A Polícia Federal (PF) em Minas Gerais deve auxiliar na investigação de empresas e patrões suspeitos de perseguir, ameaçar, assediar ou demitir funcionários por causa do voto nas eleições. O pedido foi feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após o recebimento de denúncias de trabalhadores que teriam sofrido retaliações por causa das escolhas nas urnas, incluindo votos no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com Carlos Alberto Menezes de Calazans, superintendente regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, o MTE recebeu mais de 2 mil denúncias de assédio moral ao longo dos dois meses de campanha eleitoral. Desse total, 30% foram registradas entre o primeiro e o segundo turno.
A situação, segundo o superintendente, continuou após a votação. Entre segunda-feira, terça-feira e a manhã desta quarta-feira (28), o Ministério do Trabalho recebeu mais de 50 notificações de possíveis casos de assédio eleitoral, incluindo denúncias de demissões motivadas pela escolha política dos trabalhadores.
“É a primeira vez que eu faço esse tipo de pedido à Polícia Federal. Eu mesmo liguei para o superintendente da PF de MG, relatei as denúncias e pedi ajuda para investigar os diversos casos que têm chegado”, afirmou Calazans.
As possíveis retaliações não se limitam à demissão. Segundo Calazans, o Ministério do Trabalho também recebeu relatos de trabalhadores que teriam sido prejudicados financeiramente por causa do voto. “Além de demissões, recebemos denúncias de não ter aumento de salário e de não receber alguma gratificação ou bônus”, disse o superintendente.
Para Calazans, os relatos preocupam porque envolvem o direito dos trabalhadores de escolher livremente seus candidatos, sem sofrer pressão ou punição no ambiente profissional. “Isso é muito grave. Trabalhador não tem nada a ver com a escolha na urna. Nós vivemos num país livre e democrático, em que o trabalhador tem o direito de escolher quem quiser”, declarou.
O BHAZ entrou em contato com a Polícia Federal (PF) e aguarda retorno.
Canal de denúncia
Diante do aumento dos relatos, o Ministério do Trabalho, em parceria com o Ministério Público, disponibilizou um canal para receber denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. O objetivo é permitir que trabalhadores comuniquem possíveis irregularidades, inclusive de forma anônima. “Nós pedimos que as pessoas denunciem. É anônima. Principalmente se foi demitido”, afirmou Calazans.
A campanha lançada pelos órgãos reforça que nenhum trabalhador pode ser perseguido ou demitido por causa de sua escolha política. O voto é livre e secreto, e a pressão de empregadores para interferir na decisão eleitoral pode configurar uma irregularidade.
Trabalhadores que sofreram ou conhecem alguém que tenha sido vítima desse tipo de conduta podem registrar uma denúncia pelo endereço https://assedioeleitoral.trabalho.gov.br.
O Ministério do Trabalho orienta que os relatos sejam encaminhados para que os casos possam ser apurados pelas autoridades competentes.












