Padre chama movimentos da esquerda de ‘anticristãos’ e dispara: ‘Se você é esquerdista, converta-te’

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Pablo Henrique de Faria, de 43 anos, também é médico e grande apoiador do governo Bolsonaro (Reprodução/Paróquia São Paulo VI/Youtube)

Um padre de Iporá, em Goiás, polemizou neste mês ao dizer, durante uma missa online, que movimentos de esquerda são “anticristãos”. Pablo Henrique de Faria, de 43 anos, também é médico e grande apoiador do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em seu perfil no Instagram, o religioso compartilha conteúdos “anticomunistas” e em favor do governo bolsonarista.

“Nós estamos vivendo o momento mais dramático que eu já vi. Eu não poderia imaginar, há 10 anos, o que estamos vivendo hoje. É assustador. E que fique bem claro: movimentos esquerdistas são anticristãos. Se você é esquerdista, desses partidos, converta-te. Não é cristão, caramba! Não misture”, disse ele durante o culto religioso, realizado no último dia 9.

Ainda durante sua fala, ele criticou os defensores da linguagem neutra, o que ele classificou como “estupidez”, e atribui às escolas um poder de deturpar os “valores cristãos”. “Linguagem neutra aquela estupidez, como você vai ensinar um absurdo desse na escola? Eles agem do tempo inteiro para a imoralidade. Para destruir a família. Para destruir os valores cristãos”, diz em outro trecho da missa.

O padre também menciona os movimentos de orgulho LGBTQIA+, e chama os homossexuais de “massa de manobra”. Veja um trecho abaixo:

‘De médico bem sucedido à padre’

Em outro vídeo, também veiculado no YouTube da Paróquia São Paulo VI, ele narra seu “testemunho de conversão”, de como largou sua carreira bem sucedida como médico otorrinolaringologista para virar sacerdote. “Eu era de uma família católica, mas de um catolicismo bem superficial. Meus pais são de classe média e me deram tudo pra que eu pudesse estudar”, conta.

Ele confessa que foi difícil se adaptar à rotina dura dos hospitais por ter sido “filho de papaizinho”. Ao decidir abandonar a profissão, com 35 anos, ele diz ter enfrentado questionamentos dos pais, além de ter se tornado alvo de críticas de familiares, amigos e desconhecidos.

“Trabalhava praticamente todos os dias até 21h, 22h. Tinha que acordar 4h, 4h30 para olhar vários pacientes. Existia uma hierarquia muito pesada. E o pior de tudo, para um filho de papaizinho que não era acostumado a sofrer muitas retaliações, era a hierarquia de alguém gritar, sempre chamar sua atenção por qualquer coisa”, conta ele no vídeo.

Edição: Giovanna Fávero
Larissa Reis
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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