Minas tem projeto de reabilitação e pacificação de galos de rinha

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Iniciativa também viabiliza a adoção dos animais por pequenos produtores rurais (MPMG/Divulgação)

O projeto “Pacificação de Galos de Rinha”, que busca reabilitar a saúde física e mental dos galos de briga apreendidos pelas autoridades mineiras, recebeu R$40 mil do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com o apoio da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente das Bacias Hidrográficas dos Rios Paranaíba e Baixo Rio Grande e da Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (Cedef).

Os galos foram resgatados em fiscalizações por crimes ou por infrações administrativas. A iniciativa também viabiliza a adoção dos animais por pequenos produtores rurais. A coordenadora da Cedef, a promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, afirma que o projeto viabiliza um tratamento humanitário e ético a animais que foram explorados em combates e devem ser considerados como vítimas do crime de maus-tratos.

Segundo ela, antes da ação, esses galos eram abatidos ou continuavam com os infratores, sujeitos a novos abusos e maus-tratos. De acordo com o MPMG, cabe ao poder público proteger os animais que estão sob sua tutela após apreensão e não desrespeitar sua vida e dignidade com atitudes cruéis.

Galo
Dois galos já foram operados pelo projeto (MPMG/Divulgação)

Metodologia

A metodologia do projeto foi desenvolvida pelo professor Dênio Garcia, do Unifor-MG, e estabelece que os galos atendidos recebam cuidados veterinários como vacinação e vermifugação, alimentação adequada a sua espécie, e manutenção em áreas abertas, com piso em gramado natural, junto a fêmeas. As galinhas são utilizadas no processo de pacificação para ajudar os galos nessa readaptação ao ambiente.

O coordenador do projeto em Uberaba e gerente clínico do Hospital Veterinário da Uniube, professor e médico veterinário Cláudio Yudi, explica que, nas rinhas, os animais são tratados para se tornarem agressivos. “Eles são presos em caixotes e gaiolas, são mutilados e privados de alimentos. Com isso, também perdem alguns comportamentos naturais como ciscar, acasalar e empoleirar. Eles precisam reaprender a ser galos”, detalha.

Após a pacificação, as aves são colocadas em processo de adoção para pequenos produtores rurais, de economia familiar. “Esses galos, em geral, são da raça Índio Mura e possuem porte avantajado. Por isso, muitos produtores têm interesse neles para fazer aprimoramento genético”, esclarece a coordenadora da Cedef. Se os galos tiverem um bom estado físico e emocional, eles são rapidamente adotados, mediante um termo de compromisso de responsabilidade e cuidados.

Até o momento, o espaço no Hospital Veterinário da Uniube recebeu 22 galos. Dois deles passaram por cirurgias e estão se recuperando. Os outros estão na fase de adaptação para serem colocados nos dois recintos, onde será feita a pacificação . “Uma das tarefas é a avaliação do grau de agressividade das aves”, explica o professor Cláudio Yudi.

Valores repassados

De acordo com o M, a quantia destinada à iniciativa é proveniente de medidas compensatórias ambientais. O projeto “Pacificação de Galos de Rinha”, que é realizado em parceria com o Hospital Veterinário de Uberaba (HVU) da Universidade de Uberaba (Uniube), é uma extensão de uma experiência que teve início há dois anos por meio de parceria do MPMG com o Centro Universitário de Formiga (Unifor-MG).

O dinheiro está sendo direcionado para a aquisição de insumos, como seringas, agulhas, ataduras, medicações, anestésicos, ração, microchip para identificação individual e serviços, como exames de cortisol para avaliação dos níveis de estresse das aves.

O promotor de Justiça de Uberaba, Carlos Alberto Valera, esclarece que as medidas compensatórias são impostas a infratores quando ocorrem danos ambientais e os valores obtidos com essas medidas devem permanecer preferencialmente no local onde ocorreu o dano. “Os recursos também podem servir para financiamento de projetos que tenham por defesa a tutela do meio ambiente”, afirma o promotor.

Com MPMG

Edição: Roberth Costa
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

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