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Garotinha que vive em hospital desde o nascimento ganha festa de aniversário em Divinópolis

31/08/2026 às 19h21
Aurora recebeu visitantes, brincou, sorriu e interagiu com as pessoas que foram até o hospital. (Reprodução)

Balões, bolo, presentes e música tomaram conta de um dos corredores do Hospital São João de Deus, em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas, na última quarta-feira (26). O motivo da celebração foi o aniversário de três anos de Aurora Cristina, criança que é acompanhada na unidade desde os primeiros dias de vida.

A menina está internada em razão de uma síndrome rara e de complicações intestinais. Para a mãe, Michele Cristina, comemorar mais um ano da filha dentro de um hospital trouxe sentimentos misturados: tristeza pela permanência na unidade, mas também gratidão pela trajetória percorrida até aqui.

“Para mim, ver a Aurora completando mais um ano de vida dentro do hospital foi muito difícil. Enquanto outras mães comemoram o aniversário dos filhos em casa, a gente estava aqui, comemorando dentro de um hospital”, conta.

Apesar da tristeza, Michele diz que a festa também representou uma vitória. “Ao mesmo tempo que eu senti tristeza por estar aqui, também senti uma enorme gratidão para a gente ter chegado até aqui depois de tudo que ela enfrentou.”

Três anos dentro do hospital

Aurora nasceu em Martinho Campos, também em Minas Gerais, onde Michele morava. Pouco depois do nascimento, a menina foi transferida para o Hospital São João de Deus, em Divinópolis, na mesma região do estado, onde permaneceu internada.

No início, Michele conta que a rotina foi ainda mais difícil, principalmente durante o período em que a filha ficou no CTI.

“Durante esse período que ela ficou no CTI, foi até um pouco difícil para mim ficar indo e voltando”, relembra.

A permanência em Divinópolis se tornou definitiva depois que o médico responsável pelo acompanhamento de Aurora conversou com Michele sobre a necessidade de manter a menina em um hospital com mais suporte para o tratamento.

“O médico um dia sentou comigo, conversou que seria o ideal eu vir para cá, para ela continuar o tratamento aqui, porque aqui tem mais suporte para ela. Então, é um hospital que está mais preparado para ela e eu vim. E desde então, estou aqui”, conta.

Com o passar dos anos, Michele também aprendeu a participar ativamente dos cuidados da filha. Segundo ela, a rotina dentro da unidade já faz parte da vida das duas.

A mãe conta que recebe ajuda da própria família para conseguir descansar. “Às vezes minha mãe vem para eu descansar. Fico o final de semana, eu vou para casa, porque, por mais que ela seja uma criança tranquila, não dá trabalho, é muito cansativo o ambiente hospitalar. A gente fica muito cansada.”

Festa de aniversário

A comemoração dos três anos de Aurora teve um significado ainda maior para Michele porque, no ano passado, a família não conseguiu realizar a festa que havia planejado para o segundo aniversário da menina.

“A gente planejou fazer uma coisinha para o aniversário de 2 anos. Só que acabou que ela ficou mal, teve uma complicação e não deu”, lembra.

Neste ano, porém, a celebração saiu do papel e ganhou uma dimensão que a mãe não esperava.

“Eu não imaginava que seria uma coisa tão grande. Acho que foi muito importante para mim, foi um momento muito marcante. Eu só tenho a agradecer ao pessoal aqui da pediatria, todo mundo que fez empenho para isso dar certo”, afirma.

Segundo Michele, a filha também aproveitou cada momento da festa. Aurora recebeu visitantes, brincou, sorriu e interagiu com as pessoas que foram até o hospital.

“Ela, a todo momento, de olho, sorrindo, brincando com todo mundo. Acho que foi muito importante para ela ter saído do quarto, ter conhecido um ambiente diferente, ter visto pessoas diferentes. Ela adorou. Interagiu com todo mundo, não tem vergonha de nada”, conta.

Para a mãe, momentos como esse ajudam a lembrar que, apesar de toda a complexidade do quadro de saúde, Aurora continua sendo uma criança.

Tratamento avançou, mas alta depende de decisão judicial

Depois de anos de internação, Michele afirma que a filha apresentou uma evolução importante. Segundo ela, Aurora já estaria clinicamente apta a deixar o hospital, mas ainda depende de uma estrutura específica para continuar o tratamento em casa.

“A Aurora é uma criança que já está apta a ir embora para casa, porque o tratamento tem dado certo. Os resultados que ela vem tendo são ótimos”, explica.

A menina faz uso de nutrição parenteral, um suporte nutricional que, segundo a mãe, tem custo elevado. Por isso, a família precisou recorrer à Justiça para garantir o tratamento necessário para a alta.

Agora, Michele aguarda a resolução do processo, que envolve diferentes órgãos públicos e a equipe do hospital.

‘Ela merece uma vida além do hospital’

Para Michele, a próxima grande conquista da filha não é uma festa, mas a possibilidade de finalmente voltar para casa.

A mãe também diz que gostaria que Aurora fosse lembrada para além da síndrome rara e das complicações de saúde que marcaram os primeiros anos de vida.

O desejo de Michele é que a filha possa crescer perto da família e construir a própria história fora dos corredores do hospital.

“Eu quero que ela tenha a oportunidade de viver fora do hospital, de crescer perto da família, construir a própria história. Ela merece uma vida além do hospital”, concluiu.

Laís Marques

Jornalista formada pela PUC Minas. Acumula passagens anteriores pela equipe de jornalismo da Rede 98 e assessorias de comunicação da PMMG e da UEMG

Laís Marques

Repórter

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