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Justiça de MG suspende atividade noturna e manda mineradora de lítio depositar R$ 50 milhões

19/05/2026 às 09h29 - Atualizado em 19/05/2026 às 09h30
(Reprodução/Sigma Mineração S.A.)

A Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão de atividades noturnas da Sigma Mineração S.A., responsável pelo empreendimento “Grota do Cirilo”, em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha. A decisão também determinou o depósito de R$ 50 milhões em juízo como garantia para cumprimento das medidas impostas e eventual reparação de danos.

A decisão atende a pedidos do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que aponta impactos socioambientais causados pela mineração nas comunidades da região. Entre as medidas determinadas está a paralisação imediata, entre 22h e 6h, das atividades que geram ruídos, até que a empresa comprove que os níveis estão nos limites previstos em lei.

Segundo o MPMG, moradores das comunidades de Piauí Poço Dantas, Ponte do Piauí e Santa Luzia denunciam impactos como poeira, ruídos, tremores, rachaduras em imóveis e problemas de saúde durante audiência pública realizada em Araçuaí.

‘Medidas urgentes’

Na decisão liminar, a Justiça reconheceu indícios de violação de direitos fundamentais, como saúde, moradia e liberdade de locomoção. O entendimento considera dados apresentados no processo, incluindo informações da própria mineradora, que apontariam níveis de poluição acima dos limites legais.

A Justiça também determinou que as explosões realizadas pela empresa sejam limitadas a horários fixos, com aviso prévio às comunidades afetadas.

Além disso, a Sigma Mineração deverá contratar, em até 60 dias, auditoria técnica independente para avaliar os impactos causados por poeira, ruídos e vibrações, além de propor medidas de controle.

A empresa ainda terá prazo de 30 dias para elaborar e implementar um programa de reassentamento opcional para famílias que desejarem deixar a área atingida, garantindo condições de vida iguais ou melhores. No mesmo período, deverá assegurar acesso viário definitivo para quatro famílias que vivem isoladas, por meio de uma via pública segura e independente das operações da mineradora.

Outra medida prevê que a empresa custeie assessoria técnica independente escolhida pelas comunidades, sob coordenação do Ministério Público, além de financiar ações de saúde pública voltadas ao diagnóstico, monitoramento e tratamento dos moradores atingidos.

Em caso de descumprimento das determinações, a Justiça fixou multa diária de R$ 500 mil.

Decisão e provas

O Ministério Público informou que reuniu provas técnicas e relatos de moradores indicando impactos como poluição do ar, excesso de ruído, vibrações provocadas por detonações e isolamento de famílias. O órgão também terá participação na escolha das instituições responsáveis pela auditoria e pela assessoria técnica independente.

A decisão acolheu ainda o pedido do MPMG para inversão do ônus da prova, o que obriga a empresa a demonstrar que suas atividades não causam os danos apontados.

O processo segue em andamento.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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