Após prisão anulada pelo STF, Eduardo Cunha anuncia voto em Bolsonaro e que será candidato a deputado federal

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Eduardo Cunha teve prisão revogada pelo STF e apoia o presidente Jair Bolsonaro (Wilson Dias + Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PTB) anunciou que vai votar em Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais deste ano. Em entrevista ao Correio Braziliense, anunciou “estar de volta” após ter a prisão anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Por decisão do ex-ministro Sergio Moro (União Brasil), Cunha passou quatro anos e meio na prisão. Em meio a críticas ao ex-juiz federal, ele revelou que vai concorrer como deputado federal por São Paulo nas eleições deste ano.

Segundo o ex-parlamentar, Bolsonaro vai derrotar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se reeleger como presidente da República em 2022. Cunha vai se apresentar para o eleitorado antipetista e acredita que São Paulo será um estado decisivo para a vitória do atual mandatário.

Eleição decidida em São Paulo

O ex-presidente da Câmara comunicou que vai votar em Jair Bolsonaro nas eleições deste ano porque, segundo ele, não existe uma terceira via. Ele explica que não vê a “menor possibilidade” de Lula conquistar a cadeira presidencial, creditando a derrota do petista ao estado de São Paulo. Segundo ele, o PTB também deve apoiar o atual chefe do Executivo.

Para Cunha, Lula deve conquistar a maioria no Nordeste, perder no Norte, no Centro-Oeste e no Sul. “Consequentemente, o Sudeste será o decisivo. Dentro do Sudeste, o que vai fazer a diferença será São Paulo. Então eu vejo lá: o Haddad efetivamente na liderança, mas eu não vejo ele no segundo turno nem vencendo a eleição. Também não vejo a menor possibilidade de o Lula vencer a eleição em São Paulo”, explicou, aludindo às últimas eleições.

“Na eleição de 2018, o Bolsonaro tomou do PSDB o antipetismo. Não há jeito: você tem o petismo e o antipetismo. E o Bolsonaro transformou o antipetismo no bolsonarismo. Então nós passamos a ter duas pontas muito fortes que estão bem delineadas no eleitorado brasileiro”, comenta.

Por conta da extrema polarização entre Lula e Bolsonaro, Cunha acredita que o último possa vencer já no primeiro turno.

Críticas a Moro

Durante a conversa com o Correio, Cunha alfinetou o ex-ministro Sergio Moro – que coordenou a Operação Lava Jato – e declarou ter passado quatro anos e meio preso sem motivos. Ele afirma que está de volta depois de ter a prisão revogada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Eu estou de volta, mas o mais importante é isso: eu fiquei preso por nada. Aquilo que ele me prendeu foi anulado, então não foi só a condenação que ele me impôs. Todos os atos que ele praticou foram também anulados. Então mostra a ilegalidade que foi a minha prisão”, avaliou, acusando Moro de ser chefe de uma organização política e “criminosa”.

Eduardo Cunha é um dos responsáveis pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele lançou um livro intitulado “Tchau, Querida”, junto com a filha.

Assista à entrevista na íntegra:

Edição: Vitor Fernandes
Nicole Vasquesnicole.vasques@bhaz.com.br

Graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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