A Receita Federal cumpre mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e mais seis estados, pela operação Crédito Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, que apura fraudes no sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
Os endereços são vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas: 26 delas em São Paulo e uma em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em MG, o mandado foi cumprido em uma empresa de Betim, na Grande BH.
Atuam na operação equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, da Polícia Militar e da Polícia Civil.
O objetivo da operação é desvendar a utilização de estruturas complexas de lavagem de dinheiros na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Esquema de Ocultação do controle
Segundo a investigação, foi criado um esquema complexo que sobrepõe empresas, a fim de ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e a compra da distribuidora de combustíveis.
Conforme a Receita, a primeira estrutura foi criada para esconder os reais donos de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo, identificada pela operação Carbono Oculto. Depois, outro operador financeiro, dono de fintechs e outras empresas, usou a infraestrutura societária e financeira do seu grupo empresarial para a movimentação financeira das empresas e para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, entre outras fraudes.
A investigação identificou uma fraude de R$ 370 milhões em créditos à usina. “Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos mediante a transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC). A análise financeira indicou que parcela relevante dos recursos empregados na aquisição das cotas se originou de fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo investigado. A estrutura teria criado um fluxo financeiro circular, conferindo aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos reais beneficiários”, destaca a RF.
Aquisição de distribuidora de combustíveis
Ainda, conforme a Receita Federal, a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.
A usina teria recebido 100 milhões de reais enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição. “Seguindo modus operandi já apontado pelo Ministério Público de São Paulo, os valores passaram “em poucos minutos” por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como meras “contas de passagem”, até aportarem na conta da usina sucroalcooleira”, ressalta a investigação.
Posteriormente, o grupo usou um fundo de investimento para a compra de um CDB em um banco tradicional que utilizou o dinheiro para uma operação “casada” com a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas empresas de fachada. Essas empresas eram usadas para ocultar a compra da distribuidora de combustíveis.
Conforme a investigação, a empresa financeira envolvdia na compra simulada da usina sucroalcooleira movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.







