Facily: Saiba como funciona o app de compras coletivas que chama atenção pelo descontos

Facily
Proposta do aplicativo é permitir que o consumidor forme um grupo e faça compras em conjunto (Facily/Divulgação)

A Facily, um aplicativo de compras coletivas, tem chamado a atenção de diversas pessoas desde seu lançamento. É que o app se apresenta como uma alternativa para o bolso do consumidor, já que promete oferecer preços baixos na venda de produtos de vários segmentos, como hortifruti, bebidas, produtos de beleza e mais. Por outro lado, a empresa acumula milhares de reclamações de consumidores e até chegou a ser convocada para reunião com o Procon-SP (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo).

A premissa da Facily é ser um serviço de “social commerce”, que permite compras de produtos em grupo. Além dos preços mais baixos e do frete grátis, o aplicativo também realiza sorteios e oferece benefícios para os comerciantes que cadastrarem suas mercadorias na plataforma.

Como funciona a Facily?

A proposta do aplicativo é permitir que o consumidor forme um grupo e faça compras em conjunto, garantindo preços menores em mercadorias que vão de alimentos a acessórios para celular. Disponível para iOS e Android, a plataforma divulga ofertas diariamente conforme a localização do consumidor. O cliente também pode fazer compras indivualmente.

“Aqui na Facily, cortamos intermediários e procuramos realizar o comércio direto entre o cliente e o vendedor. Para cortar custos com frete e oferecer um preço mais atrativo para o comprador, as lojas enviam os pedidos para o centro de distribuição. A Facily cuida de todo o resto e garante que o pedido chegue até o ponto de retirada escolhido pelo cliente”, descreve a empresa.

Além de fazer as compras em grupo e buscar os produtos em um ponto de retirada, que pode ser um estabelecimento ou a casa de uma pessoa física, o cliente também pode acumular “moedas de ouro” ao convidar amigos para a plataforma ou ao acessar o app todos os dias.

Hoje, a Facily opera em Brasília, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza e Grande São Paulo.

Modos de compra

A Facily oferece duas categorias de compra em grupo, além da compra individual: Compre Junto ou Super Grupo. Na modalidade Compre Junto, quando o cliente escolhe o produto e o adiciona no carrinho, o aplicativo dá a opção de entrar em um grupo existente ou criar o seu próprio. Os grupos dessa categoria precisam de 4 a 5 pessoas para fechar e validar a compra.

Já na categoria Super Grupo, a compra precisa de 8 a 10 pessoas para ser validada. Em todos os casos, o pagamento precisa ser realizado. Se o limite de pessoas não for atingido, o pedido em grupo é cancelado. A Facily garante que o valor é reembolsado automaticamente na conta do usuário, em forma de cupom”.

E para o vendedor?

Já aqueles interessados em disponibilizar seus próprios produtos para venda na Facily podem se cadastrar como vendedores. De acordo com a empresa, a vantagem para o comerciante é que ele acaba vendendo em maior escala, já que as compras são feitas em grupo.

A Facily ainda afirma que o comerciante terá acesso aos recursos de gestão, infraestrutura e logística da empresa para levar os pedidos dos centros de distribuição até os mais de dois mil pontos de retirada. Para ser uma empresa parceira e anunciar os produtos na Facily, as lojas pagam uma comissão por cada item vendido, que varia de acordo com a categoria do produto.

Já o pagamento para a loja, segundo a plataforma, é calculado sobre o preço de venda pago pelo cliente, que inclui o custo do produto, embalagem, despesa de transporte até centro de distribuição e impostos aplicáveis à categoria. A Facily faz o pagamento referente às vendas com uma frequência mensal ou semanal, conforme a categoria.

Facily para vendedores
Tabela mostra informações sobre repasse de valores de venda aos comerciantes (Reprodução/Facily)

Reclamações

Apesar das várias alegações e garantias de benefícios feitas pela Facily, a empresa acumula muitas reclamações tanto no site Reclame Aqui como no Procon. Na plataforma que recebe queixas de consumidores, o aplicativo é classificado como ruim, sendo que a principal questão apontada é o problema com o atendimento.

De acordo com o Reclame Aqui, 67,4% das queixas no site foram respondidas e 52,1% dos clientes voltariam a fazer negócio com a Facily. Nas redes sociais da empresa, não faltam comentários de consumidores revoltados, se queixando da falta de retorno do atendimento e de produtos que foram comprados e não chegaram.

Já em julho deste ano, o Procon-SP convocou os responsáveis pela Facily para uma reunião, para que a empresa explicasse sobre os problemas causados aos consumidores. Segundo o Procon, desde o início deste ano, as reclamações contra a empresa aumentaram de forma expressiva.

“Enquanto no mês de janeiro foram observados 21 casos, em maio e junho foram, respectivamente, dois mil e nove mil. No primeiro semestre de 2020 foram apenas cinco reclamações contra 11.563 no primeiro semestre deste ano”, informa.

Reclamações da Facily
Facily acumula milhares de reclamações no Procon-SP (Procon/Divulgação)

A empresa foi notificada em maio pelo órgão, mas as explicações não foram suficientes e os questionamentos dos consumidores continuaram a chegar: só no dia 5 de julho, foram registrados 500 casos.

“Além dos problemas com a entrega dos itens, a divulgação publicitária feita pela empresa desrespeita as regras de informação de preços. Apenas o valor dos itens vendidos em grupo – e com desconto – é destacado, já o valor do produto vendido individualmente (sem desconto) aparece em caracteres bem menores, dificultando a comparação dos dois preços praticados e a compreensão do consumidor”, completa o Procon-SP.

O BHAZ procurou a Facily para saber se alguma mudança foi feita desde a reunião com o órgão, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Tão logo a empresa responda, este texto será atualizado.

Edição: Giovanna Fávero
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagem premiada pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021, além de figurar entre os finalistas do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados.

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