O Sistema Faemg Senar lançou, nesta quarta-feira (9), um levantamento inédito sobre as perspectivas da safra de café arábica em Minas Gerais de 2026. Segundo a pesquisa “Safra Café”, a produção total no estado deve atingir um valor de 33,4 milhões de sacas de café arábico neste ano, um crescimento de 32,5% em relação à produção de 2025.
O levantamento visitou visitou 5.155 propriedades em 269 municípios das quatro regiões cafeeiras. Do total de sacas, a região do Sul de Minas produziu 16 milhões de sacas; em Montanhas de Minas, foram 9,2 milhões de sacas; no Cerrado de Minas foram 7,2 milhões de sacas; já na Chapada de Minas, foram produzidas 1 milhão de sacas.
“O intuito desse estudo é proporcionar informações e trazer lucidez ao setor cafeeiro para que o produtor consiga se planejar e tomar as melhores decisões para que essa vertente de crescimento continue”, destaca Ana Carolina Gomes, analista de Agronegócios do Sistema Faemg Senar.
Apesar do crescimento ser considerado algo positivo, Gomes afirma que a safra 2026, assim como as safras anteriores, apresentou alguns desafios, sendo o clima um dos principais deles. “Tivemos um inverno atípico que provocou muita chuva durante a colheita e isso afeta diretamente na qualidade da safra”, explica ela.
De acordo com a analista, a qualidade da safra não foi medida na pesquisa, mas é um parâmetro que pode ser dimensionado.
“Vimos e ouvimos de muitos produtores que a qualidade dessa safra não está tão boa, então, temos um desafio a ser analisado, porque qualidade é renda. Quanto maior a qualidade de um café, melhor a venda do produto e, consequentemente, melhor a renda do produtor. Então precisamos acompanhar essa vertente para tanto a safra quanto o consumo continuem crescendo e não haja um desequilíbrio no mercado”, reforça.
O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, complementa dizendo que está claro que que há um crescimento da produção e produtividade e, para dar conta desse crescimento, é necessário buscar mercado previamente.
“Precisamos imediatamente sair em busca de mercados que possam ser ampliados, essa é nossa atual realidade. Se produzimos 100 milhões de sacas e, só após isso, saímos em busca de mercado, certamente vamos ter uma venda pior e mais pressionada. Então, precisamos entender esse gráfico da tendência de crescimento da produção e produtividade para que possamos sair em busca dos mercados compradores desse nosso produto maravilhoso”, reforça o presidente.
Para Gomes e o presidente, a partir desse estudo, o produtor agora deve:
- Calcular o custo por saca e encontrar um ponto de equilíbrio;
- Proteger uma parte da margem da produção;
- Preservar a qualidade e rendimento da safra;
- Planejar o fluxo de caixa;
- Investir onde há retorno para haver mais produtividade com menos custo.










