A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) se pronunciou nesta sexta-feira (28) sobre os recentes ataques sofridos pela pesquisadora Carolina Soares, egressa da universidade. Na última semana, a especialista em segurança pública concedeu uma entrevista ao Jornal Hoje, da Globo, e teve seu título descredibilizado pelo assessor Tércio Tomaz e diversos secretários do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Felipe Carmona, Secretário Nacional de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual da Secretaria Especial de Cultura, chegou a sugerir que a especialista deveria frequentar um salão de beleza, em referência ao seu cabelo afro. Em nota divulgada hoje, a universidade, onde Carolina se graduou em direito, definiu os ataques como “inaceitáveis”.
“A UFMG se solidariza com a socióloga Carolina Soares pela forma como vem sendo atacada, de forma inaceitável, nas redes sociais, com comentários racistas e preconceituosos. A UFMG se orgulha de ter contribuído com a trajetória acadêmica de Carolina, egressa do curso de Direito, cujos trabalhos abordaram as políticas penais associadas à Lei Maria da Penha”, diz a publicação.
A instituição ainda diz repudiar “toda e qualquer forma de linchamento virtual, prática que cerceia a liberdade de expressão, afeta a dignidade humana e vai contra os valores democráticos e o respeito aos direitos humanos”.
A UFMG se orgulha de ter contribuído com a trajetória acadêmica de Carolina, egressa do curso de Direito, cujos trabalhos abordaram as políticas penais associadas à Lei Maria da Penha.
— UFMG (@ufmg) January 28, 2022
A UFMG repudia toda e qualquer forma de linchamento virtual, prática que cerceia a liberdade de expressão, afeta a dignidade humana e vai contra os valores democráticos e o respeito aos direitos humanos.
— UFMG (@ufmg) January 28, 2022
‘Desrespeito intelectual’
Ao Jornal Nacional, Carolina Soares contou que pediu ao Twitter para retirar as publicações do ar. Para ela, os ataques são “um desrespeito intelectual, misógino e racista”, além de “um ataque à sua condição de mulher negra”.
Ela contou, ainda, que tem recebido diversos ataques e ameaças depois que o caso ganhou repercussão, o que a levou a apagar as redes sociais. Depois que a matéria foi ao ar, o Secretário Nacional de Incentivo e Fomento à Cultura, que havia reagido com risadas à especialidade de Carolina, ainda ironizou nas redes sociais.
“Risadas matam! Vamos nos conscientizar”, escreveu André Porciuncula. Felipe Carmona, por sua vez, criticou a Globo por repudiar os ataques contra a pesquisadora. “Nunca vi eles divulgarem os escândalos de outras gestões da Cultura. Mas fiscalizar posts e risadas passa até em horário nobre”, disse.
Risadas matam! Vamos nos conscientizar. pic.twitter.com/o9WsptNAIq
— André Porciuncula (@andreporci) January 28, 2022
Nunca vi eles divulgarem os escândalos de outras gestões da Cultura. Mas fiscalizar posts e risadas passa até em horário nobre. pic.twitter.com/66kmvcUv7E
— Felipe Carmona (@Carmona_SP) January 28, 2022












