Eduardo Leite é criticado após se declarar gay e ter apoiado Bolsonaro

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Bolsonaro reagiu à declaração de Eduardo Leite sobre sua sexualidade (Reprodução/Governo do Rio Grande do Sul)

Após se declarar gay publicamente no programa Conversa com Bial, da TV Globo, nessa quinta-feira (1º), o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) está recebendo muitas críticas nas redes sociais. Isso por conta que o político declarou apoio a Jair Bolsonarno (sem partido) nas eleições presidenciais. Dentre os que criticaram, está o ex-deputado Jean Wyllys, que fez questão de lembrar o posicionamento político de Eduardo.

Na noite de ontem, o doutorando em ciência política Jean Wyllys fez uma série de críticas a Eduado Leite, levando em consideração o posicionamento político do governador. O tucano havia dito na entrevista que “é um governador gay, e não um gay governador”, ao que o ex-deputado questionou: “Qual é mesmo o problema de ser um ‘gay governador?'”.

“O reposicionamento político feito (assumir-se agora e só agora) em função da força do movimento LGBTQ é bacana; mas essa subsequente ‘limpeza’ da identidade em nome do suposto mérito individual é um equívoco”, opinou Jean em seu Twitter.

‘Marketing eleitoral’

O doutorando disse que devemos nos acostumar a ver membros da comunidade LGBTQIA+ sendo de direita, mas apontou que essas pessoas só aparecem quando “1) Nós da esquerda conquistamos o direito para eles; 2) Quando estão sendo tirados do armário; 3) Ou por marketing eleitoral”, criticou.

Jean deixou claro que achou positivo o governador de direita ter se assumido gay no Brasil, entretanto, afirmou que a declaração deveria ter sido feita sem um “jogo de palavras para agradar a homofobia liberal”. Para Wyllys, a comunidade LGBTQIA+ deveria receber “alguma consciência crítica na saída do armário do governador”.

O ex-deputado apontou que esperava que Eduardo Leite levasse em consideração que apoiou Jair Bolsonaro no 2° turno das eleições de 2018, chamando-o de “racista homofóbico que se revelou um genocida”, e que o governador também se desse conta de que ficou em silêncio “diante de todo horror vivido pela comunidade LGBTQ assumida nesse país”.

‘Direita golpista está desesperada’

“E ainda mais num contexto em que a direita golpista que apoiou e votou num homofóbico racista que se revelou um genocida está desesperada atrás de um títere com óleo de peroba do século XXI: supostamente ‘verde’ e ‘colorido’, porém neoliberal. Minha sororidade é crítica, sorry”, acrescentou Jean Wyllys.

Ele ainda disse que apenas as pessoas que não conhecem a luta dos LGBTQIA+ contra a homofobia admira o ato de Eduardo Leite sem fazer ressalvas. “Só quem não conhece a longa história da luta de nossa comunidade contra a homofobia da direita e da extrema-direita pode sair ‘louvando’ sem maiores cuidados e ressalvas o come outing de um governador de direita. O ato dele é apenas bacana e nada mais. E encerro por aqui”.

Jean não parou com as críticas

Nesta sexta-feira (2), Jean Willys teceu mais críticas, visto que o assunto ganhou grande repercussão em toda a web. “Quando se é branco, rico e soldado da plutocracia e do neoliberalismo que ‘não tolera’ a homofobia porque LGBTQ viraram nicho de mercado rentável, fica fácil ‘assumir-se’ gay (ainda que se negando) e catalizar a solidariedade acrítica dos cúmplices e ingênuos”, apontou o doutorando.

Segundo o ex-deputado, Eduardo Leite foi cúmplice de Bolsonaro quando o presidente falava sobre “kit gay” e “mamadeira de piroca”. Ele disse: “Coragem grande teria o ‘governador gay’ se tivesse se assumido e se colocado ao lado de LGBTQ momento em que seu aliado Bolsonaro disseminava mentiras como ‘kit gay’ e ‘mamadeira de piroca’ que objetivam nos associar à pedofilia. Naquela momento o governador era cúmplice”.

Internautas ‘não seguram a mão’ de Eduardo

Além de Jean, muitos internautas fizeram críticas a Eduardo Leite, associando sua homossexualidade, agora pública, ao apoio que o governador deu ao atual presidente da República, e ao fato de ele ser de direita. “Uma pena que é gay de direita, essa mão eu não seguro”, comentou uma pessoa. O nome do tucano ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta sexta-feira.

“Eduardo Leite fez história: ajudou a eleger um genocida”, comentou um usuário. “Eduardo Leite está para os gays assim como Sérgio Camargo está para os negros”, opinou uma terceira pessoa. Confira um pouco das críticas feitas pela web:

Eduardo Leite apoia Bolsonaro

De acordo com o R7, em 2018, a coligação de Eduardo Leite ao governo gaúcho havia declarado oficialmente apoio a Jair Bolsonaro no 2° turno da eleição presidencial. Dias antes, o governador disse em entrevista coletiva que não havia hipótese de apoiar o PT (Partido dos Trabalhadores), e que “por essa exclusão, estamos dispostos a construir com a candidatura de Jair Bolsonaro”.

Edição: Vitor Fernandes
Andreza Miranda
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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