O policial militar Samuel Martins Passos, filmado agredindo uma faxineira, de 61 anos, durante uma abordagem da PM em frente a uma padaria, no bairro Santa Inês, em Belo Horizonte, também é investigado pela morte de um jovem de 22 anos, em 2022.
O caso mais recente foi no último dia 24 de outubro, quando o militar foi flagrado dando cotoveladas no braço de Ângela Maria de Souza, durante uma ocorrência na avenida Contagem, no limite entre a capital mineira e Sabará, na região metropolitana.
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A abordagem terminou com três pessoas presas: a mãe de um jovem que era abordado pelos policiais, uma funcionária da padaria e o gerente do estabelecimento. Segundo relatos de testemunhas, a faxineira teria chamado o policial de “covarde” ao presenciar a prisão da idosa. O militar, então, teria avançado contra a trabalhadora. O gerente afirma que precisou intervir para impedir a agressão. A funcionária teria se refugiado no banheiro da padaria após ser ameaçada.
Imagens gravadas por testemunhas e pelo circuito de segurança mostram o policial atingindo o braço da idosa com cotoveladas e a mulher sendo levada à força até uma viatura. O gerente e uma testemunha ouvida pela reportagem relataram que o militar também tentou agredir a funcionária e fez ameaças contra ela. A mulher teria sofrido uma crise de ansiedade durante o episódio.
PM é investigado por morte de jovem em Sabará
Além da ocorrência mais recente, que envolve a agressão da idosa, o PM Samuel é investigado pela morte do jovem Victor Emanuel Ribeiro, de 22 anos, registrada em 7 de julho de 2022, no bairro Novo Alvorada, em Sabará. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitou, em outubro daquele ano, que a apuração fosse remetida à Justiça comum, depois de a Polícia Militar informar que não havia identificado indícios de crime na ação policial.
A investigação apura a conduta de Samuel e de outros dois militares que participaram da ocorrência. Na época, os policiais relataram, no boletim de ocorrência, que tentaram abordar um carro por suspeita de tráfico de drogas. Segundo a versão apresentada pelos agentes, um dos ocupantes reagiu à abordagem e fugiu do local.
Os militares afirmaram que dois policiais atiraram, mas não conseguiram impedir a fuga. Posteriormente, o veículo foi localizado novamente e, durante uma segunda tentativa de abordagem, outro ocupante teria reagido e fugido em direção a uma área de mata.
Ainda conforme o registro policial, Victor foi encontrado dentro do carro e socorrido. A morte dele foi confirmada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sabará.
Victor Emanuel Ribeiro tinha histórico criminal.
Abordagem em padaria terminou com três pessoas presas
No caso registrado em outubro deste ano, a ocorrência começou durante uma operação de patrulhamento preventivo no bairro Ana Lúcia. De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais viram um jovem de bicicleta e, posteriormente, o localizaram na avenida Contagem, perto da padaria. Nada de ilícito foi encontrado com ele, conforme o registro.
A mãe do rapaz chegou ao local e tentou se aproximar do filho. Segundo a versão dos policiais, ela recebeu ordens para se afastar, mas voltou a se aproximar e ofendeu um dos militares. O boletim também afirma que a mulher resistiu à prisão, agarrando-se a um poste e a uma placa de sinalização.
A funcionária da padaria foi presa sob a alegação de desacato, depois de supostamente ofender os policiais e correr para o interior do estabelecimento. O gerente, Douglas Farias, também foi detido, sob a justificativa de ter interferido na ação ao se colocar à frente de um militar.
Em relato à reportagem do BHAZ, Douglas afirmou que tentou impedir que o policial agredisse a trabalhadora e que o militar chegou a entrar na padaria e subir as escadas para procurá-la. A funcionária se trancou no banheiro e só saiu depois que outros policiais chegaram e conversaram com os envolvidos.
O gerente contou que foi algemado dentro do estabelecimento e encaminhado, junto aos demais envolvidos, inicialmente para uma companhia da Polícia Militar e, posteriormente, para a Polícia Civil. Ele afirmou que permaneceu cerca de 40 minutos em uma cela, já perto de 1h da manhã, e foi liberado após assinar um termo de compromisso de comparecimento à Justiça.
A Polícia Militar foi procurada pelo BHAZ para se manifestar sobre a apuração do inquérito sobre a morte do jovem, em 2022, mas ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem. A Polícia Civil também foi questionada sobre as investigações, mas também não deu retorno até a publicação desta matéria.









