O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), tem chamado a atenção nas redes sociais por um detalhe inusitado em vídeos publicados na internet: objetos guardados dentro da geladeira. Entre tênis, placas de carro e velas, os itens aparecem em gravações sobre diferentes assuntos e despertam a curiosidade de quem acompanha as publicações.
O episódio mais recente ocorreu nesta quarta-feira (28), quando Cleitinho publicou um vídeo para defender o fim das brigas ideológicas entre a população. Na gravação, ele pede que as pessoas deixem de lado as divergências políticas e direcionem cobranças e boicotes aos próprios políticos.
Quando ele critica os benefícios oferecidos a parlamentares com dinheiro público, citando a substituição de móveis e eletrodomésticos do apartamento funcional ou fim do uso de cada parlamentar, ele abre a geladeira para mostrar que é “nova”, revelando também um par de tênis guardado no eletrodoméstico. Veja:
A presença de calçados em eletrodomésticos, no entanto, não é inédita nas publicações do senador. Em julho, Cleitinho já havia mostrado o apartamento funcional em Brasília e, ao abrir um frigobar, deixou à vista um par de chinelos.
Em ambas as ocasiões, o detalhe chamou a atenção de internautas, que fizeram comentários bem humorados questionando a presença dos objetos no local. Veja:








Os itens inusitados também aparecem em vídeos de Cleitinho relacionados à rotina de exercícios físicos. Em gravações nas quais abre a geladeira para pegar ingredientes usados no preparo de pré-treinos, é possível ver objetos como telefones, caixas de remédio, e até mesmo uma placa de carro com o seu nome escrito.
Objetos fazem parte da estratégia de engajamento
A estratégia de comunicação nas redes sociais faz parte da trajetória política do senador, que construiu projeção com vídeos de linguagem direta e críticas a privilégios da classe política. Agora eleito governador de Minas Gerais, Cleitinho mantém esse formato de comunicação digital, no qual temas políticos dividem espaço com cenas cotidianas e elementos que chamam a atenção do público.
Para o professor de Comunicação Social da UFMG, Camilo Aggio, os objetos inusitados nos vídeos de Cleitinho funcionam como um “objeto cênico”, paralelo a forma que o teatro e o cinema constroem seus cenários, causando um convite à curiosidade. “Você coloca um elemento que causa estranhamento e faz com que as pessoas tentem entender o que aquilo significa. É como um jogo de detetive, em que o público começa a especular e a buscar explicações”, explica.
Essa curiosidade pode aumentar o alcance das publicações, já que estimula comentários e compartilhamentos. A estratégia lembra o clickbait, mas, para Aggio, num campo mais amplo, os objetos também podem fazer parte da mensagem política.
Aggio cita o caso de Renan Santos (Missão), que disputou a Presidência nas últimas eleições e publicou um vídeo elogiando objetos vermelhos em seu apartamento. A gravação foi interpretada por internautas como um possível apoio velado ao presidente Lula, o que Renan negou na época.
Para o professor, detalhes como esses podem influenciar a leitura do público sobre o conteúdo. “Eles não estão necessariamente separados da mensagem. Esses elementos podem provocar interpretações e discussões que se somam ao assunto principal do vídeo”, afirma.
O professor não vê o uso desses recursos, por si só, como uma ameaça ao debate público. “A comunicação política sempre se adaptou às ferramentas e às linguagens de cada época. Minha preocupação é muito mais com discursos intolerantes, autoritários e antidemocráticos do que com as estratégias usadas para chamar a atenção nas redes sociais”, diz.








