Bolsonaro recebe medalha de Mérito Legislativo sob gritos de ‘genocida’ e ‘mito’ na Câmara

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Arthur Lira entregou a medalha a Bolsonaro (TV Câmara/Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro recebeu uma medalha de Mérito Legislativo na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (24). A premiação aconteceu em sessão solene no plenário. Durante a entrega da medalha, Bolsonaro ouviu uma multidão dividida entre gritos de “genocida” e “mito”. Antes, a segunda secretária da Câmara, deputada Marília Arraes (PT-PE), discursou contra Bolsonaro.

Bolsonaro foi o primeiro a receber a medalha, dentre outros 31 agraciados (veja lista aqui). Ao ser chamado, começaram os aplausos, os gritos de “mito”, mas também as vaias e gritos de “genocida”, por parte dos deputados. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado de Bolsonaro, foi o responsável por entregar a medalha ao presidente. Nenhum deles respondeu aos gritos dos opositores.

Discurso contra o presidente

Antes da entrega de medalhas, a deputada Marília Arraes, organizadora da condecoração este ano e segunda secretária da mesa diretora, fez um discurso com críticas a Bolsonaro. Ela estava sentada à mesa da Câmara, ao lado de Arthur Lira e do próprio Bolsonaro.

“Nem sempre quem se intitula representante do povo e de sua vontade age em nome dele e como se espera em uma democracia. Como sabemos, o poder Executivo, eleito de maneira majoritária, também deveria se comportar como representante do povo, mas muitas vezes esse pretenso povo age antidemocraticamente quando animado por espíritos sectários, taxando como inimigos e excluindo os divergentes da entidade unitária e mítica da qual julgam fazer parte aqueles que não se encontram dentro do seu cercadinho mental”, disse a deputada, em referência ao “cercadinho” de apoiadores do presidente que fica na porta do palácio da Alvorada.

A deputada falou de “líderes populistas” e “autoritários”, sem citar nomes. “Isso ocorre porque nem sempre democracia e vontade popular convergem. De fato, em muitos pontos do planeta, e em vários momentos históricos por vezes, o povo se levanta contra instituições democráticas, incitado por lideres populistas e autoritários que fabricam inimigos para mobilizar as massas em prol da concessão dos seus projetos pessoais de poder”, afirmou.

Deputada cita Bolsonaro

A segunda secretária ainda mencionou o relatório “The Global State of Democracy 2021”, publicado há dois dias pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional Avançado (Idea), com sede em Copenhagen. O documento classificou o Brasil como uma democracia em declínio e o país que mais perdeu atributos democráticos em 2020.

“O documento cita nominalmente o presidente da República, apontando ameaça de descumprir decisões do STF [Supremo Tribunal Federal], tentativas de apagamento de vozes críticas, divulgação de fake news, má gestão da pandemia, entre outros, de maneira que testou explicitamente as instituições democráticas brasileiras”, afirma a deputada.

Marília finalizou o discurso dizendo que espera que o mérito legislativo sirva, “para aqueles que eventualmente não exibam as credenciais democráticas”, como “um eterno lembrete de seus compromissos com todos os brasileiros e brasileiras”, e destacou que “nunca é tarde para começar”.

Sobre a medalha

Criada em 1983, a Medalha Mérito Legislativo é conferida pela Mesa Diretora da Casa para condecorar autoridades, personalidades, instituições ou entidades, campanhas, programas ou movimentos de cunho social, civil ou militar, nacionais ou estrangeiros, que tenham prestado serviços relevantes ao Poder Legislativo ou ao Brasil, segundo o site da Câmara.

No discurso inicial, Arthur Lira classificou a medalha como “da mais alta respeitosa comenda ortogada pela Câmara dos Deputados” e uma forma de “escrever o nome destes homens, mulheres e instituições na história do Poder Legislativo, por suas contribuições para a sociedade brasileira”.

Já Bolsonaro, que discursou logo em seguida, disse que espera conseguir cada vez mais proporcionar dias melhores “para a nossa nação”. O presidente foi indicado ao prêmio pelo major Vitor Hugo (PSL-GO), deputado federal e amigo de Bolsonaro já na época da Academia Militar das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro.

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