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Tarifaço dos EUA ameaça empregos e investimentos na indústria, alerta Fiemg

17/07/2026 às 12h55
(Reprodução/Casa Branca)

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros traz impactos a empregos, contratos e investimentos em setores da indústria, alerta a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Os segmentos calçadista e de máquinas elétricas estão entre os mais afetados, enquanto a indústria têxtil mineira prevê efeito direto menor, mas alerta para perdas no cenário nacional. A medida, anunciada pelo governo Trump nessa quarta-feira (15), entra em vigor em 22 de julho e amplia os custos de acesso ao mercado norte-americano, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros.

A cobrança alcança etanol, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos relacionados à mineração, papel, aço, açúcar orgânico, produtos agrícolas e produtos manufaturados em geral. Ferro-gusa, café e carne, que geraram expectativa após o relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ficaram fora da lista de itens taxados.

Calçados

Em Nova Serrana, um dos polos calçadistas do país, o impacto preocupa empresas que destinam parte da produção aos Estados Unidos. Segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Rodrigo Martins, há fábricas nas quais o mercado norte-americano representa de 70% a 80% das vendas.

“Estamos falando de um impacto direto sobre empregos, renda e continuidade das empresas. Parte das indústrias poderá interromper as atividades ou reduzir significativamente a produção”, diz Martins. Segundo ele, o setor enfrenta retração do varejo, endividamento das famílias, queda do poder de compra e aumento dos custos trabalhistas e operacionais.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde as indústrias calçadistas têm participação menor nas exportações para os Estados Unidos, a preocupação recai sobre o aumento da concorrência no mercado brasileiro. O presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados, Bolsas e Cintos de Minas Gerais, Luiz Barcelos, explica que empresas exportadoras de outros estados poderão direcionar ao país os produtos que deixarem de ser vendidos aos norte-americanos.

“O principal impacto será o aumento da concorrência no mercado interno. A ampliação da oferta de calçados poderá pressionar ainda mais os preços e as margens das empresas”, afirma Barcelos. Ele acrescenta que a tarifa poderá afetar negociações em andamento com clientes dos Estados Unidos. Em ocasião anterior, a empresa registrou cancelamentos de pedidos após medida semelhante.

Máquinas elétricas

Na indústria de máquinas elétricas, os fabricantes mineiros de transformadores e reguladores de tensão temem perder espaço em um mercado em expansão. Os equipamentos são utilizados na ampliação de parques energéticos e na infraestrutura para data centers, inteligência artificial e serviços digitais.

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais, associado à Fiemg, Tasso Galhano, o efeito deverá recair sobre novos contratos e decisões de expansão das fábricas.

“A tarifa tira a competitividade do produto brasileiro, coloca em xeque grandes investimentos feitos na indústria mineira e traz insegurança para o comprador norte-americano”, afirma Galhano. Segundo ele, as empresas trabalham com pedidos programados até 2030, o que reduz o impacto financeiro imediato, mas compromete os negócios futuros e pode estimular a transferência de unidades produtivas para outros países.

Setor têxtil

No setor têxtil, a participação menor das empresas mineiras nas exportações para os Estados Unidos limita os efeitos diretos no estado. No país, a tarifa poderá provocar quebra de contratos, redução da produção e perda de aproximadamente 5 mil a 6 mil empregos, principalmente nos polos de São Paulo e Santa Catarina.

“Para o setor têxtil mineiro, a tarifa terá pouca influência, porque são pouquíssimas as exportações para os Estados Unidos. No cenário nacional, os impactos poderão ser severos e imediatos”, avalia o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais, Rogerio Cezarini. Moda praia, vestidos e saias estão entre os produtos com maior dependência do mercado norte-americano.

A decisão dos EUA

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou nessa quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de itens isentos.

No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.

Apesar do anúncio das novas tarifas, os EUA determinaram que produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficarão fora da taxação. A lista inclui itens considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo impacto potencial sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Produtos como etanol, máquinas agrícolas e papel serão sobretaxados.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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