Mulher presa por se passar por adolescente em SC já tinha registros por casos semelhantes em Minas

03/06/2026 às 18h39 - Atualizado em 03/06/2026 às 18h51
Mulher presa por se passar por adolescente em SC já tinha registros por casos semelhantes em Minas
Mulher foi presa em Joinville (SC), após mentir que tinha 12 anos e ser "adotada" por uma família. (Reprodução/Redes Sociais + PCSC/Reprodução)

Uma mulher, de 37 anos, foi presa nessa terça-feira (2) por se passar por uma adolescente de 12 anos, ser acolhida por uma família e viver por 14 meses em Joinville (SC), já tinha registros policiais por casos semelhantes em Minas Gerais. As ocorrências foram registradas em Montes Claros, no Norte do estado, Três Corações, no Sul, e Bom Despacho, na região Oeste.

Amanda Maria Souza Oliveira foi detida no distrito de Pirabeiraba e é investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Segundo as investigações, ela teria adotado diferentes identidades ao longo dos anos para se apresentar como adolescente e conquistar a confiança de famílias.

O BHAZ teve acesso aos boletins de ocorrência que mostram que Amanda utilizava diferentes nomes, mentia sobre a idade e apresentava versões contraditórias sobre a própria história para obter apoio de abrigos, instituições religiosas e entidades de assistência social.

Em conversa com policiais de Minas, a mulher chegou a alegar que “tinha o costume de mentir”, não mantinha contato com parentes e recusava apoio de profissionais da saúde. Ela também é investigada por crimes semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

‘Abusos e rituais de bruxaria’

Uma das ocorrências foi registrada em dezembro de 2024, em Montes Claros. Segundo o boletim policial, a mulher procurou um abrigo, afirmando chamar-se Ana Caroline Ferreira Silva e ter 18 anos. Ela também relatou ter sido vítima de situações de vulnerabilidade, incluindo agressões físicas, abusos e supostos rituais de bruxaria.

Durante o período em que permaneceu no local, ela recebeu assistência e acompanhamento social. No entanto, ao ser informada de que receberia ajuda para emitir a segunda via de documentos, a mulher mudou a versão apresentada anteriormente e passou a afirmar que tinha apenas 13 anos.

Diante da divergência nas informações, a administração do abrigo acionou o Conselho Tutelar e as autoridades competentes. Nas apurações, Amanda foi identificada, e os investigadores constataram que ela utilizava diversas identidades e já era alvo de investigações em outros estados por suspeitas de crimes como falsidade ideológica, difamação e estelionato.

Além disso, os militares descobriram que ela havia usado a mesma história em Uberaba, no Triângulo Mineiro, para conseguir benefícios, ajuda financeira e hospedagem em instituições religiosas.

‘Abusos sexuais’

Em outro boletim de ocorrência, registrado em novembro de 2022, em Três Corações, Amanda se apresentou em um abrigo como Ana Clara Santos Xavier. Na ocasião, ela alegou ter 13 anos, ser natural de Fortaleza e ter sido vítima de abusos sexuais.

No local, as conselheiras tutelares localizaram, por meio de pesquisas nas redes sociais, um caso semelhante registrado em Jundiaí, no interior de São Paulo, o que levantou suspeitas sobre a identidade da mulher. As autoridades foram acionadas e, posteriormente, Amanda confessou o crime. 

Já em 2018, em Bom Despacho, um registro policial apontou que ela se apresentou em um abrigo da cidade como Ana Karoliny Oliveira dos Santos. Na ocasião, Amanda afirmou ser menor de idade e disse que o pai a obrigava a se prostituir e fazer uso de hormônios desde os quatro anos.

Prisão em Joinville

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) prendeu a suspeita em flagrante nessa terça-feira (2) pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Ela usava o nome falso de ‘Gabriele’ e se passava por uma adolescente de 12 anos. A prisão foi efetuada na casa das vítimas, onde a investigada já morava há 14 meses.

Segundo a corporação, para sustentar o disfarce ao longo desse período e ganhar confiança da família, a mulher alegava falsamente ser portadora de autismo e de outras condições clínicas. Além disso, justificava a aparência física adulta, argumentando que foi forçada a usar hormônios durante a infância.

Para reforçar o papel de criança, a suspeita mantinha comportamentos infantilizados, usando rotineiramente chupetas, mamadeira e objetos lúdicos.

Durante o interrogatório, ela confessou integralmente o crime. Após a prisão em flagrante e os procedimentos da polícia judiciária, Amanda foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.

Em nota, A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que não há, no estado, investigação envolvendo a mulher.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
LinkedIn

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ