Quem passar pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, a partir do dia 4 de agosto, vai encontrar um espaço de 120 metros pensado para quem viaja a trabalho. O Onfly hub oferece de forma gratuita wi-fi, área de convivência, tomadas para eletrônicos e estações de trabalho para resolver aquela última reunião antes de embarcar.
Por trás da iniciativa está a Onfly, maior plataforma de viagens e despesas corporativas da América Latina. Com investimento de R$ 2 milhões, o espaço foi pensado, segundo a empresa, para “tirar o passageiro do modo automático” e traduz o momento que o mercado de viagens corporativas atravessa.
“Nosso objetivo é transformar o tempo de espera em uma experiência mais confortável e conectada. O espaço traduz a forma como a nossa empresa enxerga o futuro das viagens corporativas”, resume Marcelo Linhares, CEO da Onfly.
O espaço fica no segundo piso do terminal, em frente à área de embarque e funciona todos os dias, das 6h às 20h. A intenção da Onfly foi transformar a visita em uma espécie de percurso que representa as etapas de uma viagem corporativa, da reserva à prestação de contas.

A proposta é que o espaço seja diferente de uma Sala VIP, buscando ser um ponto de apoio para quem está em trânsito. “Quem nunca ficou procurando uma tomada para carregar o celular que nos deixou na mão no último segundo? Ou precisou fazer uma reunião de trabalho e não tinha uma mesa para apoiar o computador?”, questiona Linhares.
Escolher o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte para estrear o conceito também tem uma explicação mais simples: a Onfly é mineira, e a escolha está alinhada à relevância do aeroporto tanto para o mercado de viagens quanto para a própria trajetória da empresa.
Uma empresa nascida de um perrengue
A história da Onfly começa antes de existir qualquer plataforma. Os três fundadores, Marcelo Linhares, Elvimar Soares e Elvis Soares, trabalharam juntos como diretores comerciais e de marketing em uma fabricante de calçados e viajavam com frequência a trabalho. O problema, contam, não era viajar, era tudo o que envolvia viajar: fazer reservas sem uma ferramenta adequada, adiantar dinheiro do próprio bolso, estourar limite de cartão porque a empresa não tinha um mecanismo pensado para esse tipo de gasto, guardar notinhas de despesas que se perdiam pelo caminho. Foi dessa lista de irritações recorrentes que nasceu, em 2018, a ideia de criar uma ferramenta única para organizar reservas, aprovações e despesas de viagem corporativa.
O começo não foi fácil. Dois anos depois de fundada, a Onfly enfrentou a pandemia, com aeroportos fechados e viagens de trabalho suspensas em todo o país. A retomada só veio quando o mercado de viagens corporativas voltou a girar, em um ritmo que, segundo a empresa, cresce ano após ano.
Hoje a Onfly soma mais de 3.500 clientes e mais de 650 mil usuários ativos na plataforma. No último semestre, mais de R$ 1 bilhão foi transacionado por meio da ferramenta, somando reservas de passagens aéreas, ônibus e hospedagem. A empresa gera, em média, uma economia de 20% nos gastos com viagens das empresas que atende.
Como funciona a plataforma
A ideia central da Onfly é reunir, em um único lugar, o que normalmente exige várias ligações, planilhas e aprovações soltas. Para quem viaja, a plataforma funciona de forma parecida com um site de reservas: passagem, hospedagem, ônibus e aluguel de carro em um só fluxo, com avisos em tempo real, por WhatsApp, inclusive, sobre mudanças de portão ou de horário de voo.

Para quem gerencia viagens dentro da empresa, existe outra camada: aprovação de gastos em tempo real, bloqueio automático de compras fora da política interna e um painel personalizável, batizado de Dashboard Studio, que permite acompanhar quem gastou mais, quem gastou menos e se cada despesa está dentro das regras definidas.
A plataforma é modular e se adapta às necessidades de cada empresa. Companhias que gastam até R$ 10 mil por mês em viagens podem utilizar a versão gratuita da Onfly, pagando apenas pelas reservas feitas. Acima disso, as empresas entram em um modelo com mensalidade e suporte mais próximo. A variação de porte entre os clientes, segundo a Onfly, é ampla: há clientes que movimentam R$ 12 mil por mês em viagens e outros que chegam a R$ 12 milhões, cada um com uma estrutura de atendimento proporcional à complexidade do que precisa.
Um mercado que ainda resiste à mudança
Apesar da tecnologia disponível, há empresas brasileiras que ainda organizam viagens corporativas de forma manual: uma pessoa comprando passagens, preenchendo planilhas linha por linha para dezenas de funcionários, sem perceber que aquele processo trabalhoso não precisaria ser assim. Parte da resistência vem do hábito de manter um processo conhecido, mesmo que trabalhoso, do que migrar para uma ferramenta nova.
A mudança pode gerar resistência, mas, depois da implementação, a tendência é que a plataforma passe a fazer parte da rotina das empresas.

Outro diferencial apontado pela empresa está no combate a fraudes e no controle de despesas corporativas. Para isso, a Onfly desenvolveu o Spend Control, tecnologia que permite configurar regras personalizadas para o uso de cada cartão corporativo. Entre as funcionalidades estão a definição de limites de gastos por período, horários permitidos para utilização, categorias de estabelecimentos autorizadas e permissões para saques, compras online e pagamentos por aproximação (NFC). Com as regras aplicadas em tempo real, a ferramenta busca reduzir gastos indevidos e garantir maior controle sobre as despesas de viagem.
É nesse contexto que o Onfly Hub no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte ganha um sentido que vai além do espaço físico ocupado no aeroporto. Ele marca o momento em que uma travel tech brasileira decide sair da tela e ocupar um lugar concreto na rotina de quem viaja, um gesto que acompanha a transformação de um mercado que, aos poucos, deixa de tratar a gestão de viagens como um detalhe operacional e passa a encará-la como parte da forma como as empresas pensam produtividade, gasto e cuidado.







