Sem a esquerda, arrependidos e 3ª via foram às ruas contra Bolsonaro

Manifestação contra Bolsonaro em BH
Manifestantes exibem faixas e camisas com slogans apontando ‘traição’ do presidente (Reprodução/@MBLivre/Twitter)
coluna orion

A manifestação do domingo (12) reuniu os arrependidos (centro de direita empresarial) que foram às ruas para aderir ao ‘fora Bolsonaro’ depois de terem votado nele. Sem fazer mea-culpa, cobraram e culparam o PT pela baixa adesão. São segmentos como o MBL, Vem para Rua e integrantes  do partido Novo, do governador Romeu Zema, que não apoia o movimento e mantém-se aliado do presidente.

Após a mudança de posição, esses movimentos conseguiram a adesão de alguns setores do centro esquerda, como o PDT de Ciro Gomes, do partido Cidadania e até de integrantes do PSOL e de petistas. Não houve adesão formal do PT e das esquerdas, apesar da convergência em torno do pedido de impeachment.

Até porque, durante toda a semana, em que o PT e aliados debateram se iriam ou não à manifestação, os organizadores do evento aprovaram o mote ‘nem Bolsonaro nem Lula’. Os lavajatistas deram presença também e levaram placas pedindo o ex-juiz Sergio Moro para presidente, elogiando os “heróis da Lava Jato”.

Posicionamento afastou o PT

O deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) disse que a adesão da esquerda seria importante para o ato, mas que os cartazes de “nem Lula nem Bolsonaro” atrapalharam a união da oposição. “Seria interessante se juntar porque todo mundo tem um inimigo em comum que é o Bolsonaro”, disse.

Pelo tom do posicionamento, acabaram por afastar o PT, além de terem dado impulso ao impeachment da petista Dilma Rousseff em 2016. Mesmo assim, o PT de Lula considerou bem-vinda a adesão deles ao ‘fora Bolsonaro’.

Tudo somado, o baixo desempenho da manifestação, que os bolsonaristas estão explorando, ao comparar com os atos de 7 de setembro, demonstra uma tentativa da 3ª via presidencial. Esse movimento não quer Lula nem Bolsonaro na eleição, busca se viabilizar e marcar posição. Tanto é que foram as ruas desse domingo, os presidenciáveis da 3ª via, o ex-presidente do Novo, João Amoêdo, Ciro Gomes (PDT), o ex-ministro da Saúde Luiz Mandetta (DEM). E mais, a senadora Simone Tebet (MDB) e os governadores do PSDB, o paulista João Doria e o gaúcho Eduardo Leite. Todos aguardando a oportunidade par virar a bola da vez.

Reféns da polarização

As fotos da baixa participação do último domingo são também reflexos da atual polarização e das próprias pesquisas. Os atos da esquerda e do PT contra Bolsonaro lotaram as ruas, de junho, como aquelas do 7 de setembro. Enquanto que as do domingo (12) foram tímidas. Podem crescer? Podem. Mas hoje o tamanho da 3ª via é esse, sem base popular. Terão que saber como entrar ou quebrar a difícil polarização.

A adesão desse grupo, antes bolsonarista, ao pedido de impeachment do presidente ainda não é suficiente para a abertura do processo. Para isso, falta atrair, pelo menos, um dos grandes partidos do Centrão, o bloco parlamentar de apoio ao governo Bolsonaro. Afinal, o placar mínimo do impeachment precisa de 342 votos (dois terços do total) para que a Câmara dos Deputados autorize a abertura do processo.

As legendas independentes na Câmara têm 187 deputados. A oposição tem 132, o que dá um total de 319 parlamentares. Como se vê, faltam 23 votos para isso. Mas foi mais um passo. O PT prepara novos atos para atrair outras forças políticas, previstos para 2 de outubro e 15 de novembro.

Orion Teixeira
Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

Comentários