‘Se PF prendeu, tem motivo’, diz Bolsonaro, que já afirmou colocar a ‘cara no fogo’ por Milton Ribeiro

Bolsonaro e Milton Ribeiro
Presidente diz que ex-ministro deve responder pelos seus atos (Reprodução/Itatiaia + Isac Nóbreca/PR)

Apesar de afirmar hoje que “se a Polícia Federal prendeu, tem um motivo”, o presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrava ter total confiança em Milton Ribeiro. O ex-ministro da Educação que foi preso nesta quarta-feira (22) suspeito de corrupção na liberação de recursos públicos da pasta. Em março, em meio às primeiras denúncias sobre o caso, o mandatário disse que colocaria a “cara no fogo” por Ribeiro.

“Se o Milton estivesse armando não teria colocado na agenda aberta ao público. O Milton, eu boto minha cara no fogo por ele. Estão fazendo uma covardia”, disse Bolsonaro em uma das lives de quinta-feira, no dia 24 de março.

“A Polícia Federal, ontem eu pedi para abrir o procedimento para investigar o caso também. Tem gente que fica buzinando: ‘Manda o Milton embora que a gente tem alguém pra indicar aqui’. Duvido botar para o público o nome, não faz isso porque se der errado a culpa é minha”, completou.

A declaração foi dada três dias após a Folha de S. Paulo divulgar áudio em que o ministro afirmava que repassava verbas a municípios indicados por dois pastores. Depois da denúncia, a Polícia Federal passou a investigar o caso, a pedido da Procuradoria Geral da República.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro também defendeu Milton Ribeiro após o pedido de demissão do ministro. “Deus sabe de todas as coisas e vai provar que ele é uma pessoa honesta, e justa, e fiel e leal”, disse a jornalistas no dia 28 de março, durante um evento do partido Republicanos.

‘Que responda pelos atos dele’

Já na manhã desta quarta-feira, pouco depois da prisão do ex-ministro, Bolsonaro comentou sobre o caso em entrevista à Itatiaia. “Se a Polícia Federal prendeu, tem um motivo. E o ex-ministro vai se explicar. Nós afastamos na hora que tínhamos que afastar, quando surgiram as denúncias”, disse.

O presidente disse que os ministérios têm sistemas de compliance para evitar desvios de recursos públicos, mas reforçou que Milton Ribeiro deve responder pelos seus atos. “O caso do Milton, pelo que estou sabendo, é que ele estaria com conversa informal demais com algumas pessoas de confiança dele. Daí houve denúncia que ele teria buscado prefeito e gente dele para negociar e liberar recurso”, afirmou.

“Nós afastamos ele. Sinal que a PF está agindo. Ele que responda pelos atos dele. Peço a Deus para que não tenha problema nenhum. Mas, se tiver problema, a PF está investigando”, completou o mandatário.

Prisão

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso nesta manhã, no litoral de São Paulo. O mandado de prisão preventiva foi expedido em função da operação “Acesso Pago”, da Polícia Federal, que investiga tráfico de influência e corrupção na liberação de recursos públicos do MEC (Ministério da Educação). A confirmação de que o ex-ministro está entre os presos foi divulgada pela Folha de S. Paulo e pela CNN.

Segundo a PF, foram identificados indícios de crime na liberação das verbas públicas. A investigação corre sob sigilo. As ordens judiciais foram emitidas pela 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

Ao todo, estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco prisões em Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal. Outros crimes, como corrupção passiva e prevaricação, também são investigados pela Polícia Federal. O tráfico de influência tem pena prevista de dois a cinco anos de reclusão.

Edição: Vitor Fernandes
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

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