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Empresa que prometia folga caso candidato presidencial fosse eleito dá de ombros ao MP: ‘O crime compensa’

10/10/2026 às 11h14
Reprodução redes sociais.

“Blz. Obrigado. Deixa o pau torar. O crime compensa.” Foi assim que os responsáveis pela CP Locações & Transportes, empresa de Belo Horizonte, responderam ao Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG) depois de serem orientados a não interferir no voto dos funcionários. A mensagem levou o caso direto à Justiça do Trabalho, que impôs uma série de proibições à empresa.

Tudo começou com uma publicação nas redes sociais. Segundo o MPT, a empresa anunciou que os trabalhadores ganhariam folga no dia seguinte à votação caso determinado candidato à Presidência vencesse ainda no primeiro turno. A denúncia chegou ao órgão no domingo (4), dia da eleição.

Recomendação ignorada

Antes de acionar o Judiciário, o MPT enviou uma recomendação à empresa pedindo que respeitasse a liberdade política dos empregados e não usasse benefícios, pressão ou constrangimento para influenciar o voto. A resposta debochada mudou o rumo do caso.

O procurador do Trabalho Rafael Albernaz Carvalho, que estava no plantão eleitoral do primeiro turno, decidiu então levar a situação à Justiça. “Não houve alternativa para o MPT senão recorrer imediatamente à Justiça para proteger a liberdade de voto dos trabalhadores”, afirmou.

O que a Justiça determinou

A juíza Mariana Carvalho de Resende Cota concedeu tutela de urgência. Na decisão, ela afirma que condicionar uma folga ao resultado das eleições é incompatível com a liberdade de convicção política e de voto dos trabalhadores, e que a própria resposta enviada ao MPT reforçou a necessidade de uma intervenção imediata.

A magistrada apontou indícios de assédio eleitoral e proibiu a empresa de:

  • oferecer vantagens ligadas ao resultado das eleições;
  • divulgar propaganda político-partidária direcionada aos funcionários;
  • perguntar aos empregados em quem pretendem votar;
  • pressionar trabalhadores a participar de atividades políticas;
  • constranger ou intimidar funcionários por causa de suas escolhas políticas.

A decisão também obriga a CP Locações a apagar as publicações que originaram o processo e a divulgar um comunicado garantindo aos trabalhadores o direito ao voto livre e secreto, sem retaliações nem benefícios atrelados ao resultado. O descumprimento pode render multa de R$ 30 mil.

Além das medidas urgentes, o MPT pede que os responsáveis sejam condenados a pagar R$ 150 mil por danos morais coletivos. O processo segue em tramitação.

Do deboche ao comunicado

Depois da decisão, o tom mudou. Em cumprimento à ordem judicial, a empresa publicou nas redes sociais uma nota afirmando que não coage, não orienta, não influencia e não tolera condutas que interfiram na liberdade de voto ou na posição ideológica dos funcionários.

O texto diz ainda que cada trabalhador pode votar e se manifestar politicamente sem sofrer pressão, ameaça, promessa de vantagem ou retaliação, e reafirma o compromisso da empresa com a democracia e com um ambiente de trabalho livre de discriminação. A própria publicação informa que foi feita por determinação da Justiça.

Minas é vice-líder em denúncias

O assédio eleitoral acontece quando empregadores ou pessoas em posição de poder usam pressão, intimidação ou oferta de vantagens para tentar direcionar as escolhas políticas de trabalhadores.

Até 9 de outubro, o MPT havia recebido 1.204 denúncias desse tipo em todo o país. Minas Gerais aparece em segundo lugar no ranking, com 140 registros. Nas eleições de 2026, o órgão já expediu 70 recomendações a empregadores, e, em Minas, precisou recorrer à Justiça em três casos para garantir a liberdade de voto dos trabalhadores.

Redação BHAZ

redacao@bhaz.com.br

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Email: redacao@bhaz.com.br

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