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Contra privatização da Copasa, servidores declaram greve por tempo indeterminado

22/10/2025 às 20h36 - Atualizado em 22/10/2025 às 21h08
Foto: Ramon Bittencourt /ALMG

Os servidores da Copasa decidiram entrar em greve, por tempo indeterminado, em protesto à tentativa de privatização da companhia no âmbito do Propag, o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos estados com a União. A decisão veio após audiência, nesta quarta-feira (22), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Os servidores estiveram presentes à Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social e se manifestaram contra a  Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), que pretende derrubar a exigência de um referendo popular, o que pode abrir caminho para a privatização ou federalização da empresa estatal de saneamento básico.

Frederico Amaral e Silva, secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Governo de Minas Gerais, defendeu a venda da Copasa como uma forma de abater parte da dívida do Estado com a União e que os recursos poderiam ainda ser usados em investimentos obrigatórios em Educação e Saúde, previstos no Propag. “O Estado hoje não tem capacidade financeira de realizar esses investimentos sem a desestatização de algumas de suas empresas”, disse.

Ao BHAZ, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua), Eduardo Pereira, criticou a medida.

“Onde privatizou, deu errado. Não há motivo para que a empresa seja privatizada. O governo não tem argumentos. Ela já é universalizada desde 2021 e, ainda, o valor da Copasa não faz diferença para o pagamento da dívida”.

“De qual Copasa estamos falando?”, questionou sobre discursos “diferentes”, ao citar falas e estudos do governo que, segundo ele, questionam investimentos na Copasa e, ao mesmo tempo, enaltecem a universalização de água tratada pela companhia em 2021. Para o sindicalista, falta a transparência prometida pelo governo.

O BHAZ procurou o governo e aguarda um posicionamento. Pela manhã, o governador em exercício, Mateus Simões, defendeu a venda da estatal.

“O governo está confiante que a base será suficiente para aprovar a privatização da Copasa, porque ela é do interesse dos mineiros. Os mineiros ganharão com isso. Ganharão dinheiro para investimento em infraestrutura e ganharão serviço de saneamento e de água de melhor qualidade e maior velocidade”, disse Mateus.

Os trabalhadores já haviam decidido pela paralisação entre os dias 21e 23 de outubro, mas, diante do adiamento da análise da PEC, decidiram deflagar greve por tempo indeterminado.

Em nota, a Copasa informou que, em reunião, foi garantido pelo Sindágua MG que os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto, essenciais à vida humana, não serão paralisados.

“O sindicato garantiu ainda atender ao pedido da Companhia para que não haja prejuízo à população”, diz a nota. 

A Copasa diz ainda que, “diante de demandas sindicais que ultrapassam o poder de discussão da empresa, vai monitorar a situação e tomar as medidas necessárias para garantir a continuidade das operações de seus serviços, reforçando o compromisso da empresa com a saúde, o bem-estar e a segurança hídrica dos mineiros”.

Redação BHAZ

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