A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito e indiciou por seis crimes o ex-marido da mulher, de 41 anos, encontrada com vida após ser jogada de um penhasco na Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As investigações apontaram que Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, perseguiu a vítima durante meses, monitorava a rotina dela e planejou o crime antes de executá-lo.
Silvanildo foi indiciado por tentativa de feminicídio qualificado, estupro, sequestro e cárcere privado, roubo majorado, descumprimento de medida protetiva e tentativa de ocultação de cadáver. No mesmo dia em que o acusado tentou matar a ex-companheira, em 26 de maio, ele foi preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas.
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Segundo a delegada regional de Ibirité, Ana Paula Gontijo, a Polícia Civil reuniu provas de que o investigado mantinha uma vigilância constante sobre a ex-companheira mesmo após o fim do relacionamento. Ele frequentava o local de trabalho da vítima, ia até a escola da filha do casal e continuou aparecendo na residência da mulher mesmo depois de ela deixar Ribeirão das Neves e se mudar para Belo Horizonte. De acordo com a investigação, Silvanildo observava a movimentação da casa pelas janelas e pelo portão, em um comportamento de controle permanente sobre a rotina da vítima.
A polícia também constatou que a mulher já havia solicitado medidas protetivas, mas que o suspeito desrespeitou as determinações judiciais e manteve as perseguições. Para a delegada, o conjunto de provas demonstra que o crime foi motivado pelo inconformismo com o fim do relacionamento e pelo sentimento de posse que o investigado mantinha em relação à vítima.
As investigações também revelaram que o homem possui histórico de violência contra mulheres. Segundo a delegada, ele chegou a ser excluído de plataformas de transporte por aplicativo após agredir uma passageira que registrou ocorrência contra ele. A polícia apurou ainda que o investigado utilizava perfis falsos em redes sociais e trocava constantemente de número de telefone para continuar tentando contato com a vítima.
Suspeito obrigou a vítima a fazer sexo antes de jogá-la de penhasco
Outro elemento considerado decisivo para a conclusão do inquérito foi a constatação de que o crime foi premeditado. Dentro do carro utilizado por Silvanildo, os investigadores encontraram dinheiro, roupas e diversos aparelhos celulares. Conforme a Polícia Civil, os objetos indicam que ele pretendia fugir para a Bahia, onde possui familiares, logo após matar a ex-companheira. A investigação da Polícia Civil apontou que a tentativa de feminicídio foi antecedida por uma sequência de perseguições, ameaças e violência, inclusive sexual.
Horas antes do crime, a vítima chegou a avisar para uma das filhas que acreditava estar sendo seguida pelo ex-companheiro nas proximidades da escola da filha mais nova. Pouco tempo depois, quando seguia para o trabalho, ela foi surpreendida por Silvanildo. Armado com uma faca, o homem ameaçou a ex-companheira e a obrigou a entrar no carro. Ele teria trancado as portas, fechado os vidros e, durante todo o tempo, manteve a vítima sob ameaça, até chegar na Serra do Rola-Moça.
A condução da vítima sob estas ameaças é que levou a Polícia Civil a concluir que houve os crimes de sequestro e cárcere privado, também. Durante o percurso, ele ainda roubou a bolsa da mulher, levando documentos, cartões bancários e o telefone celular, além de obrigá-la a desbloquear o aparelho.
Ex-marido tentou jogar a mulher do penhasco por três vezes
Ao chegar Rola Moça, o investigado ainda obrigou a vítima a praticar sexo oral. Depois, ele tentou empurrá-la de um desfiladeiro por três vezes. A primeira tentativa foi interrompida porque havia uma pessoa nas proximidades, já na segunda, ele levou a mulher para outro ponto da serra. Ela ainda conseguiu se agarrar para evitar a queda, mas, na terceira tentativa, foi empurrada no penhasco.
Silvanildo tentou ocultar o cadáver da vítima ao abandoná-la em uma área de difícil acesso. Depois do crime, ele confessou ao genro que havia jogado a mulher do penhasco e indicou um ponto da serra, mas a localização estava errada. As buscas mobilizaram equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, que localizaram a vítima somente cerca de 24 horas depois.
Mesmo após a queda de aproximadamente 50 metros, a mulher sobreviveu. Ela passou toda a noite ferida no local, sem conseguir pedir ajuda porque o celular havia sido levado pelo agressor. Segundo a delegada, a vítima sofreu escoriações pelo corpo e fraturou apenas os ossos do nariz, sendo considerada uma sobrevivente.
Com a conclusão do inquérito, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deve oferecer denúncia contra o acusado.









