Ser bolsonarista é acreditar, sem contestar, nas mentiras do presidente

bolsonaro tira foto com paciente em hospital
Presidente citou medicamento na saída do hospital, ontem (Reprodução/@jairbolsonaro/Instagram)

Os apoiadores de Bolsonaro não seguem ideias ou projetos, muito menos ideologias, mas um conjunto de mentiras ditas pelo presidente da República sem quaisquer comprovações científicas. Mais do que acreditar, o fanatismo os leva a passarem o dia defendendo as fake News presidenciais e buscando algum tipo de argumento para sustentá-las. Mentiras costumam ser reforçadas por outras.

A última mentira presidencial proferida foi a de que ele poderá não disputar as eleições do ano que vem, baseado em um medo irreal das urnas eletrônicas; sem provas ou comprovação técnica.

São tantas mentiras, e tantas vezes repetidas, que, sem saber como começaram, aos seguidores interessa apenas de onde vieram. Isso basta para eles, até porque checar é desconfiar do presidente que apoiam cegamente. Quem o fizer corre o risco de ser chamado de ‘petista’ e até virar inimigo. O bolsonarista de primeira fase, procurador Deltan Dallagnol, defendeu a lisura das urnas. Está sendo defenestrado pelos ex-aliados.  

Ataques à urna eletrônica sem provas

“Eu não acredito mais que passe na Câmara o voto impresso, tá? A gente faz o possível. Vamos ver como é que fica aí”, disse Bolsonaro em conversa com apoiadores diante do Palácio da Alvorada. “Eu entrego a faixa para qualquer um, se eu disputar a eleição, né? Se eu disputar, eu entrego a faixa para qualquer um. Uma eleição limpa”, chantageou Bolsonaro.

Em outro fake News, voltou a fazer acusações sem provas sobre a urna eletrônica. Não acredita nessa invenção brasileira como quem não acredita também em vacinas. Ao contrário do que diz, o voto eletrônico é o único que pode ser auditável e é blindado contra fraudes como não são o voto impresso.

Em sua fantasia, acusa ministros da Suprema Corte de tirarem da cadeia o ex-presidente Lula, único que pode derrotá-lo, segundo as pesquisas, e torná-lo elegível. “São os mesmos que vão contar os votos dentro do TSE de forma secreta. As mesmas pessoas”, insistiu Bolsonaro. Ele ainda acredita. “Não estou ofendendo, estou mostrando a realidade”, disse ele sobre ataques ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Roberto Barroso. Misturou uma mentira com outra para disfarçar que não ofendeu, mas a verdade é que insultou o ministro, quando o chamou de “imbecil e idiota”. Tudo somado, mentiras, fake News e negacionismo são faces da mesma personalidade presidencial.

Ministro da Educação adere ao negacionismo

O insignificante ministro da Educação, Milton Ribeiro, convocou, ou convocaram para ele, rede nacional de TV e rádio para defender, nessa terça (20), o retorno das aulas presenciais. Gastou dinheiro público para, na verdade, aderir ao negacionismo de seu chefe. Por sorte e preceito constitucional, a Suprema Corte já pacificou o conflito ao reconhecer a autonomia dos estados e municípios.

“Caso contrário, eu já teria determinado [o retorno presencial das aulas]”, afirmou o ministro da Educação, reconhecendo publicamente sua incompetência na gestão da educação do país. Decidir sobre essa ou aquela medida nacional não depende de determinação ou autoridade, mas de conhecimento da realidade e de sua capacidade de convencimento.

Segundo ele, “o fechamento de escolas traz consequências devastadoras” e o retorno das aulas presenciais seria “necessidade urgente”. Não avaliou se as tais consequências devastadoras seriam tão graves quanto as mortes por Covid-19, que, no país do atraso, chegam a quase 600 mil mortes. Assim como a economia brasileira, a volta às aulas, ministro, depende das vacinas. Tem vacina aí?

De acordo com a 17ª Pesquisa Covid-19, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 68,5% dos municípios participantes da sondagem disseram que a volta das aulas presenciais na rede pública de ensino está condicionada à imunização dos profissionais que atuam nas unidades escolares.

PSDB de Aécio age contra PSDB e Dória

A mão oculta do ex-governador de Minas e ex-presidente do PSDB, Aécio Neves, age nos bastidores para que seu próprio partido não tenha candidato presidencial no ano que vem. Isso seria inédito já que o partido, desde que foi criado, em 1988, participa das eleições presidenciais. Esse é um dos poucos casos nos quais um ex-líder de um partido trabalha para o fim da própria legenda. O que essa ala quer é impedir que o governador paulista, João Dória, único nome competitivo do partido, dispute as eleições presidenciais.

Orion Teixeira
Orion Teixeiraorionteixeira.orionteixeira@gmail.com

Jornalista político, Orion Teixeira recorre à sua experiência, que inclui seis eleições presidenciais, seis estaduais e seis eleições municipais, e à cobertura do dia a dia para contar o que pensam e fazem os políticos, como agem, por que e pra quem.

É também autor do blog que leva seu nome (www.blogdoorion.com.br), comentarista político da TV Band Minas e da rádio Band News BH e apresentador do programa Pensamento Jurídico das TVs Justiça e Comunitária.

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