O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta sexta-feira (30), em Belo Horizonte, que os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras sejam incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A declaração ocorre um dia depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o registro de cinco novas canetas à base de liraglutida e semaglutida, sendo duas indicadas para o tratamento da obesidade e três para diabetes.
Padilha afirmou que o governo federal trabalha para ampliar o acesso aos medicamentos e que a entrada de novos fabricantes no mercado brasileiro já contribuiu para reduzir os preços. Segundo o ministro, os produtos, que antes custavam cerca de R$ 1,7 mil, agora podem ser encontrados por valores entre R$ 200 e R$ 400.
“Queremos trazer essas medicações para o SUS para aqueles pacientes que têm indicação médica e podem ter benefício com o tratamento. Queremos que isso seja um direito incorporado ao sistema público de saúde”, afirmou.
Governo estuda uso dos medicamentos no SUS
Padilha comentou sobre a ampliação do acesso destes medicamentos a partir do estudo que o Ministério da Saúde iniciou em setembro, com aplicação em pacientes selecionados do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ao todo, são 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças. Entre eles estão pessoas que aguardam cirurgia bariátrica e pacientes com obesidade que tiveram complicações cardíacas.
O governo também pretende avaliar o uso das canetas em mulheres que tiveram câncer de mama, diante de estudos que apontam uma possível redução no risco de recidiva da doença. A proposta é analisar os efeitos dos medicamentos em conjunto com medidas de alimentação e atividade física.
“Queremos avaliar o impacto disso nesses grupos, entender como as pessoas conseguem incorporar o tratamento à realidade do SUS, como utilizam a medicação em casa e como isso se relaciona com a alimentação e a atividade física”, explicou o ministro.
A expectativa, segundo Padilha, é que o tratamento também possa reduzir gastos do sistema público, inclusive com cirurgias bariátricas e internações hospitalares.
O Ministério da Saúde já encaminhou o pedido de avaliação à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por analisar a inclusão de novos tratamentos na rede pública. A expectativa é que o órgão apresente alguma sinalização entre novembro e dezembro. Caso a proposta avance, será aberta uma consulta pública antes da decisão final.
Anvisa aprova cinco novas canetas
Na quinta-feira (29), a Anvisa aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis da classe dos agonistas do receptor GLP-1. Três são indicados para o tratamento de diabetes e dois para obesidade.
Os medicamentos aprovados foram:
- Aribet (liraglutida): indicado para o tratamento de diabetes;
- Lyrza (liraglutida): indicado para o tratamento da obesidade;
- Wylovol (liraglutida): indicado para o tratamento da obesidade;
- Embeltah (semaglutida): indicado para o tratamento de diabetes;
- Sevema (semaglutida): indicado para o tratamento de diabetes.
Com os novos registros, a agência chegou a 20 canetas aprovadas em 2026. A priorização da análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida começou em agosto de 2025, após solicitação do Ministério da Saúde para ampliar a oferta desses produtos no país.








