeu a eleição lá atrás, veio para o governo, exerceu posições importantes. Anunciou que está virando as costas para o projeto, não meu, projeto também do governador Romeu Zema, que foi quem o trouxe para o governo”, disse Simões.

Ainda de acordo com Simões, ao ser questionado se a decisão era definitiva, Aro afirmou que poderia rever sua posição, caso houvesse uma mudança de postura do senador Cleitinho.

“Ele me disse não, não é definitivo porque ainda tem que ver se o Cleitinho não vai mudar de ideia, ou seja, a ponderação dele a essa altura não é sequer sobre a minha candidatura, mas é sobre se ele vai ter o espaço todo que ele espera do lado de lá”

Simões também criticou a articulação política construída por Aro, afirmando que ela reúne partidos e lideranças de diferentes campos e que as decisões foram tomadas fora de Minas Gerais.

“Anunciou o desembarque do grupo dele, do governo, numa reunião do lado de lá do que há de mais estranho na política de Minas Gerais neste momento, que é o Republicanos que não é o de Cleitinho, é o Republicanos de Euclydes Pettersen e de Eduardo Cunha. O União e o PP que não são dos deputados federais daqui, essa discussão foi tida em Brasília, ao arrepio de quem está aqui, o PL também, numa construção que retira a liberdade de deputados que sempre foram nossos da base.”
lideranças locais.”

Por fim, o governador afirmou que a postura de Aro prioriza a conquista do poder em detrimento da coerência política e criticou a insatisfação do secretário com a concorrência na disputa pelo Senado.

“Fico preocupado com os riscos que Minas Gerais passa a ter quando as pessoas estão dispostas a projetos de qualquer tipo, por poder, por vitória, como se fosse possível ganhar uma eleição sem concorrer, foi o que eu disse a ele. A preocupação dele de ter concorrentes pro Senado mostra que a visão dele de democracia e a minha são muito diferentes. Concorrentes fazem parte da construção democrática”, encerrou.

O BHAZ procurou Marcelo Aro. O espaço segue aberto.

Cobranças

O rompimento selado na manhã desta quarta-feira (30), vem horas depois de mais uma cobrança pública feita pelo governador. Em entrevista exclusiva ao BHAZ, disse que esperava que o aliado cumprisse o acordo político firmado há quatro anos.

“Vô, Zequinha, meu avô aqui era lá do Triângulo Mineiro, tinha uma expressão boa, ele falava: ‘Palavra não faz curva’. A gente empenha a palavra e cumpre a palavra que a gente empenhou. Marcelo tem a minha palavra de que ele é o meu candidato ao Senado. Eu não recebi dele nenhum comunicado em sentido diferente”, disse

O governador relatou que esteve com Aro na terça-feira (28), durante o velório do ex-prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, e afirmou que o aliado não mencionou qualquer intenção de disputar o Palácio Tiradentes.

“Estive com ele ontem no velório do prefeito Odelmo Leão, lá em Uberlândia. Ele passou rapidamente por lá, mas não me disse absolutamente nada sobre ser candidato. Tenho visto isso apenas na imprensa. Ele, inclusive, tem ainda o maior aliado dele, que é Castelar, como meu secretário de Governo. É pessoa com quem eu despacho todos os dias e nenhum dos dois me disse até agora que ele seja candidato ao Governo do Estado.”

Simões reforçou que pretendia manter o acordo firmado com PP, União Brasil e o próprio Marcelo Aro.

“Da minha parte, eu vou cumprir a minha palavra que empenhei com o PP, com o União e com o próprio Marcelo de que ele seria o candidato ao Senado. Foi isso que eles pediram há quatro anos, quando vieram para o governo, e foi isso que nós construímos ao longo de quatro anos.”

‘Compromisso com a própria palavra’

Questionado se consideraria uma eventual candidatura de Marcelo Aro ao governo como uma traição, Simões evitou usar esse termo em relação a si, mas disse que a decisão representaria o descumprimento de um compromisso assumido.

“Traição? Talvez com o governador Romeu Zema, que levou ele para o governo, mas a mim não. Acho que é uma questão de compromisso com a própria palavra. Eu não me sinto traído se ele resolver não cumprir com a palavra dele. Aí é uma questão dele com os motivos dele para não cumprir com a sua própria palavra.”

O governador afirmou que não muda compromissos por conveniência e disse esperar a mesma postura de seus aliados.

“Você não vai ter notícia minha de assumir um compromisso e mudar de ideia por conveniência. Espero que ele também não faça isso. Não é uma boa forma de construir política, até porque em política a gente tem pouca coisa para tratar com o outro político além da nossa palavra.”

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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