O Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro (HMDCC) , em Belo Horizonte, começou a realizar, nesta terça-feira (6), a trombectomia mecânica, um novo tratamento usado para retirar coágulos que bloqueiam artérias do cérebro em casos de AVC isquêmico. A técnica passa a ser oferecida pela rede pública de Belo Horizonte e pode ser indicada para pacientes que atendam a critérios clínicos e de imagem.
O HMDCC é o primeiro hospital da Rede SUS-BH a oferecer a técnica e o segundo de Minas Gerais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A trombectomia pode ser indicada principalmente quando um coágulo de grandes proporções impede a circulação em uma das principais artérias do cérebro e a medicação usada na trombólise não é suficiente para desobstruir o vaso.
Na prática, a técnica amplia as possibilidades de tratamento para alguns pacientes que chegam ao hospital após o início dos sintomas. Em casos selecionados, definidos a partir de exames de imagem e avaliação médica, o procedimento pode ser realizado em uma janela de até 24 horas.
Como funciona
A trombectomia é feita por meio de um cateter introduzido em uma artéria, geralmente na região da virilha. O dispositivo é levado pelos vasos sanguíneos até o local onde está o coágulo, que pode ser retirado com um stent (um pequeno tubo de metal em formato de malha de aço, que se expande e captura o coágulo), por aspiração ou pela combinação das duas técnicas.
A retirada do trombo permite restabelecer a circulação de sangue em uma região do cérebro que ainda pode não ter sofrido uma lesão definitiva. Com isso, o tratamento pode reduzir o risco de sequelas graves e aumentar as chances de recuperação das funções neurológicas.
Apesar da possibilidade de tratamento em até 24 horas em situações específicas, a orientação continua sendo buscar atendimento o mais rápido possível. Isso porque, no AVC, quanto antes o fluxo sanguíneo for restabelecido, maiores são as chances de preservar o tecido cerebral.
Atendimento continua pelo Samu
A chegada dos pacientes com sintomas de AVC ao Hospital Célio de Castro continua sendo feita pelo Samu. Na unidade, o paciente é avaliado por um neurologista e passa pelos exames necessários para identificar o tipo de AVC e definir a conduta.
Quando a trombectomia é indicada, o caso é discutido também com o neurorradiologista intervencionista, responsável pela realização do procedimento.
Segundo Fidel Meira, referência técnica da Neurologia do hospital, a possibilidade de retirar o coágulo pode fazer diferença para pacientes que apresentam obstruções em grandes vasos cerebrais.
O tratamento se soma à trombólise, já disponível na rede pública de BH. Nesse caso, o paciente recebe medicamento para tentar dissolver o coágulo e recuperar o fluxo sanguíneo.
Com a nova técnica, o Hospital Célio de Castro amplia o número de alternativas disponíveis para tratar o AVC isquêmico, de acordo com as características e o tempo de atendimento de cada paciente.








